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Movimento de Mulheres Camponesas em Santa Catarina realiza XIII Assembleia Estadual

 

Nos dias 21 e 22 de outubro de 2017, nós, do Movimento de Mulheres Camponesas de Santa Catarina – MMC/SC, realizamos a XIII Assembleia Estadual, no município de Pinhalzinho (SC), com a presença de mais de 400 mulheres vindas das 13 regionais onde o movimento se articula no estado. O tema do encontro foi o “Feminismo Camponês” que, de acordo com Catiane Cinelli, da Coordenação Nacional do MMC, vem sendo construído a partir da experiência, da vida e da luta das mulheres camponesas. “Nós, mulheres organizadas, é que construímos o nosso feminismo nesses 34 anos de história do Movimento, afirmando-o como uma mística de resistência e de enfrentamento ao capitalismo e ao patriarcado, o que anima e fortalece as mulheres na luta pela emancipação e transformação da sociedade”. Já o lema do encontro, “Mulher e Agroecologia no campo e na cidade”, reafirmou a luta e a resistência ao modelo do agronegócio, pautando a agroecologia como projeto de vida e de sociedade, propondo novas relações de respeito entre os seres humanos e destes com a natureza.

O primeiro dia de Assembleia foi marcado pelas diversas experiências apresentadas pelas mulheres camponesas do MMC. As mesas de debate mostraram que essas experiências, além de se fundamentarem em diferentes aspectos de um processo histórico em curso, e no atual contexto de golpe vivido em nosso País, constroem novos elementos relacionados à concepção de agroecologia. Elementos esses que são fortalecidos enquanto modo de vida e ciência, ao mesmo tempo que propõem alternativas de vida, de renda, de relações sociais e de gênero, políticas, econômicas e ideológicas. 

As jovens camponesas também se fizeram presente nos debates, como a camponesa Elisabel Basso que, aos 14 anos de idade, vive a agroecologia junto a sua mãe, Maria Leci Basso, da regional de Concórdia (SC), tendo ambas aprendido a agroecologia nos espaços de formação do MMC. Todas as falas foram de mulheres camponesas que vivem, na sua unidade de produção, a mudança que propõem ao mundo. “Tem-se, nesses debates, novas formulações que nascem da vida e são fundamentadas pelas experiências feministas e camponesas que seguem em construção no MMC e que encontram, na agroecologia, uma sustentação para a luta”, afirma Justina Cima, dirigente estadual do MMC.

No segundo dia do encontro, as mulheres camponesas apresentaram o teatro “Feminismo Camponês” que, através da arte, trouxe presente a luta e vida das mulheres organizadas no MMC. Em seguida, realizou-se a terceira mesa de debate tendo como tema central o “Papel da Direção e os desafios”, com a presença de várias dirigentes do MMC. Ivanete Zambon, da Regional de Maravilha (SC), destacou o desafio daquela ser a primeira vez que ela falava para um público tão grande de mulheres. “Estou superando mais um desafio que é medo de falar em público; e o MMC possibilita isso, pois ser dirigente significa superar limites diariamente”. Noeli Welter Taborda, da Direção Nacional do MMC, afirmou que “ser dirigente nos remete, nos diferentes espaços que atuamos, sempre ter presente que somos camponesas e feministas, porque lutamos por um projeto de sociedade, de libertação e emancipação das mulheres, de vida digna, de igualdade e respeito entre homens e mulheres e destes com a natureza. Um projeto que é contrário ao projeto de morte do capitalismo e do patriarcado".

Esse debate salienta que somos muitas dirigentes espalhadas pelo estado, e que nos diferentes lugares onde atuamos precisamos ter presente, como um dos grandes desafios, a necessidade de fortalecer a nossa organização, a luta pelos nossos direitos e a construção da unidade junto aos movimentos populares do campo e da cidade, pastorais sociais e sindicatos das trabalhadoras e trabalhadores.

Durante os dois dias da Assembleia também realizamos a “I Assembleia das Crianças Camponesas”, com a participação de 40 crianças filhas/os e netas/os das mulheres do MMC, vindas de todas as regiões do estado. Foi um espaço para compartilhar a luta das camponesas e aprender mais sobre o movimento, quando as crianças reafirmaram uma vontade de participar e fortalecer a vida política das mães e avós, além de entender o que elas fazem na vida e luta cotidiana. “Ficamos felizes que nossas mães e avós vão à luta, porque ir à luta significa que, além de corajosas, essas mulheres nos deixam em casa para ir em busca de nossos direitos porque elas nos amam,” relatou Cristiane, de 9 anos de São José do Cedro (SC).

Durante a XIII Assembleia Estadual aconteceu também uma “Mostra de Produção Camponesa” que deu visibilidade à produção dos quintais produtivos e ao trabalho das mulheres, com a participação efetiva da maioria das regionais. Artesanatos, sementes crioulas, plantas medicinais, pães, chimias, compotas caseiras foram alguns dos produtos trazidos pelas camponesas. 

Participaram da XIII Assembleia as companheiras do MMTU (Movimento de Mulheres Trabalhadoras Urbanas), do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), MPA (Movimento dos Pequenas Agricultores), MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), do coletivo PJR/PJMP (Pastoral da Juventude Rural e Pastoral da Juventude do Meio Popular) da PJ (Pastoral da Juventude), lideranças de diferentes Pastorais e da Igreja, da Fetraf (Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar), da UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e da UNOCHAPECO, além de muitas lideranças políticas e mandatos populares que constroem a luta junto com as mulheres e homens da classe trabalhadora.

Encerramos a XIII Assembleia com um documento final que reafirma nossa missão, nossos princípios e valores e mostra um profundo compromisso do MMC com a causa das mulheres trabalhadoras e da classe trabalhadora como um todo para construir um projeto de sociedade, um projeto de nação.

A realização da Assembleia foi resultado de um bonito trabalho realizado pelas mulheres camponesas nos municípios, regionais e no estado. A mesma foi muito positiva, as mulheres reafirmaram a necessidade de cuidado das pessoas e da natureza como um todo.

 

Fortalecer a Luta em Defesa da Vida! Todos os Dias!

A Previdência é nossa! Ninguém tira ela da Roça!

 

Por Letícia Pereira – Direção Estadual do MMC/SC

 

               

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