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11/06/2008
RS:
assentados protestam contra redução da faixa de fronteira
Cerca de
200 agricultores assentados e acampados marcham neste momento
rumo à Fazenda Tarumã, em Rosário do Sul, Fronteira Oeste
gaúcha. Eles
denunciam as práticas ilegais da transnacional de celulose
Stora Enso, que
mesmo sendo uma empresa estrangeira já adquiriu milhares de
hectares na
área da Faixa de Fronteira. Também criticam o lobby que a
empresa vem
fazendo junto aos parlamentos estadual e federal, assim como
os
respectivos parlamentares apoiadores, para que a Faixa de
Fronteira seja
reduzida a fim de legalizar a monocultura de eucalipto e pínus
na região.
A mesma área da Stora Enso em Rosário do Sul já foi ocupada
pelas mulheres
da Via Campesina em protesto no dia 8 de Março passado.
A atividade também é em repúdio à violência sofrida pelos 1,2
mil
manifestantes que protestaram ontem em Porto Alegre e foram
duramente
reprimidos. É necessário que se mantenha o direito à liberdade
de
expressão e de protesto, formas de expressão em qualquer
democracia. Os
agricultores querem que ao invés da governadora reprimir os
movimentos
sociais com a Polícia, que invista nos serviços sociais, gere
emprego e
renda.
Ao invés do governo estadual entregar as terras para as
transnacionais,
como as papeleiras, que não geram emprego e destróem o meio
ambiente, os
agricultores exigem que seja investido na reforma agrária e na
agricultura
camponesa, que produz alimentos. É necessário que o governo
mude o modelo
econômico para que a população e o país se desenvolvam e não
priorizar as
transnacionais.
Jornada de Luta
A Jornada
Nacional de Lutas Contra o Agronegócio e as Transnacionais
protesta contra o atual modelo de desenvolvimento adotado no
Brasil. Este
modelo, baseado no capital estrangeiro e nas transnacionais
(empresas
estrangeiras), principalmente dos setores de celulose,
agronegócio e
energia, tem levado o povo brasileiro ao empobrecimento. O
principal
malefício deste modelo está representando hoje na dita crise
do alimento,
que afeta todo o mundo, principalmente os países mais pobres.
As
transnacionais que detêm as sementes e controlam a exportação
dos
alimentos, juntamente com produtores do agronegócio, têm
estocado a
produção a fim de aumentar o preço dos alimentos no mercado
internacional.
No Brasil, apenas quatro transnacionais, a Cargill, ADM, Bunge
e Louis
Dreyfus exportam 60% do que é produzido no país. No Rio Grande
do Sul,
ocorre hoje a substituição da produção de alimentos por
monoculturas,
principalmente a de pínus e eucalipto, voltada à produção de
matéria-prima
para exportação.
Como conseqüência, a comida chega muito cara ao supermercado e
à mesa do
povo. Pesquisa do DIEESE mostra que o brasileiro gastou 111
horas e 8
minutos (duas semanas e meia) de trabalho em Maio somente para
comprar a
cesta básica. Os agricultores também são duramente afetados,
já que as
mesmas transnacionais, juntamente com a Syngenta e a Monsanto,
controlam
as sementes, os adubos e os agrotóxicos. Assim, elas conseguem
determinar
o preço dos insumos e da produção que será vendida pelo
agricultor.
O que os trabalhadores defendem
Os
trabalhadores do campo e da cidade defendem um novo modelo de
desenvolvimento, baseado no enriquecimento do povo e na
construção da
soberania alimentar e nacional do Brasil. Para isso, os
trabalhadores
defendem mais investimentos à agricultura camponesa, reforma
agrária ampla
com investimento em infra-estrutura, produção e assistência
técnica em
assentamentos, redução da jornada de trabalho de 44h para 40h
sem a
redução do salário do trabalhador, redução da cobrança abusiva
da energia
elétrica à população e substituição do atual modelo energético
por
produção de energia alternativa, que é mais barata e menos
impactante.
No RS, os manifestantes querem o fim da atual política
neoliberal da
governadora Yeda Crusius, que tem beneficiado somente as
empresas de
celulose com incentivos fiscais e o agronegócio, sem investir
na
agricultura camponesa e na reforma agrária. Querem o fim dos
incentivos à
monocultura do pínus e do eucalipto e para as empresas Aracruz,
Votorantim
e Stora Enso, mais investimentos nas políticas sociais e fim
de políticas
neoliberais adotadas como a enturmação e a não-realização de
concurso
público de professor e servidor para as escolas públicas
gaúchas, salários
baixos, sucateamento da UERGS (Universidade Estadual do Rio
Grande do
Sul); não à prorrogação dos pedágios e à criação de novas
quatro praças
com o Programa Dulica RS; e fim da repressão policial às
manifestações dos
trabalhadores.
Informações à
imprensa
Em Rosário do Sul
(55) 9623-9072
Em Porto Alegre
(51) 9933-6571 |
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