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12/06/2008
Parlamentares se posicionam em defesa dos/as trabalhadores/as

 

A ditadura no Rio Grande do Sul volta à tona

Por Adão Pretto, deputado federal pelo PT/RS

Em meio tantas denúncias de corrupção e desvio de dinheiro público dentro do Governo Yeda Crusius, agora nos deparamos com a mais covarde forma de repressão a manifestações legítimas da sociedade. Hoje (11/06), estudantes, desempregados, sindicalistas, sem-terra, que iriam protestar contra a alta dos alimentos no supermercado Nacional, do grupo Wal-Mart e contra as corrupções dentro do Governo Estadual, foram recebidos pela Brigada Militar com balas de borracha, bombas de gás e muita truculência. O resultado é alarmante: foram 17 manifestantes feridos, 12 presos; pessoas que queriam ser ouvidos/as pacificamente. Pessoas que estão no seu direito constitucional de protestar, mas são impedidas pelas forças estatais que não quer ouvir críticas.

Não é a primeira vez que isso acontece, no entanto. Eu mesmo fui impedido, enquanto parlamentar federal, de acompanhar uma ação da Brigada Militar em São Gabriel durante uma ocupação feita em uma área já cedida pelo Incra, ainda no mês passado. Na ocasião, Carandiru foi café pequeno diante do tratamento dado àqueles camponeses. Ficaram mais de oito horas sentados, sem comida, com as mãos na cabeça como se fossem bandidos... e eram agricultores que querem terra para trabalhar. Mulheres, professores, trabalhadores, crianças... quem será a próxima vítima de Yeda Crusius?

As cenas que presenciamos desde a implantação desta forma policialesca e criminosa no trato com os movimentos sociais, sejam eles urbanos, ou rurais me lembram a Ditadura Militar brasileira, quando éramos cerceados de nossa liberdade de manifestação e expressão. A atual governadora se comporta como uma grande ditadora e, o pior, sem nenhuma base popular que a sustente. E principalmente neste momento, em que o nosso Rio Grande está (des) governado, ações como a de hoje espantam e indgnam qualquer cidadão e cidadã de bem.

Que democracia é esta?

Até onde este (des) governo vai avançar na tentativa de reprimira voz de quem não concorda e não admite que sejamos enganados pela corrupção, a má administração, a prioridade para quem não se importa com a população gaúcha, mas que quer, às nossas custas, adquirir o lucro?

O povo gaúcho tem história. Tivemos governadores bravos, como Leonel Brizola que instituiu a legalidade no nosso Estado. Tivemos presidentes importantes, como João Goulart e Getúlio Vargas. Somos reconhecidos pela nossa bravura e é esta bravura, que tanto orgulha os gaúchos, que não vai permitir a corrupção desenfreada e nem este tipo de desrespeito a nossa gente, aos nossos movimentos sociais.

Tentam nos calar. Mas não vão conseguir, jamais!
 


Jornal Zero Hora - Porto Alegre/RS - 11/06/2008

Luciana Genro critica violência da BM em discurso na Câmara

Deputada do PSOL chamou novo comandante-geral, coronel Mendes, de fascista

A deputada federal gaúcha Luciana Genro (PSOL-RS) criticou a violência com que a Brigada Militar reprimiu os protestos contra a governadora Yeda Crusius na manhã desta quarta-feira, em discurso no plenário da Câmara dos Deputados:

— Hoje nós vivemos um dia de guerra no Rio Grande do Sul. Movimentos sociais estão sendo violentamente atacados pelo novo comandante da Brigada Militar (coronel Mendes, nomeado para o lugar de Nilson Bueno), que mais do que um fascista, parece ser um facínora, que tem prazer em reprimir as lutas sociais, mesmo quando elas são apenas movimentos que se colocam nas praças, nos espaços públicos do Rio Grande do Sul. O cercamento do Palácio Piratini com a tropa de choque para reprimir algumas centenas de milhares de estudantes. O estado policial é a resposta que dá a governadora para o seu desrespeito ao estado de direito.

Luciana reafirmou que seu partido, junto com o PV, protocolou pedido de impeachment de Yeda. A deputada ainda acusou a governadora de saber dos esquemas de corrupção, citando que o ex-secretário Enio Bacci já teria mencionado isso em público.

— Se a CPI do Detran quebrar o sigilo bancário da governadora, ela vai cair porque não tem como explicar a compra de uma mansão em Porto Alegre — declarou.

 


Condenado por tráfico ocupa cargo de confiança no gabinete da governadora

Um dos integrantes da quadrilha flagrada na maior apreensão de cocaína da história do Rio Grande do Sul em 1993, hoje ocupa cargo de confiança no gabinete da governadora Yeda Crusius. Cézar Augusto Hermann foi nomeado em 14 de novembro de 2007 para exercer o cargo de Assistente III (CC6). O caso, denunciado hoje (12) à tarde pela imprensa gaúcha, repercutiu na Assembléia Legislativa: “muito estranhos os critérios usados pela governadora para escolher os seus assessores. Enquanto o comandante da Brigada Militar trata os integrantes dos movimentos sociais como bandidos, o Palácio Piratini abriga integrante de uma quadrilha ligada ao narcotráfico e ao jogo do bicho”, afirmou o deputado Dionilso Marcon (PT) ao tomar conhecimento da folha corrida do assessor da governadora.

Filiado ao PSDB, Hermann foi preso pela primeira vez em 1993 quando a polícia apreendeu 2,2 toneladas de cocaína que estavam num depósito localizado no bairro Scharlau em São Leopoldo. Quatro anos depois, foi condenado por exploração do jogo do bicho e, em 1998, preso novamente por tráfico de drogas. A longa ficha criminal de Hermann revela, ainda, uma fuga da cadeia, estelionato e falsidade ideológica.

O parlamentar considera que “depois de cumprida a pena, como no caso de Hermann, o cidadão tem todo o direito de retomar o convívio pessoal e de ter oportunidade de reconstruir a sua vida”, mas pondera que o gabinete do governo tem uma imagem a zelar, principalmente quando as “forças policiais adotam um discurso duro em relação à criminalidade e partem para uma prática criminosa em relação aos movimentos sociais e aos cidadãos que querem se manifestar publicamente”, argumentou.

Hermann concorreu a vereador em Campo Bom em 2004 e é ligado ao ex-secretário de Finanças daquele município José Carlos Breda, que já ocupou a chefia de gabinete da governadora.

Cézar, uma história de prisões, fugas e condenações por narcotráfico, estelionatário e jogo do bicho

05.10.1988 – preso em flagrante – Pres. Est. de Novo Hamburgo – artigo 12 (tráfico), artigo 171 (estelionato)

06.10.1988 – solto por alvará – 1ª Vara Campo Bom

04.07.1993 – preso em flagrante – Presídio Central

artigo 12 (tráfico), artigo 18 (narcotráfico – tráfico para o exterior; ou uso de função de pública; ou utilização de terceiros; ou praticado em hospital, ou escola ou associação beneficente), artigo 14 (associação para o tráfico)

13.03.1995 – comunicado da pena de 7 anos em regime fechado

artigo 171 (estelionato), artigo 071 (crime continuado), artigo 299 (falsidade ideológica)

16.03.1995 – ganha liberdade condicional

06.04.1995 – transferido do PC para a Pen. Estadual do Jacuí (PEJ)

09.06.1995 – transferido da PEJ para Presídio Estadual de Taquara

26.07.1995 – transferido Presídio de Taquara para a Pres. Central

08.02.1996 – transferido do PC para IPEP

31.07.1996 – transferido IPEP para PE 

01.08.1996 – transferido PEJ para IPEP

17.10.1996 – foge do IPEP (sai para o trabalho e não retorna)

24.07.1996 – se apresenta no IPEP; é mandado para a PEJ

03.11.1996 – transferido da PEJ para a Colônia Penal Agrícola

04.11.1996 – transferido da CPA para Instituto Penal de Mariante

26.08.1997 – condenado a 9 meses por explorar jogo do bicho

17.06.1997 – transferido do Inst. Penal de Mariante para o Pio Buck

25.09.1997 – liberdade condicional

15.03.2007 – entrada no Presídio Estadual de Novo Hamburgo – depositário infiel

 

 

 

 

 
 

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