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12/06/2008
Nesta quarta-feira, 12, Via
Campesina faz protestos em três estados e apresenta proposta
para o campo
A Via
Campesina e trabalhadores urbanos integrantes da Assembléia
Popular realizam uma jornada de lutas para denunciar os
problemas causados pela atuação das grandes empresas no país,
especialmente as estrangeiras, que são beneficiadas pelo
modelo do agronegócio e pela política econômica neoliberal.
Nesta quarta-feira, aconteceram protestos no Rio Grande do
Sul, Bahia e Pernambuco, além de uma coletiva de imprensa em
Brasília.
Em
Brasília,
representantes de entidades que compõem a Via Campesina Brasil
divulgaram uma plataforma com propostas para o desenvolvimento
do campo brasileiro, com soberania nacional e justiça social
(leia no
final da mensagem). A
proposta inclui programas de fomento de agroindústrias para a
produção de alimentos e agroenergia, reflorestamento e
infra-estrutura em assentamentos, além da ampliação de
programas de educação do campo e a criação de uma estatal de
fertilizantes.
No
Rio
Grande do Sul,
cerca de 500 agricultores e sem-terra da Via Campesina
ocuparam pela manhã duas áreas da empresa Votorantim. Os
protestos que denunciam o avanço da monocultura do eucalipto e
da acácia na região Sul gaúcha aconteceram em Erval do Sul,
com 200 pessoas, e em Piratini, com 300. As monoculturas que
se instalam na região causam degradação ambiental e prejudicam
pequenos agricultores e assentados com o ressecamento de
córregos e do desequilíbrio ambiental.
As famílias também denunciam a empresa Votorantim, que com
promessas de emprego e de renda ao agricultor implementa na
região, com ajuda de órgãos do governo do RS, o Programa
Poupança Florestal, em que o agricultor e o assentado destinam
boa parte de sua propriedade para o plantio de eucalipto e
pínus. Para as famílias, o programa de governo deveria ser o
incentivo à produção de comida (o que não acontece hoje) e não
à produção de matéria-prima para exportação.
Em Porto Alegre, os movimentos sociais ocuparam o supermercado
Nacional, do grupo Wal-Mart, em protesto contra a falta de
política para a produção dos alimentos e o controle do
comércio agrícola por empresas multinacionais. Antes, cerca de
1,2 mil trabalhadores rurais e urbanos realizaram uma marcha
até o Palácio Piratini para denunciar a política do governo do
RS de corte aos serviços básicos do Estado (como saúde e
educação) e não de incentivo às transnacionais, em especial às
papeleiras.
A Brigada Militar, comandada pelo Coronel Paulo Mendes,
bloqueou a caminhada dos movimentos sociais, disparando tiros
de balas de borracha, e obrigou os manifestantes a
permanecerem no Parque Harmonia. Pelo menos dez pessoas foram
conduzidas ao Hospital de Pronto-Socorro na capital.
Em
Pernambuco,
trabalhadores rurais da Via Campesina realizaram três
protestos em Petrolândia. Cerca de 700 agricultores ocupara a
sub-estação de distribuição da Chesf (Companhia Hidrelétrica
do Vale do São Francisco), no município de Petrolândia,
próximo ao assentamento Antonio Conselheiro, em protesto
contra a transposição do Rio São Francisco. Mais de mil
agricultores bloquearam a BR 316, próximo a ponte que liga
Petrolândia a Paulo Afonso.
Cerca de
1.000 trabalhadores rurais da Via Campesina realizaram também
um protesto em frente a sede da empresa Netuno Pescados,
que está entre as dez maiores multinacionais do ramo de pesca
e aqüicultura. A empresa possui 200 fazendas de camarão no
nordeste, o que configura uma privatização da água, um bem
natural que deve ser público e de propriedade do povo, e não
de algumas empresas.
A empresa Netuno Pescados, a maior exportadora brasileiro de
pescado, compra a lamina d`água e utiliza de forma clandestina
o Lago de Itaparica. A empresa ainda proíbe a pesca artesanal,
obrigando a população a se submeter a seu projeto de
integração. Em 2006, recebeu um financiamento de R$ 211
milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social) para a expansão de seus negócios.
No norte
da
Bahia,
Cerca de 350 famílias do MPA (Movimento dos Pequenos
Agricultores) e da Via Campesina ocuparam área de
desenvolvimento do projeto Ponto Novo de irrigação, na
microrregião de Senhor do Bonfim. Os lavradores estão
acampados e não têm previsão para sair da área.
A área
total do projeto promovido pelo governo da Bahia, de mais de
2.500 hectares, deveria ser destinada para pequenos e médios
produtores. Todavia, os trabalhadores denunciam que
empresários estão tomando as terras para expansão da
monocultura da banana. Para a construção do projeto, foram
desalojadas 400 famílias. Apenas 120 foram reassentadas em
lotes familiares ao redor da área do projeto. As demais
famílias vivem hoje a periferia de Senhor do Bonfim.
Os
outros lotes ao redor do projeto de irrigação foram destinados
às empresas Sítio Barreiros, que desenvolve o monocultura de
banana, e Agrivale, que mantém a monocultura do abacaxi no
local. O proprietário da Agrivale é o mesmo empresário
responsável pela Agrovale, empresa especializada na produção
de cana-de-açúcar. Recentemente, essa empresa recebeu um
investimento de R$ 450 milhões do governo da Bahia para a
expansão da cana na região.
A área
recebeu um investimento de R$ 75,3 milhões, sendo que R$ 35,6
milhões foram destinados à implantação da barragem que mantém
todo o projeto, com capacidade de armazenar 40 milhões de
metros cúbicos de água, segundo informações oficiais do
governo, . Outros R$ 39,7 milhões foram destinados às obras de
irrigação e linha de transmissão.
Clique aqui para conhecer as propostas da Via Campesina para o
campo e para a agricultura no Brasil
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