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17/03/2008
JORNADA
NACIONAL DE LUTA DAS MULHERES CAMPONESAS
MMC Brasil reafirma
defesa da vida e do Projeto de Agricultura Camponesa
Em 2008, as mulheres organizadas
no Movimento de Mulheres Camponesas - MMC demarcaram o 8 de
março, Dia Internacional da Mulher, como dia de luta,
resistência e enfrentamento ao capital, reafirmando a defesa
da vida e do Projeto de Agricultura Camponesa.
Na semana de 3 a 8 de março,
centenas de mulheres camponesas do Brasil, juntamente com
mulheres da Via Campesina brasileira, mobilizaram-se na luta
contra o avanço do agronegócio, contra as multinacionais,
contra as monoculturas como eucalipto, pinus e acácia negra e
contra a violência, exploração e negação de direitos das
mulheres. Dentre as atividades desenvolvidas nos diversos
estados do Brasil onde o MMC possui organização, citamos:
-
A luta contra as
multinacionais em Goiás. O estado realizou formação
com estudo sobre a situação atual da classe trabalhadora e a
luta de classes. As mulheres camponesas também saíram às
ruas para denunciar as multinacionais: Votorantin, Bradesco
e empresas que produzem as monoculturas da cana-de-açúcar,
da soja, dos eucaliptos, dos transgênicos. As mulheres
reafirmam sua missão de produzir comida saudável para o
campo e a cidade.
-
A luta pelos direitos sociais
e pela Previdência Pública na Bahia e Paraíba.
-
O destaque das mulheres de
Roraima e Pará para a importância do trabalho que
as mulheres camponesas desenvolvem na construção da
soberania alimentar, através da produção de alimentos
saudáveis.
-
Em Roraima as
camponesas organizaram, no dia 8, a oficina “Mulher, Poder e
Democracia”, discutindo a participação da mulher na
sociedade. Na parte da tarde, saíram às ruas pedindo o fim
da violência praticada contra as mulheres, com combate ao
tráfico de mulheres.
-
A luta contra as carvoarias no
Maranhão.
-
O resgate da luta e conquistas
das mulheres camponesas enfocando a luta de classes e a
sociedade patriarcal, feita pelo estado do Paraná,
com luta de enfrentamento à multinacional de sementes
Syngenta, nos municípios de Santa Tereza do Oeste, Campo
Mourão, Ponta Grossa e Londrina. Também ato de denúncia na
madeireira Miforte, em União da Vitória, contra o avanço do
Deserto Verde no estado.
-
A luta pela implantação do
Bloco de Notas em Minas Gerais, com enfrentamento a
antiga mineradora Vale do Rio Doce, onde as mulheres
ocuparam os trilhos de uma das principais ferrovias da
mineradora.
-
O debate sobre Previdência
Pública e a demarcação do território indígena no Espírito
Santo.
-
A luta pelo Crédito Especial
para as Mulheres em Mato Grosso do Sul.
-
A denúncia da situação dos/as
camponeses/as no estado do Mato Grosso.
-
A marcha das mulheres
camponesas de Sergipe, Rondônia e Tocantins,
pelo fim da violência praticada contra as mulheres com
estudo da Lei Maria da Penha.
-
A luta contra as
multinacionais e o agronegócio no estado de Alagoas e
Acre.
-
A luta das mulheres do Rio
Grande do Sul contra o Deserto Verde em três locais do
estado. Na região de fronteira oeste, em Rosário do Sul,
onde as mulheres ocuparam uma área da empresa Stora Enso. Na
região central, em Encruzilhada do Sul, onde as mulheres
realizaram acampamento e ato de denúncia na Empresa Aracruz
Celulose. Na capital, Porto Alegre, onde as mulheres
realizaram marcha de denúncia com relação à ilegalidade que
empresas estrangeiras agem na faixa de fronteira do país. As
ações reafirmaram a luta pela preservação da biodiversidade
e de defesa da vida.
-
A luta das mulheres de
Santa Catarina, no dia 7 de março, contra a
transnacional de sementes Monsanto. As mulheres fecharam o
acesso à empresa de sementes Agroeste, comprada pela
Monsanto. Depois, fecharam o trevo de acesso a Xanxerê e
fizeram uma caminhada pelo centro da cidade. Na capital,
Florianópolis, em torno de 500 mulheres do MMC, juntamente
com as Mulheres Trabalhadoras Urbanas, se mobilizaram entre
os dias 5 e 6 para cobrar do governo do Estado o cumprimento
da pauta entregue em 2007, onde o MMC reivindica:
a) Infra-estrutura:
cisternas, hortas, capacitação das mulheres para a produção de
alimentos saudáveis e construção de viveiros de plantas
nativas.
b) Criação
de duas turmas de ensino médio para as mulheres camponesas.
c) Projeto
Saúde Alternativa, com capacitação para as mulheres,
recuperação de mudas e hortos medicinais.
d) Implantação
da Lei Maria da Penha.
Nesta jornada, as mulheres
camponesas denunciam o processo de privatização da saúde
pública, especificamente do CEPON – Centro de Tratamento
das Vítimas do Câncer e do HEMOSC - Centro de Recolhimento de
Sangue. Também denunciam os investimentos do dinheiro público
com os monocultivos de eucaliptos e pínus, fazendo uma moção
de repudio à governadora do Rio Grande do Sul e ao comandante
da Brigada Militar pela violência praticada contra as mulheres
e crianças que ocuparam a fazenda de propriedade da
Stora Enso, multinacional
sueco-finlandesa.
As mulheres
camponesas do Brasil reafirmam a luta por um novo projeto de
agricultura camponesa para o país, com a produção de alimentos
saudáveis, com políticas públicas adequadas, com respeito ao
ambiente, a biodiversidade e a todas as formas de vida do
planeta, na compreensão de que a luta se faz nos espaços
públicos e coletivos, mas que continua no privado e cotidiano,
todos os dias.
Colheita
Depois de
muita espera,
as palavras se misturam à terra,
como se nela as tivessem plantado
Apesar de
natureza diferentes,
e finalidades diversas,
doaram-se por completo e sem reservas,
nesse ato ansiosamente esperado
E das
palavras ditas ou não nesse momento,
floresceram outros e maiores sentidos,
traduzindo em certeza o que era antes instinto
Por fim,
nesse dia de chuva e alento,
mãos corajosas e limpas colheram da terra
palavras nuas transformadas em alimento
Ane Arduim
Fortalecer a luta em
defesa da vida.
Todos os dias! |
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