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12/03/2008
“Defendendo a
vida”
Atividades das mulheres do MMC para o 8 de Março
“Mulheres camponesas em defesa da vida“ foi o lema com o qual
as mulheres do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC) fizeram
a mobilização para este 8 de março, dia internacional da
mulher. Diferentes atividades e lutas contra o agro negócio,
os transgênicos e a crescente destruição da agricultura
camponesa foram realizadas em vários estados do País, entre
elas, marchas de protesto, seminários, ocupações,
acampamentos. Através dessas atividades as mulheres
denunciaram as conseqüências fatais do modelo de agricultura
industrial capitalista.
Destruição da agricultura camponesa, êxodo rural, diminuição
da soberania alimentar, destruição do meio ambiente e
crescimento do deserto verde são conseqüências desse modelo
orientado à produção para exportação e ao acúmulo do lucro
máximo possível.
Nesses dias de luta também se manifestou mais uma vez a
violenta repressão por parte do Estado contra aqueles e
aquelas que lutam pela justiça e por uma sociedade mais
solidária e humana.
O Rio
Grande do Sul é um dos estados onde o agro negócio é muito
forte, dominando e controlando grandes extensões de terras no
Estado. De diferentes lugares afetados pelas grandes
plantações de eucalipto por empresas transnacionais da região,
as mulheres da Via Campesina deram visibilidade a seus
protestos na ocupação de uma Fazenda da empresa finlandesa
Stora Enso, em Rosário do Sul, cidade da zona fronteiriça com
o Uruguai, num acampamento em Encruzilhada do Sul e na
capital, Porto Alegre. Aproximadamente 900 mulheres da Via
Campesina entraram na madrugada na Fazenda Tarumã para chamar
a atenção pública para a atuação ilegal da empresa
proprietária, Stora Enso. Segundo a legislação brasileira, é
proibido a aquisição de terras nas regiões fronteiriças.
Desrespeitando a lei, as transnacionais aproveitam-se dessas
terras destruindo a natureza e a base da vida da população.
Com brutalidade imensa as brigadas da polícia militar
reprimiram o ato e as mulheres foram retiradas violentamente
da fazenda. Lamentavelmente, a mídia não condenou nem a
ilegalidade da empresa e tampouco a truculência policialesca.
Ao contrário, criminalizaram-se os protestos das mulheres
legitimando, assim, a violência contra elas.
Também a marcha das Mulheres do MMC rumo à Fazenda da Bota foi
abortada pela atuação da policia militar. Essa caminhada foi
era o fecho dum acampamento das mulheres camponesas num
assentamento localizado em Encruzilhada do Sul. Com essa
caminhada e a entrada prevista no acampamento, as camponesas
denunciavam o agronegocio e com suas conseqüências
destruidoras, como também as condições do trabalho desumano na
produção e colheita do eucalipto, reivindicando uma
agricultura, que preserve a natureza, a biodiversidade e
garanta a base da vida do povo.
Porém, às mulheres, foi-lhes negado o espaço para expressar
suas denuncias dentro, no chão mesmo da Fazenda. Protegendo a
propriedade privada, o grande capital, a posse ilegal por
parte das transnacionais, as forças de segurança impediram a
entrada na fazenda, defendendo assim o sistema de exploração,
de violência e de morte. Entretanto, esse poder capitalista
patriarcal aí representado não conseguiu calar as vozes das
mulheres. Elas, fora do portão, ali na estrada cercadas pela
polícia, mostraram a sua resistência em altas vozes
denunciando o sistema neoliberal capitalista. “Mulheres
camponesas em defesa da vida”, tanto quanto muitas outras
mulheres que lutam pela vida, pela sobrevivência das suas
famílias, pela preservação dos recursos naturais, enfim, por
uma sociedade justa e igualitária todos os dias convertem-se
em mensageiras da esperança, esperança de que a utopia dum
outro mundo é possível. O seu compromisso com a vida, sua
atuação profética em presença da morte, contra um sistema que
nega a vida à maioria dos seres humanos representam a
esperança na vida que supera a morte, dando assim forma
concreta à fé na Ressurreição.
Sandra Lassak,
07.03.2008
Teóloga católica, militante no Instituto de Teología y
Política, Münster (Alemanha)
Coord.
do programa para missionárias leigas da Congregação Servas
Missionárias do Espírito Santo |
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