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11/03/2008
Mulheres da Via
Campesina fazem protestos em 17 estados contra agronegócio
As
mulheres da Via Campesina realizaram manifestações, protestos
e ocupações em 17 estados contra o agronegócio e em defesa da
Reforma Agrária, na jornada nacional de lutas em torno do Dia
das Mulheres, em 8 de Março, desde o começo da semana passada.
Até
sexta-feira, as mulheres da Via Campesina já tinham realizado
protestos em São Paulo (contra Monsanto), Distrito Federal,
Paraná e Rio de Janeiro (contra Syngenta), Rio Grande do Sul
(contra Stora Enso), Pernambuco (contra monocultura da cana),
Rondônia, Mato Grosso, Alagoas, Rio Grande do Norte, Pará (com
pautas estaduais).
Nesta
segunda-feira, mais de 1.000 mulheres da Via Campesina
ocuparam os trilhos de uma das principais ferrovias da
mineradora Vale (antiga Companhia Vale do Rio Doce), que corta
o município de Resplendor, na região do Vale do Rio Doce, em
Minas Gerais.
O
protesto, que conta com mulheres de Minas Gerais e Espírito
Santo, denuncia que a construção da Barragem de Aimorés,
pela Vale e Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais),
inviabiliza o sistema de esgoto da cidade, inundando 2 mil
hectares de terra (2 mil campos de futebol). A Vale é uma das
principais responsáveis pela destruição do meio ambiente em
Minas e pela concentração de terras, por meio do plantio de
eucalipto em larga escala que alimenta as usina associadas.
Na
Bahia, cerca de três mil trabalhadores rurais ocuparam a
Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, no
Centro Administrativo da Bahia (CAB), para cobrar o
cumprimento da pauta de reivindicações do movimento, que foi
entregue ao governo no ano passado.
No
sábado, cerca 900 trabalhadoras Sem Terra realizaram um
protesto em frente às instalações da carvoaria industrial da
Vale (ex-companhia Vale do Rio Doce) para denunciar que a
queima de eucalipto plantado na área está causando problemas
respiratórios nos trabalhadores do assentamento Califórnia, no
município de Açailândia, no Maranhão.
Há
três anos em atividade, a carvoaria foi instalada a cerca de
800 metros da agrovila do assentamento onde vivem mais de 1800
pessoas. Tem instalado 74 fornos industriais com capacidade
cada um de produzir 160m³ de carvão, cada forno industrial tem
capacidade de produzir 30 vezes mais que um forno de uma
carvoaria comum.
No
Mato Grosso do Sul, 300 Sem Terra, em sua maioria
mulheres, realizaram um protesto em frente à transnacional
Cargill, na cidade de Dourados, e pararam a fábrica por
algumas horas para protestar contra o avanço do agronegócio,
que penaliza o trabalho de camponeses da região e em todo o
país.
No
Ceará, mais de 600 mulheres da Via campesina realizaram
ato no município de Madalena, pela manhã, e depois fecharam
por duas horas a BR-020. Durante o ato, as mulheres entregaram
manifesto contra as empresas transnacionais e contra a
transposição do Rio São Francisco.
Na
região oeste de Santa Catarina, em Xanxerê, cerca de
700 mulheres fecharam o acesso à empresa Agroeste, empresa de
sementes de milho comprada pela transnacional americana
Monsanto. Depois, fecharam por meia hora o trevo da BR 282,
que dá acesso a Xanxerê e diversos municípios, fizeram uma
caminhada pelo centro da cidade.
A
Agroeste era uma empresa catarinense e, no final do ano
passado, foi comprada pela Monsanto. Com isso, a maior
produtora de sementes de milho do estado está na mão de uma
empresa estrangeira.
"A
população ficou à margem de todo o processo de
desnacionalização de uma empresa que beneficiava os
agricultores, além de não ser informada sobre os males que o
milho transgênico poderá causar às pessoas e ao meio
ambiente", explicou Irma Brunetto, da coordenação da Via
Campesina.
A Via
Campesina protesta contra a liberação de duas variedades de
milho transgênico pelo Conselho Nacional de Biossegurança, que
demonstra, mais uma vez, que o governo Lula fez uma opção
política pelo agronegócio e pelas grandes empresas
estrangeiras da agricultura, deixando de lado a Reforma
Agrária e a agricultura familiar.
Informações à
imprensa
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Felippe (SP) – 11 8276 6393 / 3361 3866
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