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10/03/2008
Mulheres da Via
Campesina ocupam ferrovia da Vale em MG
Mais
de 1000 mulheres da Via Campesina dos estados de Minas Gerais
e Espírito Santo ocuparam, na manhã desta segunda-feira
(10/3), os trilhos de uma das principais ferrovias da
mineradora Vale (antiga Companhia Vale do Rio Doce), que corta
o município de Resplendor, na região do Vale do Rio Doce, em
Minas Gerais.
A
atividade denúncia que a construção da Barragem de Aimorés,
pela Vale e Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais),
inviabiliza o sistema de esgoto da cidade, inundando 2 mil
hectares de terra (2 mil campos de futebol). A atividade
integra a jornada nacional das mulheres da Via Campesina, e a
jornada de litas do 14 de março, dia internacional de luta
contra as barragens.
A
Vale é uma das principais responsáveis pela destruição do meio
ambiente em Minas e pela concentração de terras, por meio do
plantio de eucalipto em larga escala que alimenta as usina
associadas.
A
interrupção dos trilhos exige a indenização e o
re-assentamento das 1.000 famílias atingidas, sendo que até o
momento poucas famílias foram assentadas, inclusive em
péssimas condições. A população local tem denunciado
sistematicamente em audiências realizadas pela FEAM, Copam, e
pela Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa.
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Informações à imprensa:
Joana - (31) 9861 0767
Luciana - (33) 9907 0350
(38) 9982 2143 |
Por que estamos nos
mobilizando?
Somos
mais de 1000 mulheres camponesas, sem-terra, atingidas por
barragem, quilombolas, sindicalistas, estudantes, feministas,
pequenas agricultoras do estado de Minas Gerais e Espírito
Santo. Estamos mais uma vez mobilizadas para denunciar o
modelo de exploração do capital financeiro internacional,
defendido pelo Estado e governos.
Essa
mobilização faz parte da jornada nacional de luta da Via
Campesina. Na semana do 8 de março, dia internacional de luta
das mulheres e 14 de março, dia nacional de luta contras as
barragens, a Via Campesina se mobiliza em defesa da Soberania
Nacional, Soberania Alimentar, Soberania Energética, por
Reforma Agrária, pela emancipação das mulheres do campo e da
cidade, e contra o Agronegócio e as Transnacionais.
Em MG
e no ES temos um dos maiores símbolos da aliança entre o
capital financeiro, Estado e governos: a Empresa Vale, antiga
Companhia Vale do Rio Doce. Essa empresa pertencia ao Estado
nacional e foi vendida a preço de banana para o capital
financeiro internacional. Além disso, o Estado continua
beneficiando a empresa através da lei Kandir (que isenta de
pagar um único centavo pela exportação de ferro), utiliza do
patrimônio público (os trilhos foram todos construídos com
recursos públicos), e permite com que a empresa pague
baixíssimos impostos de exploração mineral e flexibilize a
legislação ambiental. Para beneficiar essa transnacional o
governo deixa para o povo as políticas compensatórias,
mantendo os pobres na condição de miséria.
A
Vale tem o monopólio da exploração mineral no Brasil, com
concessões para pesquisar e explorar, por tempo indeterminado
o subsolo em 23 milhões de hectares. Por onde ela passa ou se
instala, rouba os recursos naturais e deixa pra trás um rastro
de destruição e morte da fauna e da flora.
É por
isso que hoje estamos mobilizadas no município de Resplendor
para denunciar as práticas da empresa Vale na construção da
barragem de Aimorés que afetou os municípios de Itueta,
Aimorés e Resplendor.
Distante da sua condição política, a sociedade mineira padece
de males comuns: a falta de infra-estrutura social, moradia,
saúde, segurança, emprego e reforma agrária. Estes são
demonstrativos de como esse modelo de desenvolvimento
inviabiliza a sociedade de ascensão sócio-econômica ao mesmo
tempo em que nega a ela mecanismos de controle e gestão sobre
suas riquezas naturais.
Diante disso apresentamos nossas reivindicações:
1 – Re-estatização da
empresa VALE como forma de devolver ao Estado nacional e ao
povo brasileiro uma empresa de caráter estratégico para a
economia e soberania nacional.
2 – Que o Governo Federal
assuma uma postura em relação à empresa VALE, através da
articulação de uma frente de estados mineradores onde a VALE
atua para que seja construído um novo imposto sobre a
mineração e ao mesmo tempo estabeleça uma campanha para o fim
da Lei Kandir que beneficia apenas as empresas exportadoras.
3 – Solução imediata da
situação desastrosa no município de Resplendor. Que a empresa
Vale e Cemig se responsabilizem por todos os danos causados à
população da cidade atendendo às suas reivindicações
específicas.
4 – Que o governo federal
através da ANEEL estabeleça tarifa social de energia para
sociedade. Que se cumpra a liminar da tarifa social expedida
pelo Superior Tribunal Regional Federal, de 2007 para famílias
que consomem até 220 KW/h/mês. Em Minas Gerais está
estabelecida uma das maiores distribuidoras de energia do
Brasil, a Cemig, e não é justo que a sociedade pague a tarifa
de energia mais cara do país. Que sejam suspensos os subsídios
de energia para os grandes projetos em detrimento dos
interesses da sociedade.
5 – Que o Estado assuma a
importância de se realizar uma verdadeira reforma agrária,
como um projeto de desenvolvimento para o campo. Para isso,
torna-se fundamental que o governo federal atualize os índices
de produtividades da terra, que se estabeleça o limite do
tamanho da propriedade da terra e que sejam imediatamente
assentadas todas as famílias acampadas.
6 - Que o governo
estadual construa uma política de reforma agrária a partir das
terras devolutas no estado e que não renove o contrato com as
empresas plantadoras de eucalipto, como a Votorantim, Acesita,
V&M, Cenibra, e outras.
7 – Que seja construído
entre os órgãos federais (INCRA), estaduais (SEARA) e
organizações do campo uma política de implementação dos
assentamentos. Que o governo do estado assuma juntamente com o
governo federal a responsabilidade pela infra-estrutura dos
assentamentos: água, estrada, luz, moradia, escola, saúde.
8 – Demarcação imediata
de todos os 17 territórios quilombolas do estado de MG e do
Espírito Santo.
9 – Solução das
pendências das famílias atingidas pelas barragens de Aimorés,
Candonga, Granada, Emboque e Fumaça. Dezoito mil hectares de
terra para reassentamento de famílias, reestruturação dos
municípios de Itueta, Resplendor, Aimorés, Baixo Guandu, Santa
Cruz do Escalvado e Rio Doce, impactados e ou fragmentados com
a construção de barragens hidrelétricas, seguindo demandas
prioritárias para cada município.
Mulheres em
luta, contra as transnacionais!!!
Mulheres em defesa da
vida, contra o Agronegócio!!!
Via Campesina
Minas e Espírito Santo
Resplendor,
Região do Rio Doce, 10 de março de 2008 |