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07/03/2008
Jornada de Lutas
das Mulheres da Via Campesina: Contra o agronegócio, pela
defesa da vida e construção do Projeto de Agricultura
Camponesa
Chapecó/SC, 03 à 08 de março de 2008
Nós,
do Movimento de Mulheres Camponesas – MMC, reunidas durante a
jornada nacional de luta na semana do Dia internacional da
Mulher. Dia de luta contra o modelo de sociedade capitalista
neoliberal e a cultura patriarcal que explora, agride e oprime
as trabalhadoras e trabalhadores.
Em
torno de 500 mulheres camponesas participaram da mobilização
em Florianópolis, articulada com o Movimento de Mulheres
Trabalhadoras Urbanas e demais entidades da classe
trabalhadora para cobrar do governo de Estado a pauta entregue
no ano passado.
Nos
mobilizamos porque defendemos saúde publica humanizada e de
qualidade e denunciamos a política do governo de Estado de
privatização dos serviços públicos em saúde, especificamente o
Centro de Pesquisas Ontológicas - CEPON e Centro de
Hematologia e hemoterapia de Santa Catarina – HEMOSC. Tanto o
CEPON que trata as vítimas do câncer e o HEMOSC, onde se
realiza a coleta de sangue, são órgãos públicos a serviço da
população. Saúde não é negócio. Queremos saúde pública
humanizada e de qualidade para todos.
No
ato, mulheres camponesas doaram sangue, em sinal de
compromisso com a vida e em solidariedade a todos os
trabalhadores(as) que estão na luta contra a privatização e
terceirização destes serviços.
Entregamos para a superintendente da Previdência Social um
documento solicitando agilidade nos encaminhamentos de
benefícios e atendimento humanizado, bem como, empenho para a
aprovação do Projeto Lei que trata dos benefícios dos
segurados especiais. Além de somarmos na luta pela aprovação
do Projeto de Emenda Constitucional que assegura aposentadoria
as donas de casa, que não tem fonte de renda própria, que não
recebem nenhum outro beneficio assistencial, previdenciário ou
de duração continuada, ressalvado, quando do recebimento da
pensão por morte do cônjuge, desde que esta não ultrapasse a
dois salários mínimos, a partir dos 60 anos, independentemente
de contribuição.
Nos
mobilizamos porque queremos uma Educação publica, de qualidade
e libertadora. Educação é um direito negado pelo poder
patriarcal. É uma dívida que o Estado tem com as mulheres
camponesas. Além disso, reivindicamos a garantia do transporte
escolar para ensino médio.
Também cobramos do governo a aplicação da Lei Maria da Penha
que prevê varias ações de combate violência contra a mulher.
Nos
mobilizamos porque queremos produzir alimentos saudáveis, por
isso cobramos do governo do Estado políticas públicas para a
construção de cisternas, hortas, viveiros de plantas nativas e
medicinais a fundo perdido. Em audiência com secretários do
governo foi acordado a data 29 de abril para dar andamento às
negociações.
A
infra-estrutura para produzir alimento faz parte da luta pela
soberania alimentar que é o direito dos povos de produzir sua
comida respeitando a biodiversidade e os hábitos culturais de
cada região. Hoje em nosso país as riquezas naturais estão sob
domínio das empresas transnacionais do agronegócio e a
população tem cada vez menos acesso à terra, à água e aos
alimentos.
Nos
mobilizamos e denunciamos o agronegócio, os monocultivos, os
transgênicos que mata e destrói todas as formas de vida. Nos
solidarizamos a luta das mulheres da via campesina do Rio
Grande do Sul, que ocuparam a Fazenda Tarumã em Rosário do
Sul, município localizado a 80 quilômetros da fronteira com o
Uruguai. Mulheres e crianças foram violentamente agredidas
pela brigada militar a mando da governadora e do secretario de
segurança publica.
O
artigo 20, parágrafo 2 da Constituição Federal e a lei nº
6.634 de 1979, diz que uma transnacional estrangeira não
pode adquirir terras em uma faixa de 150 km da fronteira do
Brasil com outros países. Plantar esse deserto verde na faixa
de fronteira é um crime contra a lei de nosso país e contra a
soberania alimentar em prejuízo a produção de alimentos. As
mulheres arrancaram o que é ruim e plantaram o que é bom para
o ambiente.
Se
isso não bastasse, outras ameaças estão chegando sob a forma
de Projetos de Lei e de outras regulamentações, favorecendo as
grandes empresas transnacionais a se apropriarem das sementes,
das mudas e dos conhecimentos e práticas das camponesas e
camponeses. O que esta em jogo é o direito de produzir as
nossas próprias sementes crioulas, utilizar as plantas
medicinais, de produzir nossos próprios alimentos
agroecológicos e a saúde das pessoas e do ambiente. Nossa
tarefa agora é recolher o máximo de assinaturas e enviar por
fax para o endereço recomendado.
Companheiras, precisamos permanecer vigilantes e atentas
participando do Movimento de Mulheres Camponesas e cobrar do
governo do Estado a realização das nossas reivindicações.
Precisamos cobrar do governo a justa aplicação dos recursos
públicos, pois este governo desperdiça dinheiro do povo com o
discurso da descentralização criando as Secretaria de
Desenvolvimento Regional - SDR, gastando por secretaria
durante um ano em média de 04 milhões e meio para manutenção
de estrutura e funcionários. O que isso contribuiu para
melhorar a vida das famílias de sua comunidade?
Fortalecer
a Luta em Defesa da Vida! Todos os dias. |