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03/2008
Informe sobre
Proposições relacionadas à Previdência Social dos rurais que
tramitam na Câmara dos Deputados - 18/02/2008
Companheiras/os,
o ano
de 2007 foi marcado por uma importante mobilização de vários
movimentos de mulheres rurais e urbanas que se organizaram em
torno da luta pela manutenção da Previdência Pública
Universal e Solidária e a manutenção da condição de
Segurados/as Especiais através da criação do
Fórum Itinerante e Paralelo da
Previdência Social – FIPPS .
O
FIPPS realizou várias atividades e divulgou através de
materiais sua opinião e propostas a cerca do tema da
seguridade social, tendo foco na previdência social como
direito e conquista da classe trabalhadora. A necessidade de
manter e ampliar direitos, bem como, incluir os milhões de
brasileiros/as que estão totalmente desassistidos pelas
políticas de seguridade social, é a bandeira de luta assumida
pelo FIPPS.
Por
outro lado,é importante trazer à memória a luta em torno do
Projeto de Lei - PL 1154/95, que ao longo
dos dois últimos anos foi intensamente debatido pelos
Movimentos da Via Campesina, especialmente pelo MMC que
trabalhou, organizou debates, e encaminhou as mais de 40
emendas apresentadas pelos deputados Adão Pretto e Luci
Choinacki a este Projeto.
Através da articulação do MMC, o PL 1154/95 foi consensuado
entre os Movimentos da Via Campesina, a Fetraf e a Contag. No
ano passado ele tramitou e foi aprovado na íntegra em duas
importantes Comissões da Câmara dos Deputados, a saber:
Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural- CAPADR e Comissão de Seguridade Social
e Família- CSSF.
Neste
momento temos outra significativa vitória, o relator da
Comissão de Constituição e Justiça- CCJ, deputado José Genoino
PT/SP deu parecer favorável ao PL 1154/95 na sua íntegra no
dia 01 de fevereiro deste ano. Neste momento o Projeto está
pronto para ir a votação em Plenário, dependendo de acordo de
líderes dos partidos para entrar na Ordem do Dia da Câmara dos
Deputados.
Salientamos abaixo os principais avanços contidos no PL
1154/95:
-
Amplia a definição de segurado/a especial para outras
categorias: Comodatário, posseiro, usufrutuário, o assentado
e extrativista.
-
Para ser considerado segurado/a especial o trabalhador/a
rural deve ter sua propriedade limitada no máximo em 4
módulos fiscais, ou seja, devem trabalhar em regime de
economia familiar.
-
PL 1154 permite a contratação de mão de obra de terceiros
por até 120 pessoas/dias, corridos ou intercalados no ano,
sem perder a qualidade de segurado/a especial.
-
Permite ao segurado/a especial o exercício de outras
atividades, inclusive urbanas, pelo período de até 120
dias/ano.
-
Permite ao segurado/a especial o exercício de atividade
artesanal.
-
Permite ao segurado/a exploração de atividade
turística(inclusive hospedagem) por até 90/dias ano.
-
Diretor ou associado de cooperativa, desde que composta por
segurados/as especiais não perde a condição de segurado/a
especial. A mesma regra aplica-se ao exercício de mandato de
vereador/a, desde que o mesmo mantenha atividade rural, o
que não o exime da contribuição previdenciária enquanto
exercer o mandato.
-
Contribuição para a previdência: fica mantida a regra atual,
ou seja, a contribuição de 2,1% sobre a venda de produtos
excedentes.
-
Inscrição do segurado/a especial: o PL prevê que a
inscrição na previdência seja de forma a vincula-lo ao seu
respectivo grupo familiar.
- Amplia as formas de
comprovação de atividade rural: notas fiscais de entrada de
mercadorias, documento de entrega de produção rural à
cooperativa agrícola, cópia de declaração de IR que indique
renda proveniente de comercialização rural entre outros.
Por
outro lado, a Presidência da República lançou uma
Medida Provisória - MP 410/2008 que versa sobre a
contratação de trabalhadores rurais temporários por parte do
empregador rural. Esta MP dará condições para aqueles que hoje
trabalham contratados apenas nas safras possam ser incluídos
no sistema previdenciário.
Com
relação a esta MP, em conversa ocorrida entre o Ministro da
Previdência Social Luiz Marinho e o deputado Dr. Rosinha
PT/PR, foi sugerido que o deputado encaminhasse como emenda
à MP o PL 6854/2006 (de autoria do Executivo e que teve
como relator Dr Rosinha), o qual está apensado
ao PL 1154/95.
Portanto, temos dois andamentos diferentes para o mesmo tema;
um através da tramitação do PL 1154/1995, e outro do mesmo
teor através da MP 410/2008. Um não exclui o outro, apenas a
MP acrescenta em seu texto os trabalhadores rurais
temporários.
Nossa
avaliação é que através da MP o processo seja mais ágil, pois
passado um certo período a MP passa a trancar a pauta de
votações da Câmara, o que leva automaticamente a votação em
plenário.
No
caso do PL 1154/95, ele somente entrará na Ordem do Dia para
votação na Câmara dos Deputados se houver interesse e acordo
entre os líderes dos partidos.
Outra
questão importante é a criação de uma Comissão Especial
para analisar o mérito (dar parecer) a Proposta de Emenda a
Constituição PEC 385-A de autoria da ex deputada Luci
Choinacki PT/SC que trata da aposentadoria para as donas de
casa.
Esta
PEC foi apresentada na Câmara dos Deputados no ano de 2001. A
Proposta de emenda assegura: aposentadoria às donas de casa
que não disponham de fonte de renda própria, desde que não
recebam nenhum outro benefício assistencial ou previdenciário
de duração continuada, ressalvado quando do recebimento de
pensão pela morte do cônjuge, desde que esta não ultrapasse a
dois Salários Mínimos, a partir dos 60 anos independentemente
de contribuição.
Esta
Comissão Especial será composta de 17 deputados titulares e o
mesmo número de suplentes, terá a partir da sua instalação 40
sessões para concluir os trabalhos onde poderão ser
apresentadas emendas ou um substitutivo ao texto original.
Concluído este processo, é necessária a entrada da PEC 385-A
na Ordem do Dia da Câmara dos Deputados onde haverão dois
turnos de votação. Para ser aprovada são necessários 3/5 dos
votos , ou seja, aprovação de 308 dos 513 dos deputados em
cada turno. Em sendo aprovada, vai para o Senado que também
votará em dois turnos, e se aprovada for, segue para sanção do
Presidente da República.
A
Bancada do PT já indicou seus membros para esta Comissão, o
deputado Adão Pretto PT/RS ficou como suplente.
Companheiras, precisamos ficar atentas e mobilizadas, pois
pela pauta apresentada na Câmara dos Deputados projetos muito
importantes para a vida das/os camponesas/es estão em jogo,
também estamos construindo audiências durante a jornada de
lutas das mulheres a fim de avançarmos. Estas informações
seguirão diariamente para as companheiras nos estados.
Direção MMC
Brasil
Março 2008 |