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03/2008
Ofensiva do
agronegócio viola o direito das camponesas e dos camponeses:
liberação do milho transgenico e criação de novas leis contra
o livre uso da biodiversidade
A ofensiva do agronegócio
sobre os direitos dos(as) camponesas, extrativistas, povos
indígenas, quilombolas e comunidades locais
No
último semestre de 2007 fomos atropeladas por uma série de
ofensivas do agronegócio de violação dos direitos dos
agricultores e agricultoras ao livre uso da biodiversidade.
Algumas destas ofensivas já conhecemos de perto: apropriação
das terras dos agricultores pelas monoculturas do agronegócio,
contaminação de lavouras por transgênicos e dos alimentos, por
agrotóxicos.
Mas
outras ameaças estão chegando sob a forma de Projetos de Lei e
de outras regulamentações, que buscam assegurar a apropriação
das sementes, das mudas e dos conhecimentos e práticas das
camponesas e camponeses, pelas grandes empresas
transnacionais.
Já se
encontram em processo de elaboração e/ou de tramitação no
Congresso Nacional as seguintes propostas de mudança das
legislações existentes no Brasil:
1. Alteração da Lei de
Cultivares
O
Projeto de Lei nº. 2.335 de 2007, em tramitação no Congresso
Nacional, busca restringir os direitos dos agricultores de
guardar parte de sua colheita para usar como semente para o
plantio no ano seguinte. Essa lei, se for aprovada, impedirá
também que o produto seja comercializado sem autorização do
dono da propriedade intelectual da semente ou muda, ou seja,
para comercializar seu produto o agricultor(a) terá que pagar
uma taxa ao dono da variedade (royalty).
2. Lei que trata do direito de
uso e repartição de benefícios dos recursos genéticos e
conhecimentos tradicionais
Foi
encaminhado pelo governo um Ante-Projeto de Lei (APL) que
cria, caso aprovado, um conjunto de regras sobre o uso da
biodiversidade agrícola e dos conhecimentos das camponesas e
camponeses sobre as plantas e animais. Com a intenção de
repartir os benefícios, inclusive financeiros, derivados do
aproveitamento destes recursos, o projeto acaba criando um
sistema todo coordenado pelo Ministério da Agricultura que
favorece principalmente o agronegócio. A forma de consulta da
sociedade, proposta pelo governo, a este anteprojeto de lei
tão complicado e decisivo para o uso e conservação da
biodiversidade é somente pela internet, dando apenas, até o
momento, 90 dias para resposta.
3. Alteração da Lei de
Biossegurança
Esta
proposta busca permitir a utilização, registro, patenteamento
e licenciamento das Tecnologias Genéticas de Restrição de Uso,
popularmente conhecidas como sementes Terminator, através do
PL 268/2007, do Dep. Eduardo Sciarra (DEM-PR) Se o uso destas
tecnologias for liberado no Brasil, as empresas poderão
produzir e comercializar sementes de plantas transgênicas
estéreis, ou seja, que não se reproduzem, ou que só conseguem
se reproduzir através da utilização de produtos químicos
vendidos pelas próprias empresas. Os riscos a saúde e ao meio
ambiente destas tecnologias ainda são pouco conhecidos, o que
torna muito arriscada a sua utilização. Se forem liberadas,
irão tornar, sem dúvida nenhuma, as agricultoras e os
agricultores ainda mais dependentes das grandes
transnacionais, pois não poderão multiplicar suas sementes e
terão de comprá-las a cada safra. A contaminação de outras
plantas por essas sementes poderá fazer com que outras
espécies e variedades se tornem estéreis.
4. Flexibilização dos critérios
de importação e simplificação dos procedimentos de registro
dos agrotóxicos no Brasil
Existem grandes pressões por parte das empresas químicas no
sentido de facilitar o registro de novos agrotóxicos e
promover a circulação destes produtos nos países do Mercosul.
O governo já autorizou o registro de produtos por
equivalência através de procedimentos simplificados, ou
seja, se o produto for considerado semelhante a um produto que
já está registrado, não precisará passar por uma série de
testes que buscam medir os impactos da utilização deste
produto para a saúde e o ambiente. O governo criou, inclusive,
uma força tarefa envolvendo diferentes Ministérios, para
facilitar a liberação dos produtos no mercado. Mais uma ameaça
à biodiversidade e a soberania alimentar da população
brasileira.
Liberação do milho
transgênico
Além
de todas essas mudanças da legislação, que se encontram em
discussão, no início deste ano o governo LULA liberou o
plantio comercial de duas variedades de milho transgênico.
Essas
sementes são fabricadas pela multinacionais Monsanto e Bayer.
A
liberação do milho transgênico traz grandes impactos à
agricultura camponesa e à
sociedade como um todo. A ANVISA foi contra a liberação e
disse que as empresas não comprovaram que esses milhos são
seguros para a saúde. O IBAMA também foi contra e disse que o
milho transgênico vai contaminar as variedades crioulas,
causando grandes prejuízos para os camponeses e camponesas.
Essa decisão do governo reforça seu apoio ao modelo do
agronegócio e das transnacionais.
Cada
vez mais a defesa de nossa soberania e de nossas sementes
dependerá de ações locais a serem tomadas no nosso dia a dia.
Temos que estar biovigilantes, alertar nossas companheiras e
companheiros e impedir que as sementes transgênicas entrem nas
nossas comunidades.
O que
está ameaçado
-
O
direito de uso próprio da semente
-
As
sementes crioulas e os bancos e feiras de sementes
comunitários
-
O
livre uso das plantas medicinais e dos conhecimentos
camponeses sobre a saúde
-
A
livre comercialização dos produtos das camponeses e
camponesas e a renda das famílias
-
A
soberania alimentar das famílias e das comunidades
-
O
direito de produzir alimentos saudáveis de forma ecológica
- A saúde dos trabalhadores
do campo e da cidade
Quem
ganha com isso
-
As
grandes empresas produtoras de sementes
-
Os
fabricantes de agrotóxicos
-
Pesquisadores ligados às empresas
- Setores do governo
interessados em favorece o agronegócio
O que
fazer
-
Informar as camponesas e camponeses e a sociedade em geral
sobre o que está acontecendo.
-
Lutar contra a aprovação destas legislações e em defesa dos
direitos dos agricultores e agricultoras pressionando o
governo e o Congresso Nacional.
-
Garantir, na prática, os direitos das camponesas e
camponeses ao livre uso da agrobiodiversidade, plantando,
multiplicando e repartindo as sementes, mudas,
animais...enfim de continuar com o conhecimento sobre estas
práticas dentro de nossas casa, comunidade e organizações.
-
Organizar mobilizações de denuncia sobre a ação do
agronegócio em nosso país.
- Recolher assinaturas (no
abaixo assinado que segue na seqüência), neste 08 de março e
enviar por fax para o endereço recomendado.
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O Abaixo Assinado
dirigido à Casa Civil, tem o objetivo de
impedir que o governo encaminhe ao Congresso o APL de
Acesso e Repartição de Benefícios ou outras propostas
de legislação que prejudiquem os direitos dos
camponeses ao livre uso da biodiversidade.
Fax: (61) 3411 2222 -
Presidente
Fax: (61) 3321 1461 - Ministra do Estado
O outro Abaixo Assinado
será dirigido ao Congresso Nacional, tentando
frear o Projeto de Alteração da Lei de Cultivares e a
alteração da Lei de biosseguranca autorizando o
Terminator.
Fax: (61) 3215 8042 -
Presidente da Câmara dos Deputados - Arlindo Chinaglia
Fax: (61) 3311 1513 - Presidente do Senado Federal -
Garibaldi Alves Filho |
Movimento
de Mulheres Camponesas – Brasil
Março 2008 |