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Senado aprova projeto que prevê a queixa,
por testemunhas, de
agressão à mulher
Camila Queiroz
Adital
O Senado
brasileiro aprovou, ontem (27), projeto de lei que permite a
testemunhas registrar, na polícia, agressão à mulher
cometida por parceiros. O projeto também prevê a proibição
da suspensão de processos quando houver violência contra a
mulher e a prioridade para o julgamento dos casos.
Quando
criada, a lei Maria da Penha previa a "incondicionalidade”,
permitindo a terceiros registrar as queixas. Contudo, o
Superior Tribunal da Justiça (STJ) interpretou,
posteriormente, que a própria vítima teria de registrar a
ocorrência.
"O mais
importante desse projeto é que vai acabar com aquela
história de que em briga de marido e mulher ninguém mete a
colher”, declarou a subsecretária Nacional de Enfrentamento
à Violência contra a Mulher, Aparecida Gonçalves.
De acordo
com ela, permitir que terceiros realizem a denúncia em favor
da mulher agredida ajuda bastante no combate à violência. "A
maioria delas tem vergonha ou medo de fazer a denúncia.
Recai sobre elas a decisão de continuar ou não o processo,
de escolher entre o agressor ou o filho. Esse projeto vai
diminuir a tensão das mulheres na hora de fazer uma denúncia
ou encarar o processo”, ressaltou.
Em
entrevista ao jornal Folha de São Paulo, a senadora Marta
Suplicy (PT) declarou apoio ao projeto, que considera um
avanço nos direitos das mulheres. "Estava na hora dessa
proteção para a mulher. O que desejamos é que a lei seja
usada para que a mulher apanhe cada vez menos e que os
juízes não interpretem que uma surrinha de vez em quando não
faz mal", afirmou.
Com
relação à suspensão de processos, a Lei Maria da Penha já
prevê, no artigo 41, que não cabe suspensão de processo em
caso de violência contra a mulher. Entretanto, o que ocorre,
atualmente, é a aplicação da lei 9.099/95, do Código de
Processo Penal, que permite a suspensão do processo por um
prazo, quando o crime é considerado de "menor potencial
ofensivo”.
A partir
disso, muitos agressores em todo o país acabam "escapando”
da sanção. Daí a importância da alteração na lei 9.099,
proposta no projeto. "Ele vem pra reforçar o que a Lei Maria
da Penha já diz e não é cumprido”, explica Aparecida.
O projeto
segue agora para a Câmara. Se aprovado, será encaminhado
para sanção da presidenta Dilma Roussef. Aparecida se mostra
otimista. "A aprovação não deve demorar. A discussão da lei
Maria da Penha está muito viva e temos visto um alto índice
de violência, agora houve o recente sequestro da dona de
casa, em Sergipe (Cristielane Caetano Mota ficou refém do
ex-marido por 30 horas, no último dia 18), então, tudo isso
deve apressar, acho que até o final do ano o projeto sai”,
disse.
Segundo organizações feministas brasileiras,
entre os anos de 1997 e 2007, 41.532 mulheres morreram
vítimas de homicídio. A situação coloca o Brasil em 12º
lugar no ranking mundial de assassinato de mulheres. |
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