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29/04/2008
Maggi quer
desmatar para alimentar
O
governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), conhecido como
“rei da soja”, defendeu na semana passada o direito ao
desmatamento. Aproveitando-se da problemática em voga sobre a
crise global de alimentos, Maggi apontou que desmatar é um
mecanismo "inevitável" para enfrentar a alta dos preços e o
desabastecimento. A afirmação foi feita logo após a entrega à
Assembléia Legislativa da proposta do Zoneamento
Sócio-Econômico-Ecológico do Estado.
O
Zoneamento define critérios para exploração agrícola do
território mato-grossense, A proposta apresentada vem se
adequar a nova escala de zoneamento definida em plano federal
(de 1:250.000), o que, em teoria, ampliaria a proteção contra
o desmate.
Segundo Ariovaldo Umbelino, do Departamento de Geografia da
USP (Universidade de São Paulo), o instrumento é bom se
respeitado. “Não se cumpre zoneamento nenhum se o governo não
fiscalizar se está [o zoneamento] sendo respeitado ou não”,
observa.
A
depender do governo do estado do Mato Grosso, será difícil
emplacar qualquer fiscalização. Blairo Maggi já avaliou que é
preciso encontrar uma "posição intermediária" que assegure o
aumento da produção agrícola. Ele justificou que "com o
agravamento da crise de alimentos, chegará a hora em que será
inevitável discutir se vamos preservar o ambiente do jeito que
está ou se vamos produzir mais comida. E não há como produzir
mais comida sem fazer a ocupação de novas áreas e a retirada
de árvores”.
Maggi
não dá o ponto sem o nó. Além de governador, ele é também dono
do grupo Maggi, maior produtor privado de soja do mundo. O
grupo é proprietário de 135,7 mil hectares (aproximadamente
1,3 milhões de m²) de área plantada de soja, responsável por
quase 20% da produção do estado e pelo processamento de mais
de 2 milhões de toneladas do grão, que em sua maior parte é
destinada a alimentar animais na Europa e Ásia. Maggi também
teve um papel chave em estabelecer a infra-estrutura de
transporte que abre ainda mais o Amazonas para o
desenvolvimento e o desmatamento.
O
governador diz que o novo zoneamento é uma tentativa de vencer
o "preconceito" em relação a Mato Grosso, referindo-se a
notoriedade do estado como um dos mais devastados pela ambição
produtivista do atual modelo agrícola.
É
difícil acompanhar a súbta mudança de posição do governador.
Há poucos anos, em 2003, quando o jornal New York Times
evidenciou que a destruição da Floresta Amazônica tinha
aumentado para dois quintos da mata original, Blairo Maggi
respondeu: "para mim, 40 por cento de aumento no desmatamento
não significa nada, não sinto a menor culpa pelo que estamos
fazendo aqui. Nós estamos falando de uma área maior do que a
Europa que nem sequer foi tocada, portanto não há nada para se
preocupar".
Baliro Maggi foi um dos responsáveis pela criação de estradas
que cruzam o coração da Amazônia, que incluem a estrada
BR-163, que vai da capital do estado Cuiabá até o porto de
Santarém. A pavimentação da BR-163 é parte de um projeto
público privado entre o governo brasileiro, Maggi e os
gigantes norte americanos do agronegócio Cargill, Bunge, ADM e
outros que querem uma maneira barata de exportar a soja.
Segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazonia (IPAM)
esta estrada de 1.600 km corta 10 milhões de hectares de mata
na região, abrindo a área para mais colonização.
Fonte: site MST |