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Encontro debate pautas de movimento por moradia popular

Camila Queiroz
Jornalista da ADITAL
Adital

Começou ontem (24) o 12º Encontro Nacional da União Nacional por Moradia Popular (UNMP), organização social que reúne ativistas em 20 estados brasileiros em prol de política de habitação com ampla participação popular. O evento se estenderá até o próximo domingo (27), em Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais.

Atualmente, o Brasil tem déficit habitacional de 7,5 milhões de residências, segundo a Fundação João Pinheiro. Por isso, com o lema "Moradia, Autogestão e Socialismo na Luta pelo Direito à Cidade”, o Encontro traçará estratégias para pressionar o governo por uma política nacional de habitação integrada com governos estaduais e locais, destinada principalmente a famílias com renda de zero a três salários mínimos.

"Tudo isso com autogestão, um princípio da UNMP, que valoriza a ajuda mútua e que as famílias sejam gestores dos recursos para construir sua moradia”, declara o coordenador da União, Donizete Fernandes.

De acordo com ele, a opção pelo princípio autogestionário se mostra necessária no contexto de sociedade capitalista. "No sistema capitalista, a moradia é mercadoria, e por isso há diversos atores nessa questão, como empreiteiras que, interessadas em lucrar, cobram preço bem alto, e construtoras que fazem especulação. A UNMP vai contra isso e visa construir habitações com qualidade para as famílias”, enfatiza.

Para Donizete, o encontro já pode ser considerado um "marco” devido à sua expressividade, com a participação de mais de 800 militantes de 20 estados brasileiros.

A abertura, que contou com a presença do ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Na ocasião, falou-se sobre os projetos do governo para garantir moradia e o ministro afirmou compromisso de atuar juntos aos movimentos sociais voltados à luta por habitação.

A programação de hoje teve início com o painel Análise da Conjuntura Política. Pela tarde, os representantes dos estados informaram como estão as mobilizações da UNMP e, em seguida, houve o painel e debate Socialismo e Autogestão em Habitação.

Já a manhã de sábado será dedicada ao painel Luta pelo Direito à Cidade, proferido pela argentina Maria Lorena Zárate, presidente da Coalizão Internacional do Habitat, e às oficinas temáticas, que abordarão moradia em relação com juventude, gênero, economia e orçamento público, negritude, bem como luta contra os despejos e vários outros recortes. Pela tarde, haverá visita aos empreendimentos de Belo Horizonte.

O último dia de encontro terá plenária das oficinas, leitura da Carta Latino-Americana e aprovação da agenda de lutas, que, segundo Donizete adiantou, consistirá em mobilizações sociais nos órgãos públicos e ocupações de terrenos vazios, utilizados para especulação imobiliária. "O déficit habitacional só vai se corrigir quando tiver organizações sociais que possam participar das decisões”, declarou.

O 12º Encontro Nacional da União Nacional por Moradia Popular ocorrerá no Sesc Venda Nova, localizado na Rua Maria Borboleta, s/n, Belo Horizonte.

 
 

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