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28/09/2007
Grupo de palhaços
zomba da festa da Aracruz
Porto Alegre, 22
de setembro de 2007.
Com
escárnio e diversão uma trupe de palhaços mostrou a ironia que
significa a Aracruz fazer uma festa em comemoração ao Dia da
Árvore. A manifestação marcava o dia 21 de setembro, Dia
Internacional Contra as Monoculturas de Árvores e denunciou os
danos provocados pelas grandes plantações de eucalipto e pelas
fábricas de celulose. As faixas, pirulitos e mosquitinhos
falavam das más conseqüências da expansão da empresa e seu
projeto de produção de celulose em nosso estado. Em Guaíba,
cidade vizinha a Porto Alegre, a corporação pretende
quadruplicar seu tamanho.
As
plantações também chamadas de desertos verde, por serem
desertas de biodiversidade, se expandem pelo mundo
causando
êxodo rural, poluição e pobreza, motivo pelo qual em 2004 foi
criado o Dia Internacional contra as Monoculturas de Árvores.
A Aracruz tem longa história de danos ao ambiente e às
populações nos estados do Espirito Santo, Bahia, e Minas
Gerais, tendo sido condenada no ano de 2005 em julgamento pelo
Tribunal Internacional dos Povos em Viena. Entre as acusações
está a expulsão de populações indígenas e quilombolas e
invasão de suas terras no Espírito Santo. No RS as comunidades
indígenas e quilombola estão vendo suas terras sendo tomadas
por eucaliptos.
No
Rio Grande do Sul o deserto verde está sendo plantado
principalmente no Pampa em proveito das empresas Aracruz,
Stora Enso e Votorantim. Recentemente uma ação civil pública
foi distribuída para Vara Ambiental da Justiça Federal de
Porto Alegre/RS contra o Governo do Estado, Caixa RS, BNDES e
Empresas para impedir a expansão desenfreada da monocultura de
árvores e garantir a aplicação da legislação
ambiental.
Depois das plantações vem a construção das fábricas que tem
sua produção de celulose voltada a exportação. Fábricas com
porte de 1,8 milhões toneladas por ano, como pretende a
Aracruz não são permitidas na Europa, que tem maiores
restrições ambientais.
A
organização do evento da Aracruz chamou a polícia para impedir
os ativistas de manifestar opinião contrária à corporação. O
evento era realizado na praça pública Comendador de Souza, no
bairro Tristeza. Embora seja permitido a livre manifestação em
espaços públicos, os manifestantes não puderam entrar no
evento ficando restritos a sua periferia e na chuva. A
manifestação mostra que não está tudo bem e não faz coro à
música de Kleiton e Kledir e "deixa para lá" a invasão verde
no RS. Os referidos artistas foram questionados por fazer show
para
a
Aracruz, já que esta causa inúmeros danos sociais e
ambientais.
Como
alternativa aos danos ambientais, danos à saúde e forma de
vida que as empresas de celulose pretendem instalar em nosso
estado, os ativistas apontam outra forma de desenvolvimento
que tenha como base a agroecologia e a biodiversidade. Ao
invés dos grandes latifúndios de eucalipto a agricultura
familiar e a agroindústria familiar com base na agroecologia
que gera mais empregos, saúde e conserva o ambiente. |