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26/11/2007
17 anos de
Campanha pelo fim da violência contra as mulheres
A
Campanha 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as
Mulheres completa 17 anos e será realizada de 25 de
novembro a 10 de dezembro, em 135 países, com o apoio da
Organização das Nações Unidas – ONU. No Brasil, ela começa
mais cedo, no dia 20 de novembro com o Dia da Consciência
Negra e terá o slogan “Exija seus direitos. Está na
Lei. Lei Maria da Penha”, Com o objetivo de alertar a
população sobre a violência familiar sofrida por mulheres, a
edição 2007 traz como tema central o papel da sociedade na
aplicação e implementação da Lei nº 11.340/2006, que tem o
nome de Maria da Penha, símbolo de luta contra este crime.
Desenvolvida pelo Center for Women´s Global Leadership
(Centro para a Liderança Global das Mulheres), desde 1991,
a Campanha conquistou espaço fundamental na sociedade
brasileira, sendo realizada, há cinco anos, pela Agende Ações
em Gênero Cidadania Desenvolvimento - AGENDE, em parceria
com redes e articulações de mulheres, feministas e de
direitos humanos, órgãos governamentais, representações de
Agências da ONU no Brasil, empresas públicas e privadas.
Este
ano, o objetivo é chamar a atenção da população para a
aplicação efetiva da Lei Maria da Penha. “Toda e qualquer
pessoa é responsável por essa Lei e deve divulgá-la em
qualquer lugar, onde houver violência” diz Maria da Penha.
Vamos enfatizar, na Campanha 2007, os resultados, o papel dos
diversos atores políticos e sociais na sua disseminação,
aplicação e implementação. Será um diálogo entre Instituição
(autoridades) e Pessoa Física (sociedade). De um lado, a
mulher vitimada contando sua história, do outro lado a
autoridade/instituição comentando a situação sobre o prisma da
Lei. A meta é encorajar as mulheres a romperem o silêncio e
ciclo de violência em que vivem, fortalecer a auto-estima,
esclarecer e orientar para que exijam os seus direitos.
Porque 16 dias?
Os
movimentos feministas e de mulheres escolheram como foco de
ação da Campanha 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência
contra as Mulheres o período compreendido entre os dias 25
de novembro e 10 de dezembro, porque esse período abrange
quatro datas significativas na luta pela erradicação da
violência contra as mulheres e garantia dos direitos humanos.
No Brasil, a Campanha começa mais cedo, no dia 20 de novembro,
para destacar a dupla discriminação sofrida pelas mulheres
negras.
20 de
novembro – Dia Nacional da Consciência Negra
No
Brasil, esta é uma importante data na Campanha – Nesse dia, em
1695, foi assassinado Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares,
herói e grande ícone da resistência negra ao escravismo e da
luta pela liberdade.
25 de
novembro – Dia Internacional da Não-Violência contra as
Mulheres
Declarado assim em justa homenagem à “Las Mariposas”, codinome
utilizado em atividades clandestinas pelas irmãs Mirabal,
heroínas que tiveram a coragem e força de se opor à ditadura
de Rafael Leônidas Trujillo, na República Dominicana, uma das
mais violentas da América Latina. Minerva, Pátria e Maria
Tereza foram brutalmente assassinadas em 25 de novembro de
1960.
01 de
dezembro – Dia Mundial de Combate à Aids
Marca
o início da Campanha anual para conter a epidemia da Aids,
estimular a prevenção e, assim, diminuir a disseminação do
vírus HIV. A data é utilizada no mundo todo para a promoção de
ações que tentam conter o crescimento da epidemia.
Estatísticas indicam crescimento significativo e preocupante
de casos de mulheres contaminadas, inclusive no Brasil, fato
que levou o Governo brasileiro a lançar o Plano de
Enfrentamento da Feminização da Aids e outras DST.
06 de
dezembro – Massacre de Mulheres de Montreal, Canadá
Data
em que um estudante entrou armado em escola politécnica da
Universidade de Montreal, em 1989, gritando que queria “apenas
as mulheres”, as “feministas”. O saldo da barbárie: catorze
alunas assassinadas. A trágica injustiça inspirou a criação da
Campanha do Laço Branco, mobilização mundial de homens pelo
fim da violência contra as mulheres. No Brasil, a partir de
2007, Dia Nacional de Luta dos Homens pelo Fim da Violência
contra as Mulheres.
10 de
dezembro - Dia Internacional dos Direitos Humanos
Celebra a adoção, em 1948, pela Organização das Nações Unidas
(ONU), da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH),
código ético e político do século XXI voltado à proteção dos
direitos fundamentais. O documento nasceu em resposta à
violência praticada pelos nazistas contra judeus, comunistas e
ciganos e às bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos
sobre Hiroshima e Nagazaki, no Japão, matando milhares de
civis.
Por
que é necessária uma Campanha?
Campanhas como a 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência
contra as Mulheres têm um importante papel no
enfrentamento da violência por promoverem o debate público e
darem visibilidade a uma questão que, em geral, fica restrita
ao espaço doméstico.
O
envolvimento da sociedade e o compromisso do Estado com o
enfrentamento da violência contra as mulheres é fundamental,
sozinha a mulher vitimada não encontra forças para dar um
basta na situação em que está vivendo. Mas para que a
sociedade se envolva nesta luta é necessário que conheça um
pouco mais sobre essa problemática questão, que saiba o quão
preocupantes são os números e dados sobre essa prática e que
também tenha consciência sobre como a violência contra as
mulheres afeta a sociedade em geral, seja pelo custo alto para
o Estado, seja pelo impacto que produz em meninos e meninas
educados em um modelo discriminatório e violento no que se
refere aos papéis sociais construídos para mulheres e homens.
Mobilizações como a Campanha 16 Dias de Ativismo também
desempenham um importante papel de articulação e promoção do
diálogo entre os movimentos de mulheres, feminista e de
direitos humanos e os órgãos dos poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário responsáveis pela formulação de
políticas públicas, bem como para o fortalecimento de serviços
e a implementação de legislações voltadas para a erradicação
da violência contra as mulheres.
Por
fim, Campanhas como a 16 dias de Ativismo pelo Fim da
Violência contra as Mulheres são de extrema importância
para as mulheres vitimadas saberem mais sobre seus direitos
nesta situação e sobre serviços de atendimento disponíveis.
São importantes, principalmente, para perceberem que não estão
sozinhas, existem outras mulheres na mesma situação as quais
conseguiram dar a volta por cima; existe também muita gente
compartilhando com a sua luta! |