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Cientistas pedem dois anos de discussão sobre Código
Por Gilberto Costa
Da Agência Brasil
A
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a
Academia Brasileira de Ciências (ABC) querem que o Congresso
Nacional adie por dois anos a votação do novo Código
Florestal e tome a decisão sobre a nova lei com base em
estudos científicos. A recomendação das duas entidades é
baseada em estudo feito por um grupo de trabalho formado por
12 especialistas e publicado hoje (25).
Como a
votação do Projeto de Lei nº 1876/99 divide ambientalistas e
ruralistas, as duas entidades científicas se oferecem para
mediar o “diálogo”, termo escolhido no lugar de “debate”. “A
ciência brasileira não pode ficar fora do diálogo sobre o
novo Código Florestal”, afirmou a presidenta da SBPC, Helena
Nader.
Segundo
ela, nenhum cientista ou pesquisador foi consultado para
"aquela proposta" do deputado Aldo Rebelo (PCdo B-SP).
Rebelo é o autor do relatório aprovado em julho do ano
passado em comissão especial na Câmara dos Deputados. De
acordo com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), a
proposta deve ser votada na próxima semana, no dia 3 ou 4 de
maio.
Integrantes do grupo de trabalho da ABC e da SBPC explicam
que o prazo de dois anos é necessário para que se avaliem os
possíveis efeitos que as mudanças na legislação terão no
meio ambiente. Para o grupo, é preciso prazo também para o
desenvolvimento de tecnologia que permita analisar, por
exemplo, por meio de maquetes digitais (com topografia feita
com base em imagens de satélite), as condições do solo e
medir o tamanho das áreas que devem permanecer protegidas.
“O que
está sendo proposto [no relatório de Aldo Rebelo] não tem
embasamento científico”, diz o engenheiro Antônio Donato
Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Nobre não criticou diretamente os ruralistas e disse à Agência
Brasil que "tem fundamento" a reclamação dos produtores
rurais em relação às exigências do atual Código Florestal,
que é de 1965. “Existe uma série de tópicos que carecem de
melhor definição”, diz o cientista, ressaltando, porém, não
acreditar que as exigências do atual código inviabilizem a
atividade rural.
Para o
advogado do Instituto Socioambiental (ISA), Raul Telles do
Valle, o Congresso Nacional deveria acatar o pedido da SBPC
e da ABC. “Não é razoável fazer uma votação e jogar isso aí
[o estudo] no lixo. A ciência é parte”, reconheceu.
Os
cientistas programaram entregar nesta tarde o estudo ao
presidente da Câmara dos Deputados e ao próprio deputado
Aldo Rebelo. Além desses, irão receber o texto, ao longo da
semana, os ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; da
Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, da Educação,
Fernando Haddad; e da Integração Nacional, Fernando Bezerra
Coelho.
O
documento será levado na quarta-feira (27) à Casa Civil da
Presidência da República. |