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24/09/2007
Justiça exige
rotulagem de óleos de soja transgênicos da Bunge e Cargill
Quase
dois anos depois de denúncia feita pelo Greenpeace,
consumidores brasileiros poderão finalmente escolher que tipo
produto levarão para casa
São Paulo, 20 de setembro de 2007 - A Justiça de São Paulo
determinou que as duas maiores fabricantes de óleo de soja do
Brasil - Bunge e Cargill - rotulem seus produtos
(respectivamente os óleos Soya e Liza) como transgênicos,
conforme determina a lei em vigor no país.
As
empresas terão que se adequar ao decreto federal de rotulagem
de 2003, fazendo constar dos rótulos a imagem do triângulo
amarelo com um T no meio e a informação de que o produto foi
fabricado com matéria-prima transgênica (no caso, a soja). A
3a. Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP)
acolheu a ação civil pública proposta pelo Ministério Público
do Estado de São Paulo (MP-SP), mandou citar as empresas e deu
uma liminar de ofício concedendo prazo de 30 dias para a
adequação de suas respectivas linhas de produção.
"O
Código do Consumidor assegura o direito à informação sobre
toda característica relevante dos produtos. No caso dos
transgênicos, há também normais legais específicas a fazer
obrigatória a informação ao consumidor, seja na Lei da
Biossegurança (Lei 11.105, de 2005), seja no Decreto Federal
4.680 (de 2003)", afirma Paulo Sérgio Cornacchioni, promotor
de Justiça do Consumidor do MP-SP que propôs a ação. "O que a
Promotoria do Consumidor pretende é o cumprimento da lei. Quem
deve decidir o que quer ou deve consumir é o próprio
consumidor. Ele é o senhor absoluto dessa escolha e decisão.
Mas para ele poder decidir é fundamental que a informação lhe
seja propiciada, como manda a lei".
A
ação civil pública proposta pelo MP-SP é resultado de uma
denúncia feita pelo Greenpeace em outubro de 2005, quando
cerca de 20 ativistas da organização foram à Brasília entregar
ao governo um dossiê que comprovava a utilização de soja
transgênica na fabricação dos óleos Soya e Liza, marcas
líderes do setor. Os ativistas desceram a rampa do Congresso
Nacional empurrando 20 carrinhos de supermercado cheios de
latas de óleo da Bunge e da Cargill, e se posicionaram
próximos à entrada da Câmara dos Deputados enquanto a denúncia
era entregue aos parlamentares. Posteriormente, a denúncia foi
encaminhada a diversas representações do Ministério Público e
aos ministérios da Justiça, Agricultura, Ciência e Tecnologia,
e Meio Ambiente.
As
evidências contidas no dossiê comprovam a utilização da soja
transgênica pela Bunge e pela Cargill na fabricação de
diversos produtos, como os óleos Soya, Liza, Primor e Olívia,
e a falta de rotulagem dos produtos oferecidos ao consumidor.
O material continha amostras de soja, documentos e um vídeo
que pode ser acessado no seguinte link:
http://www.greenpeace.org.br/consumidores/videos/oleo.wmv
"Essa
é uma grande vitória para todos os brasileiros", disse
Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de engenharia
genética do Greenpeace Brasil. "A ação do MP garante o direito
à informação dos consumidores. É vergonhoso que a Justiça
precise forçar as empresas a cumprir a lei".
De
acordo com o decreto de rotulagem, todos os produtos
fabricados com mais de 1% de organismos geneticamente
modificados devem trazer essa informação no rótulo. Isso vale
mesmo para produtos como o óleo, a maionese e a margarina, em
que não é possível detectar o DNA transgênico. No entanto, até
o momento, nenhum produto rotulado pode ser encontrado nas
prateleiras dos supermercados.
"Esperamos que esse caso sirva de exemplo para outras empresas
que não respeitam os direitos dos seus consumidores", alertou
Gabriela. "Já está claro que os brasileiros não querem comer
transgênicos. Então é fundamental que eles sejam informados
sobre o que estão comprando para poderem exercer o seu direito
de escolha. Isso está garantido pelo Código de Defesa do
Consumidor e precisa ser respeitado".
Informações à
imprensa
GREENPEACE - Jorge Cordeiro
Fone:
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E-mail:
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