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24/03/2007
Seminário debate impactos do financiamento de pesquisas em universidades públicas por grandes empresas privadas
Convênio proposto pela empresa Aracruz Celulose para pesquisa
na área de produção de eucaliptos gera polêmica no Rio Grande do Sul

No dia 23 de março foi realizado o Seminário “Convênio Aracruz/UFRGS – um debate necessário”, no Salão de Atos II da Reitoria, em Porto Alegre/RS. O evento, promovido pelo Núcleo de Economia Alternativa da UFRGS (NEA), teve como objetivo debater os impactos e implicações do convênio proposto pela empresa Aracruz Celulose para a Universidade desenvolver pesquisas na área da produção de eucaliptos.

Fizeram parte da mesa de debate a estudante Beliza Lopes, representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) no Conselho Universitário da UFRGS, o professor Carlos Shmidt, coordenador do NEA, Luciana Piovesam, da direção nacional do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) e o professor Sérgio Schwarg, coordenador do Departamento de Horticultura e Silvicultura da UFRGS, por onde o convênio foi proposto. Beliza Lopes foi quem pediu vistas ao pedido de convênio no Conselho Universitário. A estudante chamou a atenção para a responsabilidade que o DCE tem na democratização da universidade e para o caráter das pesquisas que estão sendo feitas na universidade pública. O professor Carlos Shmidt ressaltou que a ciência não é neutra e que o limite para sua pluralidade é a ética. “Muito além de pesquisa, o interesse da Aracruz está no aval de aceitação que um convênio com uma universidade pública garante”, disse o professor.

A representante do MMC, Luciana Piovesam, falou sobre a necessidade da universidade pública garantir pesquisas para a agricultura camponesa, grande responsável pela produção de alimentos para a população. O Movimento de Mulheres Camponesas está promovendo a Campanha Nacional pela Produção de Alimentos Saudáveis, onde um dos pontos principais é a contraposição entre a biodiversidade e as monoculturas. “Temos a necessidade de juntar ciência e empírico para a construção do conhecimento”, destacou Luciana. Já o professor Sérgio Schwarg, que apóia o convênio, apontou que o plantio de eucalipto pode ser uma fonte de renda para o agricultor. “O cultivo de eucalipto garante que árvores nativas não sejam cortadas”, defende o professor. Esta afirmação foi rebatida por participantes do seminário, que fizeram denúncias de devastação da mata nativa e exploração do trabalho humano promovidos pela empresa Aracruz Celulose.

Segundo avaliação dos organizadores do evento, este seminário demarca o início de um novo estágio de discussões dentro da universidade. A proposição do convênio com a Aracruz foi retirada da pauta do Conselho Universitário após audiência realizada no dia 8 de março, entre o Reitor da UFRGS, mulheres representantes dos movimentos da Via Campesina, estudantes e professores que se posicionaram contra o convênio.

 
 

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