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24/03/2007
Movimento Quilombola
paralisa atividades da Aracruz Celulose no norte do Espírito
Santo, por 4 dias
No último dia 20/03, 450 negras e
negros de diversas comunidades quilombolas do território Sapê do
Norte no Espírito Santo ocuparam uma área em São Domingos de
Itauninhas, no município de São Mateus, paralisando todas as
atividades de corte e transporte de madeiras de eucaliptos da
Aracruz Celulose, por 4 dias e 3 noites, em mais 547 hectares.
Segundo informações da própria empresa, ficaram paralisadas: 31
máquinas harvesters, 15 forwarders e 35 carretas, deixando de
produzir e de ser transportados cinco mil m³ de madeiras por
dia.
Carros
da polícia militar chamada pela empresa estiveram no local no
segundo dia e diante da grande multidão de quilombolas não
reagiu e foi embora.
Segundo
lideranças quilombolas, a manifestação, que pegou a empresa de
surpresa, é uma resposta das famílias quilombolas à atitude da
empresa que descumpriu o pacto estabelecido com Prefeituras,
Ministério Público Federal, Fundação Cultural Palmares e
associações dos quilombolas, de acesso dos quilombolas ao facho
– resíduos de eucaliptos com menos de sete centímetros de
espessura. Utilizando-se de equipamentos modernos que trituram
totalmente o facho a Aracruz, com justificativas de
melhoramentos tecnológicos em benefício de seus negócios,
sustenta os fabricantes destas máquinas européias enquanto
atrofia o sustento dos quilombolas.
Hoje, é
difícil mensurar a dimensão do estrago e da dívida social,
ambiental, cultural e econômica da Aracruz Celulose com
comunidades quilombolas do Sapê do Norte, que invadiu expulsando
milhares de famílias de seus territórios, destruindo o seu modo
de vida; destruiu milhares de hectares de mata atlântica; secou
dezenas de rios e contaminou dezenas de outros rios com grandes
quantidades de agrotóxicos aspergidos diariamente sobre a grande
monocultura do eucalipto e, ainda, mantém uma milícia armada
vigiando as famílias 24 horas por dia.
Hoje,
das cerca de 1.500 famílias quilombolas (32 comunidades) que
permanecem resistindo em pequenos fragmentos de terra em meio às
grandes monoculturas, sobretudo, do eucalipto, mais de 1000
quilombolas lutam pelo acesso do facho, porque a renda através
da produção de carvão se tornou sua única fonte para
sobrevivência. Mas, o objetivo maior da luta destas comunidades
está voltado para a reconquista de seu território, cujos
direitos foi perdido para a Aracruz Celulose, principalmente por
manobras políticas realizadas pelos próprios governantes.
No
final da tarde do dia 23/03, o movimento liberou a área de campo
e acampou em frente à sede do centro operacional da empresa,
próximo a BR 101 norte, no municio de Conceição da Barra,
impedindo a entrada e saída das carretas e dos funcionários.
Pouco
depois chegou um oficial de justiça com um mandado de
re-integração de posse da área de campo. Os quilombolas não
receberam o mandado porque a re-integração se referia à área que
já havia sido desocupada. Às 15 hs encerraram o movimento após o
encaminhamento da realização de uma assembléia para o dia
seguinte, sem nenhuma solução satisfatória ainda.
24.03.2007
Assinado:
Rede Alerta Contra o Deserto Verde
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