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23/10/2007
NOTA À
IMPRENSA
Milícia
armada ataca acampamento da Via Campesina e executa militante
Domingo
(21), por volta das 13h30min, o acampamento da Via Campesina,
no campo de experimentos transgênicos da Syngenta, em Santa
Tereza do Oeste (PR), foi atacado por uma milícia armada. No
massacre, o militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra (MST) e membro da Via Campesina, Valmir Mota de
Oliveira, 42 anos, conhecido como Keno, foi executado à queima
roupa com dois tiros no peito. Os trabalhadores Gentil Couto
Viera, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos Barretos, Izabel
Nascimento de Souza e Hudson Cardin foram gravemente feridos.
Diante dos acontecimentos, a Via Campesina faz os seguintes
esclarecimentos:
1. A reocupação da área
da Syngenta aconteceu às 6h de domingo (21), por cerca 150
agricultores. Na ação, os trabalhadores rurais soltaram fogos
de artifício. No momento havia quatro seguranças na área. Uma
das armas dos seguranças foi disparada e feriu um trabalhador,
que foi hospitalizado. Os agricultores desarmaram os
seguranças, que em seguida abandonaram o local. As armas foram
apreendidas para serem entregues à polícia.
2. Por volta da 13h30min,
um ônibus parou em frente ao portão de entrada e uma milícia
fortemente armada, com aproximadamente 40 pistoleiros, desceu
metralhando as pessoas que se encontravam no acampamento. Eles
arrombaram o portão, executaram o militante Keno com dois
tiros no peito, balearam outros cinco agricultores e
espancaram Isabel do Nascimento de Souza, que continua
hospitalizada em estado grave.
3. A milícia atacou o
acampamento para assassinar as lideranças e recuperar as armas
ilegais da empresa NF Segurança, que foram apreendidas pelos
trabalhadores. Os dirigentes do MST, Celso Barbosa e Célia
Aparecida Lourenço, chegaram a ser perseguidos pelos
pistoleiros, mas conseguiram escapar durante o ataque.
4. A Syngenta utilizava
serviços de uma milícia armada, que agia através da empresa de
fachada NF Segurança, em conjunto com a Sociedade Rural da
Região Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR),
ligado ao agronegócio.
5. A denúncia da atuação
de milícias armadas na região Oeste do Paraná foi reforçada
durante uma audiência pública, na última quinta-feira (18),
para a coordenação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias
da Câmara Federal dos Deputados (CDHM), em Curitiba (PR). Os
dirigentes do MST, inclusive Keno, já vinham sendo ameaçados,
há mais de seis meses, pelas milícias que estavam a serviço do
consórcio SRO/MPR/Syngenta. Um inquérito havia sido aberto
para apurar as denúncias contra a Syngenta e a NF Segurança.
6. A *Rede Globo vem
sustentando em suas reportagens que a Via Campesina teria
mantido reféns durante a reocupação. A versão da Rede Globo e
de outros veículos da grande imprensa têm como objetivo
criminalizar os movimentos sociais e retirar de foco o ataque
realizado pela milícia da Syngenta, que executou um
trabalhador e deixou outros feridos. A Via Campesina esclarece
que não houve, em nenhuma hipótese, reféns durante a ocupação.
7. A Via Campesina exige
punição dos responsáveis pelos crimes – principalmente os
mandantes –, a desarticulação da milícia armada na região e o
fechamento imediato da empresa de segurança NF. Além da
garantia de segurança e proteção das vidas dos dirigentes
Celso e Célia, e de todos os trabalhadores da Via Campesina,
na região.
8. Os camponeses seguem
na luta para que a área de experimentos ilegais de
transgênicos da Syngenta seja transformada em Centro de
Agroecologia e de reprodução de sementes crioulas para a
agricultura familiar e a Reforma Agrária.
Histórico – O campo de
experimento da Syngenta havia sido ocupado pelos camponeses em
março de 2006 para denunciar o cultivo ilegal de sementes
transgênicas de soja e milho. A ocupação tornou os crimes da
transnacional conhecidos em todo o mundo. Após 16 meses de
resistência, no dia 18 de julho deste ano, as 70 famílias
desocuparam a área, se deslocando para um local provisório no
assentamento Olga Benário, também em Santa Tereza do Oeste
(PR). |