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Fórum de São Paulo termina com apelo à unidade, integração
e construção de uma alternativa ao neoliberalismo

Giorgio Trucchi*
Opera Mundi
Adital

Foi concluído nesta sexta-feira (20/05), em Manágua, o 17º Encontro do Foro de São Paulo, evento que reuniu 48 partidos e organizações de esquerda latino-americanos de 21 países. A declaração final, aprovada pelos 640 delegados, enfatizou a importância de seguir com a desconstrução do modelo neoliberal e a montagem de uma alternativa de esquerda.

Para atingir estes objetivos, o documento afirma ser necessário consolidar a unidade das forças progressistas e esquerdistas; aprofundar a integração regional; multiplicar as ações bem-sucedidas em diversos países; e projetar novas vitórias eleitorais. "Comprovamos ser possível construir uma unidade na diversidade ao nos unirmos em torno de objetivos comuns, sem descuidarmos para a reação da direita continental", disse ao Opera Mundi a secretária de relações internacionais do PT (Partido dos Trabalhadores), Iole Ilíada.

Para ela, é necessário que, neste momento a esquerda latino-americana "avance onde já é governo, aprofundando as transformações lá ocorridas". "E também ganhar as próximas eleições na Argentina, Guatemala, Nicarágua e Peru, evitando que a direita ganhe força para reverter o processo de mudança que estamos consolidando", afirmou Iole.

A declaração final também destacou a importância de seguir impulsionando os processos de integração, para combater "as forças de reação do imperialismo mundial, que operam de forma cada vez mais agressiva".

No documento, os integrantes consideram que o atual cenário geopolítico mundial é caracterizado "por uma das mais profundas crises do sistema capitalista". Neste sentido, o documento destaca a necessidade de aprofundar alternativas como a Alba (Alternativa Bolivariana para os Povos das Américas), a Unasul (União das Nações Sul-americanas) e Celac (Comunidade dos Países da América Latina e Caribe).

Solidariedade

O documento também abordada questões locais, condenando veementemente o bloqueio contra Cuba, exigindo a imediata libertação dos chamado "Grupo dos Cinco" – cubanos presos nos EUA – e apoiar o processo de desenvolvimento da Revolução Cubana, que "atualizou seu modelo econômico, com a mais ampla participação popular".

O Fórum também reafirmou seu apoio à FNRP (Frente Nacional de Resistência Popular) em Honduras, "em sua luta de resistência contra o governo atual, que é uma continuação do golpe". Também apoiou o processo de mediação em curso para o regresso do ex-presidente Manuel Zelaya, afirmando que o retorno de Honduras ao cenário internacional não será aceito "até que as exigências da FNRP sejam cumpridas".

O comunicado também pediu uma solução para o conflito interno na Colômbia "por meio de negociação política”, e condenou energicamente a "flagrante violação da soberania nacional da Líbia", exigindo "um cessar-fogo das duas partes envolvidas no conflito”, com o objetivo de se "alcançar uma solução pacífica".

Finalmente, os delegados do Foro expressaram sua solidariedade com a luta dos palestinos para a criação de um Estado nacional independente, exigindo o fim das violações dos direitos humanos e da repressão. Também reiterou o seu apoio para a FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional) e ao presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, para as eleições em novembro que serão realizadas no país centro-americano.

No último dia do Fórum foram aprovadas 22 resoluções, com diversas mudanças em sua estrutura organizacional. Entre as novidades, estão a filiação do Partido da Vanguarda Popular, da Costa Rica, e do MAS (Movimento ao Socialismo), da Bolívia. Por fim, o grupo de trabalho decidiu que a 18 ª reunião será realizada em Caracas, na Venezuela, em julho de 2012.

Lula: esquerda governa com 'mais competência'
do que direita na América Latina

Por Giorgio Trucchi

No segundo dia do 17º Encontro do Fórum de São Paulo, nesta quinta-feira (19/5) em Manágua, o ex-presidente do Brasil e membro fundando do Foro, Luiz Inácio Lula da Silva, convidou as forças de esquerda latino-americanas a seguir fortalecendo as alianças políticas, promovendo ao mesmo tempo processos unitários e integracionistas.

Em um auditório atento, Lula lembrou que em 1990, quando o Fórum foi criado, a esquerda latino-americana estava profundamente dividida. "Ainda não havíamos aprendido uma lição básica que permitiria à esquerda chegar ao poder: é preciso unir as diferenças para derrotar os antagônicos”.

Esquerda na América Latina já demonstrou saber governar "com mais competência do que a direita"

Segundo ele, o processo empreendido para superar a desconfiança e construir uma relação democrática entre as forças de esquerda culminou em uma modificação do panorama político do continente. "Precisamos valorizar as conquistas alcançadas nestes 20 anos, porque nosso continente passou por um verdadeiro furacão de democracia”, assinalou Lula.

O ex-presidente brasileiro aproveitou a ocasião para apresentar exemplos de resultados alcançados em seus oito anos de governo (2002-2010). "Nos disseram repetidas vezes que primeiro é preciso fazer a economia crescer e só depois distribuir a riqueza. Nós demonstramos o contrário: é preciso distribuir a riqueza para que a economia cresça”, afirmou.

Entre as principais conquistas de seu governo, disse Lula, estão o aumento de 62% do salário mínimo, a geração de 15,3 milhões de empregos formais e a desapropriação de 47 milhões de hectares de terra. Segundo ele, o financiamento agrícola foi duplicado e 45 milhões de trabalhadores tiveram acesso ao sistema bancário, enquanto 28 milhões saíram da pobreza. "O que custa menos a um governo é gastar dinheiro com os pobres, e mostramos isso ao garantir um salário mínimo a 52 milhões de pessoas, o que fez a economia avançar”, analisou Lula.

Ao final de sua intervenção, o ex-presidente disse estar disposto a participar de todas as futuras reuniões do Foro e fez um chamado aos povos do continente para que fortaleçam os partidos políticos, como instrumento privilegiado para governar e assim resolver os problemas que por séculos vêm afetando os povos latino-americanos.

"Devemos refletir profundamente sobre o fortalecimento dos partidos políticos, refletir sobre como construir alianças, ganhar eleições”. Segundo Lula, a esquerda na América Latina já demonstrou saber governar "com mais competência do que a direita ao longo de todo o século XX”. Ele disse estar convencido de que agora o processo de integração deve avançar, "porque é a única oportunidade para resolver os problemas que por séculos afetaram os mais pobres”.

Líbia

Em seu discurso, o presidente da Nicarágua e anfitrião do evento, Daniel Ortega, disse ter se reunido com o ex-presidente Lula para trocar impressões sobre a intervenção militar na Líbia. "Dados da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] indicam que houve 5,8 mil bombardeios sobre o povo líbio. É um crime que não pode ficar impune”.

 
 

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