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Uruguai - Campanha aposta em sensibilização
para combater trabalho infantil noturno

Camila Queiroz
Adital

Com o título "O trabalho infantil é uma realidade que não podemos ignorar, o percebe?”, foi lançada na última quinta-feira (17) campanha que visa sensibilizar bares, restaurantes, garçons e clientes para a situação de crianças que trabalham à noite na capital do Uruguai, Montevideo.

A iniciativa é da Associação El Abrojo e Fundação Telefônica, com o apoio da Universidade ORT Uruguai, e se volta principalmente para as crianças que vendem flores. Faz parte de um projeto sócio-educativo para reduzir o trabalho infantil noturno no Centro e Cidade Velha, que teve início em julho e será implementado até o final de dezembro.

A campanha será implementada até o final de dezembro, em cerca de 30 estabelecimentos reconhecidos como "bares e restaurantes amigos da infância”, localizados no Centro e na Cidade Velha. Serão utilizados cartazes, bottons e adesivos para sensibilizar donos de estabelecimentos, garçons e clientes.

Estudo realizado pela Associação El Abrojo e a Fundação sobre o problema, em julho deste ano, detectou seis famílias e 16 meninos e meninas trabalhadoras, em idade que vai dos três meses aos 15 anos. Em sua maioria, vendem ou pedem dinheiro, acompanhados de adultos, geralmente a mãe.

A rotina de trabalho é cansativa – começa às 20h e vai até as quatro da manhã, estendendo-se no verão e na alta estação do turismo. O trajeto também é extenso, incluindo várias ruas movimentadas, tradicionais por ter vida noturna agitada.

O horário que deveria ser dedicado ao sono reparador tão necessário ao desenvolvimento físico e mental das crianças fica prejudicado. No dia seguinte, boa parte delas ainda vai à escola.

Apesar do trabalho ser uma violação ao direito das crianças, acaba por se constituir no principal sustento da familiar, rendendo entre 500 e mil pesos por noite. Diante isso, o projeto sócio-educativo do qual a campanha faz parte subsidia as famílias em substituição a essa renda, informa o educador Jorge Vera.

Para que o problema não volte a se repetir, o projeto investe também em conscientização da família, apostando em pontos como os danos do trabalho ao desenvolvimento das crianças; melhora dos vínculos familiares e estímulo ao diálogo.

O trabalho infantil é considerado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) uma forma de exploração. Os trabalhos noturnos e nas ruas são considerados mais perigosos pela organização, junto com os trabalhos que envolvem operação de máquinas.

 
 

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