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As populações tradicionais e as hidrelétricas do Madeira
CIMI - Conselho Indigenista
Missionário
Adital
Hidrelétricas: confirmação de conflitos e
impactos
Hidrelétricas em construção na Amazônia Brasileira põem em
risco de extinção populações tradicionais, entre elas povos
indígenas, a exemplo das hidrelétricas de Santo Antônio e
Jirau no Madeira que estão sendo construídas próximas a
territórios de quatro povos indígenas em situação de
isolamento e risco, os quais desconhecem que grande parte de
suas terras está ameaçada e sujeita a destruição. A política
indigenista do governo que deveria garantir a proteção
desses povos livres tem em seu primeiro plano os grandes
projetos. Em nome de um "desenvolvimento” continua ferindo e
matando culturas milenares antes mesmo da sociedade ter
conhecimento dessas culturas, em contradição à Constituição
Federal e a Convenção 169 da OIT que reconhecem ser o Brasil
um país pluriétnico.
A triste
situação provocada pelos operários na Usina Hidrelétrica de
Jirau está confirmando as conseqüências trazidas por estes
mega-empreendimentos. Este e outros empreendimentos, além de
desrespeitar as populações locais (ribeirinhos, indígenas,
quilombolas...), não trata com dignidade os operários que
dia a dia arriscam suas vidas nos canteiros de obras, sem
condições dignas de trabalho e sem remuneração adequada. E
quando reagem a esta situação são taxados como bandidos e
vândalos.
Com
indignação repudiamos a atitude dos governos estadual e
federal em utilizar forte aparato policial para dar
segurança a empresas que visam apenas o lucro, enquanto
trabalhadores vivem em situação de superexploração; salários
baixos; longas jornadas de trabalho; sem atendimento
adequado à saúde; transporte de péssima qualidade; falta de
segurança e como resultado ainda são ameaçados de demissão.
Esta é a realidade vivenciada pelos operários na
hidrelétrica do Jirau. Tal atitude do governo cria mais
tensões para a sociedade rondoniense, pois o governo que
deveria propor segurança para o povo e melhores condições de
trabalho para os operários através dos poderes Judiciário,
Legislativo e Executivo convocam a Força Nacional para calar
a voz popular que grita por justiça e direitos que lhes são
garantidos por lei.
As
hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, têm
sido palco de ocorrências de desrespeito a legislação
trabalhista: denúncia de trabalho análogo ao escravo,
impactos ambientais e sociais, transgressões aos direitos
das comunidades tradicionais, colapso nos serviços e espaços
públicos (hospitais, ruas, escolas, postos de saúde...),
alto custo de vida, tendo a taxa do transporte coletivo um
das mais altas do país. A insegurança e o medo estão tomando
conta dos moradores da capital.
O alerta
dos trabalhadores de Jirau soma-se com tantos outros alertas
observados não apenas no Brasil, e comprova que os grandes
projetos só trazem propagandas ilusórias para a grande massa
popular, a exemplo da taxa de energia elétrica em Rondônia,
uma das mais caras do país, bem como o crescente desemprego.
Diante de
todos os dados já divulgados, acreditamos que os operários
são tão vítimas quanto as populações tradicionais, dentre
elas os povos indígenas, e toda a biodiversidade fauna e
flora. O que nos deixa ainda mais indignados é o fato da
mídia sempre estar a serviço dos que detêm o poder, omitindo
a verdadeira situação e posição dos trabalhadores.
O Conselho
Indigenista Missionário Regional Rondônia, na defesa da
vida, une-se nesse momento trágico aos operários de Jirau,
que nas suas manifestações conclamam por justiça e direito e
exigem que a voz dos trabalhadores seja ouvida e tenha
tratamento digno e humano.
Não
podemos aceitar que num país dito "democrático” e "popular”,
com leis que regem os direitos humanos, ainda prevaleça o
modelo de escravidão e exploração entre patrões e operários.
Porto
Velho (RO), 18 de março de 2011.
Cimi
Regional Rondônia |