|
21/09/2007
Mulheres protestam
contra milho transgênico em reunião da CTNBio
Grávidas,
mães, mulheres temem pelo futuro alimentar da população
brasileira diante da falta de pesquisas sobre os riscos do
milho transgênico
Na
manhã do dia 20 de setembro, durante reunião da Comissão
Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), mulheres
camponesas e urbanas protestaram contra a liberação do milho
transgênico. Com camisas e cartazes que levavam os dizeres
"Meu filho não é cobaia", as manifestantes denunciaram a
Comissão por não se preocupar com a segurança alimentar do
País, ao permitir que variedades de milho transgênico sejam
consumidos por humanos sem dados e estudos conclusivos que
comprovem que esse alimento não faz mal à saúde. A Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o próprio
Ministério da Saúde também questionam a decisão da CTNBio.
As
manifestantes (orientadas por estudos da Nutricionista, mestre
em agroecossistemas da Universidade Federal de Santa Catarina,
Elaine de Azevedo) alertaram que os riscos do consumo do milho
transgênico podem afetar diretamente gestantes, lactantes e
bebês. De acordo com elas, há estudos que comprovam que o
consumo de milho transgênico causou problemas em filhotes de
ratos e frangos que consumiram esse milho, como taxas de
mortalidade, mudança na composição do sangue, alterações nos
rins e testículos. Além disso, as altas doses do herbicida
utilizado no milho transgênico podem ser absorvidas no
intestino, passar pelo leite das mães que amamentam e causar
reações tóxicas no bebê e nas próprias mães.
Outra
preocupação, principalmente das que se declararam mães, é as
suscetíveis alergias que esses alimentos modificados podem
causar em crianças. As bactérias inseridas no milho
transgênico podem combinar com as bactérias da flora
intestinal e produzir alergias. Essa disfunção em bebês pode
causar choque anafilático e até morte.
Para
a integrante da Via Campesina Brasil, Paula Pereira, não se
pode confiar em pesquisas que não foram feitas por
instituições independentes, mas por pesquisadores de empresas
que tem interesse na difusão destes grãos modificados. A
multinacional Bayer, uma das que produz milho geneticamente
modificado, orienta um baixo consumo de milho como fator de
prevenção de riscos. "O milho é a base da alimentação do povo
latino-americano. Está em óleos, enlatados, farinha, fubá,
pamonhas, bolos, mingaus e vários outros alimentos. Como será
a ação do milho transgênico entre a população que ingere maior
quantidade do que a indicada como segura por esses cientistas?
Para completar, a rotulagem não está sendo cumprida. As ações
da CTNBio os tornam responsáveis pelos danos à nossa
biodiversidade e à saúde do povo brasileiro", disse.
Diante de tantas dúvidas e da falta de responsabilidade da
maioria dos cientistas que compõem a CTNBio, as mulheres
presentes na manifestação recomendaram que as gestantes evitem
o óleo de milho se tiverem dúvidas sobre sua origem. Pedem
usem o óleo de palma, girassol e oliva e, como substituto do
milho, usem aveia, trigo, arroz integral (na forma de farinha,
flocos e grãos). Elas ainda recomendam o uso de produtos
oriundos da agricultura familiar agroecológica, livre de
transgênicos. |
|