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21/09/2007
Entidades que
constituem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária questionam a
liberação do milho transgênico Liberty Link da Bayer, em carta
encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Na carta,
os movimentos afirmam que a liberação pode destruir a
agricultura familiar camponesa do país
"A
liberação comercial dos transgênicos é uma séria ameaça às
sementes crioulas e pode inviabilizar a continuidade da
construção de um modelo sustentável de agricultura baseado na
agroecologia", diz a carta. As entidades e movimentos sociais
esperam que o presidente Lula interfira no processo
determinando ao Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) que
suspenda as liberações comerciais dos transgênicos, bem como
para que o CNBS edite regras que assegurem a coexistência de
espécies transgênicas e não transgênicas.
As
entidades afirmam também que a visão Comissão Técnica Nacional
de Biossegurança (CTNBio) está viciada, já que a maioria de
seus membros está comprometida com o desenvolvimento de
transgênicos e não com a avaliação de seus impactos. Além
disso, vários integrantes da Comissão possuem conflitos de
interesse e fazem pesquisas e pareceres para as empresas
transnacionais que dominam o mercado de transgenia.
A
liberação do milho foi feita pela CTNBio em maio deste ano
depois de um processo polêmico. A Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro de Meio
Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) acreditam que a liberação
foi feita sem os devidos estudos para garantir que esses
produtos não fazem mal à saúde e ao meio ambiente. Isso sem
contar a falta de abertura à participação de outros segmentos
da sociedade civil. Em agosto, a CTNBio também autorizou a
comercialização do algodão Bt da Monsanto, também sem
critérios ou estudos.
Leia
abaixo o documento enviado ao presidente Lula:
05/09/2007
Excelentíssimo Senhor,
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República do
Brasil
O
povo brasileiro concedeu ao Senhor o segundo mandato para que
pudesse liderar as mudanças de que o Brasil necessita como a
realização de uma reforma agrária ampla e massiva, associada a
outras políticas públicas essenciais à implantação de um
modelo de desenvolvimento rural sustentável, na sua dimensão
social, econômica e ambiental, garantidor da efetivação dos
direitos fundamentais dos homens e das mulheres do campo.
No
entanto, a cada dia que passa vemos essas mudanças mais
distantes, em razão da expansão avassaladora do agronegócio e
das transnacionais da agricultura, mediante a incorporação de
extensas áreas à implantação de culturas voltadas
preferencialmente à geração de energia alternativa, em
detrimento da produção dos gêneros alimentícios de primeira
necessidade, bem assim, através do controle de toda a
cadeia produtiva, desde o fornecimento das sementes até a
comercialização dos produtos agrícolas no mercado
internacional, exercido por essas empresas.
Nosso
país não pode se submeter à força do poder econômico dessas
corporações. Não podemos aceitar que controlem nossas
sementes. As liberações irresponsáveis dos produtos
transgênicos, sem critérios e sem estudos que atestem sua
compatibilidade com a saúde humana e animal, revelam que o
Brasil está renunciando à sua soberania e colocando em perigo
sua biodiversidade e a saúde de seu povo para beneficiar as
grandes empresas transnacionais.
Na
nossa visão a CTNBio está viciada, já que a maioria de seus
membros está comprometida com o desenvolvimento de
transgênicos e não com a avaliação de seus impactos. Além
disso, vários integrantes da Comissão possuem conflitos de
interesse, pois fazem pesquisas e elaboram pareceres para as
empresas que dominam a transgenia.
A
liberação comercial dos transgênicos é uma séria ameaça às
sementes crioulas e pode inviabilizar a continuidade da
construção de um modelo sustentável de agricultura baseado na
agroecologia. Até o momento o governo não apresentou proposta
para lidar com esse problema e conter a contaminação de nossas
sementes pelos transgênicos. Primeiro foi a soja. Agora, essas
empresas querem dominar o mercado do milho.
Em
maio, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio)
liberou os milhos transgênicos da Bayer. Mas a Anvisa e o
Ibama acreditam que a liberação foi feita sem os devidos
estudos para garantir que esses produtos não fazem mal à saúde
e ao meio ambiente. Em agosto, foi a vez da liberação
comercial da Monsanto, também sem critérios ou estudos.
Entre
os principais riscos dos transgênicos estão as alergias
alimentares e a criação de resistência a antibióticos, sem
falar na afetação do meio ambiente e no comprometimento da
reprodução das diferentes formas de vida. A Anvisa acredita
que os dados apresentados pelas empresas "são insatisfatórios
e pouco esclarecedores". O Ibama entende que o milho
transgênico causará sérios e irreversíveis prejuízos à nossa
biodiversidade, porque contaminará as demais espécies de
milhos crioulos e convencionais, cultivadas milenarmente por
pequenos produtores.
Com o
milho transgênico, Senhor Presidente, os consumidores, os
produtores e o Brasil perdem. Só as empresas transnacionais de
biotecnologia ganham.
Por
essa razão, nos dirigimos a Vossa Excelência para pedir que
determine ao Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) que
suspenda as liberações comerciais dos transgênicos, bem como
para que o CNBS edite regras que assegurem a coexistência de
espécies transgênicas e não-transgênicas.
Estamos cansados de ver os interesses dos grandes grupos
econômicos se sobrepor aos interesses do povo. Esperamos que
Vossa Excelência não permita que o milho transgênico destrua
nossa biodiversidade e coloque em risco a saúde dos
brasileiros e brasileiras.
Fórum
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