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21/07/2006
Mais uma da Aracruz
Celulose contra os Quilombolas
Uma operação de reintegração de posse, com apoio da
Polícia Militar do Espírito Santo, culminou com a
detenção, anteontem, de 85 descendentes de quilombolas e
confusão no DPJ (Departamento de Polícia Judiciária) em
Linhares, a 137 km de Vitória.
Eles foram mandados para o DPJ para assinar um Termo
Circunstanciado por desobediência à ordem judicial,
referente à reintegração de posse de uma área da Aracruz
Celulose invadida na região dos municípios de São Mateus e
Conceição da Barra, no norte do Estado.
De acordo com um dos representantes dos descendentes, já
no DPJ houve bate-boca entre detidos e policiais, que
usaram bomba de efeito moral para contornar a confusão.
Isaías Santana da Rocha, coordenador do Fórum Estadual de
Entidades Negras, disse que os descendentes invadiram as
terras da empresa há duas semanas para retirar restos de
madeira do processo do corte dos eucaliptos.
Esse resíduo é usado por eles para produzir carvão, uma
das únicas fontes de renda dessas comunidades, segundo
Rocha.
Ele afirmou que a empresa tinha um acordo com os
descendentes, segundo o qual permitia a retirada desses
restos, mas que isso foi desfeito devido à disputa por
terras entre a Aracruz e comunidades dos descendentes
quilombolas.
Diante disso, houve decisão pela invasão das terras. "Eles
estão dispostos a tudo, já não têm mais suas terras para
plantar", declarou Rocha.
No início do mês, a Justiça em Linhares determinou a
reintegração de posse da área, obedecida pelos invasores
na quarta-feira passada.
Mas eles voltaram a invadi-la no dia seguinte e a Aracruz
entrou com novo pedido na Justiça para reintegração de
posse.
No mesmo dia, o juiz Vanderlei Ramalho Marques, da 2ª Vara
Cível de Linhares, deu despacho pela reintegração, com
auxílio da PM, e determinou também que fosse lavrado o
Termo Circunstanciado por descumprimento da sua decisão
anterior.
Outro lado
O
gerente de Relações com a Comunidade da Aracruz, Jessé
Moura Marques, afirmou que a empresa questiona a
denominação de que as populações sejam descendentes de
quilombolas e disse que essa questão está em investigação
pelas autoridades.
Sobre o acordo para a retirada dos restos de madeira, ele
declarou que foi feito com a Prefeitura de Conceição da
Barra, que deveria controlar e organizar os trabalhos, mas
que existia um prazo de validade, expirado há dois anos.
Fonte:
Agência Folha de São Paulo
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