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20/08/2007
Membros da CTNbio
deixam plenário como forma de protesto
Ontem, 19, durante a votação das regras de coexistência e
monitoramento entre o milho convencional e o trangênico, sete
membros da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança se
retiraram do plenário como forma de protesto à maneira
irreponsável de como a CTNBio encaminhou as discussões para a
aprovação de tais regras.
Esses
membros colocaram vários questionamentos que vão de encontro
aos estudos que nortearam a decisão da CTNBio, no entanto, não
foram ouvidos e nem tiveram a oportunidade de fazer um debate
profundo acerca dos riscos que, agora, os agricultores de
milho crioulo correm de contaminação de seu produto.
Com
essa decisão da CTNBio, são mais de quatro milhões de hectares
de plantações de milho crioulo que foram colocados em xeque em
30 minutos de intervenção e 5 minutos de votação. Agora, o
pequeno agricultor só terá a proteção de 100 metros de
distância entre o milho OGM e o crioulo para que seu produto
não tenha contaminação.
Eis a
carta divulgada pelos cientistas:
A CTNBio
necessita debater a biossegurança e não somente pleitos da
biotecnologia
No
dia 16 de agosto de 2007, os membros da Comissão Técnica
Nacional de Biossegurança (CTNBio), que aqui subscrevem,
decidiram retirar-se da reunião plenária em protesto à forma
sumária de votação e aprovação dos Planos de Monitoramento e
de Coexistência entre o milho convencional e o transgênico.
Ressalte-se que tais planos não tinham sido objeto de análise
em maio de 2007, quando da liberação do milho transgênico
Liberty Link, da Bayer, por parte da Comissão. Somente foram
incluídos, em ultima hora, na pauta da plenária de 19 de julho
de 2007 e, ainda assim, Planos muito genéricos e permissivos
para fazer frente a uma medida judicial que impedia sua
liberação. As medidas de biossegurança, que deveriam ter sido
elaboradas antes de maio, são fundamentais e necessárias para
evitar maiores riscos dos organismos geneticamente modificados
(OGMs). Entretanto, a adoção de tais medidas tem sido relegada
a um segundo plano, com a pauta das plenárias voltada,
predominantemente, para as liberações planejada e comercial.
Nesta
segunda plenária, a presidência da CTNBio e a maior parte dos
seus membros, técnicos e cientistas da área de biotecnologia,
tiveram, mais uma vez, a preocupação prioritária em atender as
demandas específicas à biotecnologia, conduzindo o tema de
forma rápida e superficial. Assim, não foi permitida a
inclusão de nenhuma das propostas apresentadas em dois
documentos extensos, que faziam parte de “pedido de vistas” de
membros da Comissão. Os Planos aprovados, tanto de
Monitoramento quanto de Coexistência, desconsideraram o
Princípio da Precaução e, portanto, podem comprometer as
variedades de milho, historicamente cultivadas no País, com
riscos ambientais e sociais, sobretudo, com possibilidade de
prejuízos aos pequenos agricultores. A falta de debate,
ilustrada pela não incorporação de nenhuma das muitas
propostas apresentadas, reflete uma visão corporativista que
não oportuniza o diálogo necessário. Constantemente, nas
reuniões plenárias, despreza-se a controvérsia e os múltiplos
aspectos de incerteza sobre possíveis riscos à saúde e/ou ao
meio ambiente derivados dos OGMs.
O
acontecimento de votações, como as que ocorreram hoje, é
incompatível com uma Comissão formada por doutores,
considerados especialistas em biossegurança ou em áreas afins.
Tais decisões, submetidas às demandas do mercado, comprometem
ainda mais a confiabilidade das decisões da CTNBio.
Infelizmente, desde a criação desta Comissão, existe uma
assimetria em sua representatividade. A biossegurança
torna-se, assim, tema secundário do foco de atenções da
Comissão. Este processo se aprofundou, quando da aprovação da
medida provisória que derrubou o quorum de 2/3 dos seus
membros para as liberações comerciais e outras medidas que
acabaram desconstituindo os avanços da Lei de biossegurança no
Brasil.
A
biossegurança não pode confundir-se com a bandeira explícita
de “adotar os transgênicos” no País. Não podemos compartilhar
votações que não atendam ao princípio da precaução e aos
interesses da sociedade brasileira.
Brasília, 16
de agosto de 2007
Assinam: os
membros da CTNBio, Dr. Paulo Brack , Dra. Carmem Marinho, Dra.
Magda Zanoni; Dr. Lucas de Souza Lehfeld, Dr. Paulo Kageyama,
Dr. Rodrigo Raubach e Dr. Carlos Gustavo Tornquist. |
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