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20/05/2008
Parlamentares suíços e acionistas solicitam explicações à Syngenta por crimes cometidos no Brasil

Indignados com o assassinato do trabalhador Valmir Mota de Oliveira, o Keno, e com as agressões a dezenas de outros trabalhadores rurais da Via Campesina, por seguranças da empresa NF, contratada pela Syngenta, membros do Parlamento da Cidade de Basel,na Suíça, enviaram pedidos de esclarecimentos à empresa.

Os parlamentares querem saber, quais serão as providências da Syngenta para reparar os danos sofridos pela vítimas do ataque e quais medidas serão adotadas em relação à filial brasileira para evitar que novos acontecimentos como este voltem a ocorrer.

Acionistas minoritários da transnacional também cobraram providências aos diretores da empresa, para uma solução pacífica do conflito, no Paraná, e para que a empresa respeite as leis do Brasil e assuma sua responsabilidade frente ao ocorrido. De acordo com Rudolf Meyer, acionista da empresa “as tentativas de explicação da Syngenta infelizmente não retiram sua responsabilidade sobre os acontecimentos porque a empresa de segurança era contratada pela Syngenta”. Os questionamentos foram feitos durante a Assembléia Geral dos acionistas da empresa, ocorridad em 22 de abril, em Basel. Na Assembléia, foi lida uma carta enviada por organizações de Direitos Humanos brasileiras, como a Terra de Direitos. Do lado de fora, cidadãos e organizações da Suíça fizeram manifestações contra a Syngenta. As organizações Suíças também enviaram denúncias à Relatoria pelo Direito à Alimentação, da ONU.

Durante reunião na ONU, a assessora do Relator para o Direito à Alimentação afirmou que a falta de diálogo com a Syngenta fará com que a ONU emita uma declaração pública sobre o comportamento da empresa em relação aos acontecimentos em seu campo experimental e a falta de esclarecimentos por parte da multinacional, sobre o crime. Esse tipo de declaração, só é realizada em casos extremamente graves.

A Anistia Internacional também se manifestou sobre o assunto, pedindo providências ao Governo do Estado do Paraná e solicitando que a Syngenta respeite os direitos humanos dos trabalhadores da Via Campesina. Mais de 200 cartas de organizações ligadas à Anistia Internacional foram enviadas ao Governo Estadual e à Syngenta.

As ações da Suíça foram acompanhadas pela advogada da Terra de Direitos, Gisele Cassano e pelo militante da Via Campesina, Jonas Queiroz, ferido no ataque da empresa de segurança NF, contra os trabalhadores acampados no campo experimental. Para Gisele Cassano, advogada da Terra de Direitos, “apesar de toda mobilização internacional, a Syngenta nega-se a dialogar com o Governo do Estado sobre uma solução pacífica para a questão. Os trabalhadores podem sofrer mais um despejo violento, pois, a Syngenta não aceita a desapropriação da área. Isso comprova a truculência da empresa e a falta de compromisso com os direitos humanos”.

Gisele Cassano e Solange Engelman

 

 
 

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