Bonn,
19/05/2008. Começou hoje, em Bonn, Alemanha, a 9º
Conferência de Partes da Convenção sobre Diversidade
Biológica. O Brasil, que sempre foi um dos destaques nas
negociações internacionais sobre biodiversidade, é, nesta COP
centro das atenções e alvo de críticas da sociedade civil de
todo o mundo.
Durante
reuniões preparatórias para as negociações das próximas duas
semanas, organizações decidiram formar o chamado “o bloco
laranja” (Orange block). Vestidas com camisetas laranjas,
“evocando as florestas e canaviais em chama”, cerca de 200
representantes de ONGs, movimentos sociais e comunidades
locais protestaram na entrada da Conferência Oficial,
juntamente com a Via Campesina e prometem ocupar as plenárias
com as camisetas durante as próximas duas semanas.
A camiseta
laranja tem na frente os dizeres “Brasil e Alemanha:
Comprometidos com a Destruição da Biodiversidade. Não compre
este acordo”, em referência explicita ao acordo de cooperação
energética firmado na última semana entre os dois países e que
inclui exportação de etanol e o compromisso da Alemanha em
seguir na cooperação nuclear “até pelo menos a conclusão de
Angra 3”. Nas costas da camiseta, as frases “Não aos
agrocombustíveis, Não às árvores transgênicas” “Para a
sociedade civil internacional, está bem claro: a CDB não será
palco para o Brasil defender o etanol, com promessas de
sustentabilidade. Os efeitos cumulativos do agronegócio no
país e a expansão massiva das monoculturas são inegavelmente o
maior vetor do desmatamento e de destruição de ecossistemas no
Brasil. A expansão dos agrocombustíveis, da maneira como está
sendo conduzida pelo Governo Brasileiro, só vai agravar esta
situação”, destaca Camila Moreno, da Terra de Direitos.
Ann Peterman,
da Global Justice Ecology Project, organização estadunidense,
alerta que “o próprio secretariado da CDB reconhece que os
riscos das árvores transgênicas são gravíssimos. Diante disso,
a única postura coerente desta conferência seria o banimento
total inclusive dos experimentos em curso.” O Brasil
atualmente tem 21 experimentos de campo com eucaliptos
transgênicos e 04 autorizados com laranjas transgênicas.
Miguel Lovera
da Global Forest Coalition “A CDB está num momento crítico. Os
países têm que assumir medidas efetivas e urgentes para
mudar radicalmente os padrões de produção e consumo. O momento
atual, como demonstra a atual crise alimentar global, não
permite perder tempo com falsas soluções, que somente
agravarão os problemas ambientais e sociais”.
Para Luiz
Zarref, da Via Campesina “a expansão das monoculturas e dos
transgênicos destrói a agrobiodiversidade, da qual depende a
base da alimentação da humanidade. Nós, camponeses e
camponesas de todo o mundo queremos ter o direito de seguir
utilizando e preservando a agrobiodiversidade. A
agrobiodiversidade é nossa vida. Não permitiremos que a
extinguam ou a privatizem.”