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19/06/2007
Milho transgênico motiva
nova batalha jurídica
Mauro Zanatta
A
Justiça Federal do Paraná decidiu ontem suspender a liberação
comercial do milho geneticamente modificado "Liberty Link",
produzido pela multinacional Bayer CropScience. Em medida
liminar, a juíza substituta da Vara Ambiental, Pepita Durski
Mazini, também proibiu a Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança (CTNBio) de deliberar sobre novos pedidos de
aprovação de outros tipos de milho transgênico. A reunião mensal
do colegiado, que começa hoje, prevê a análise de outros dois
tipos de milho transgênico das multinacionais Monsanto e
Syngenta.
Em 16
de maio, a CTNBio aprovou o produto transgênico da Bayer para
uso comercial, com a condição de que fossem realizados estudos
de monitoramento pós-colheita e de coexistência com variedades
convencionais de milho. Por 17 votos a quatro, o colegiado
concluiu que o milho tolerante a herbicidas à base de
glufosinato de amônio não apresentava evidências de ameaça à
saúde humana, animal ou ao meio ambiente.
A
pedido de quatro ONGs, protocolado na tarde da última
sexta-feira, a juíza do Paraná determinou a intimação da
Advocacia-Geral da União (AGU) para apresentar, no prazo de 72
horas, os argumentos em favor da liberação comercial tomada pela
CTNBio. "A decisão da CTNBio é ilegal porque as medidas de
biossegurança devem ser explicitadas com antecedência, o que não
ocorreu", diz a advogada Maria Rita Reis, que representa a Terra
de Direitos, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec),
a ASPTA e a Associação Nacional de Pequenos Agricultores (ANPA).
"Eles liberaram sem normas de monitoramento e coexistência".
A
polêmica decisão do colegiado, tomada após nove anos de
discussões, também havia vinculado o registro da nova variedade
à apreciação do Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS),
composto por 11 ministros de Estado. Antes de aprovar o milho "Liberty
Link", a comissão já havia permitido a comercialização no país
da soja transgênica "Roundup Ready" (1998) e do algodão "Bollgard"
(2003), ambos da multinacional Monsanto.
A
liminar da Justiça Federal sobre o milho parece ser apenas o
primeiro lance de uma nova batalha judicial em torno da
liberação comercial de transgênicos, assim como ocorreu no caso
da soja da Monsanto. O Ministério Público Federal já avisou que
também entrará na Justiça com ações semelhantes.
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