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19/06/2007
Ambientalistas denunciam
manobra em audiências que favorecem as papeleiras no RS
As audiências públicas sobre o
zoneamento ambiental do plantio de eucalipto estão sendo
manipuladas pelo governo do Estado e pelas indústrias papeleiras
(Aracruz, VCP, Stora Enso). A denúncia está sendo feita por
entidades ambientalistas do Rio Grande do Sul. A denúncia é da
agência de notícias Chasque, 18-06-2007.
Segundo
a agência de notícias, as empresas estariam pagando ônibus para
trabalhadores e moradores a fim de lotar as audiências e
defenderem a flexibilização do estudo. A escolha de locais com
poucos lugares e a organização das audiências, que facilita a
intervenção das empresas, também são apontadas como exemplos da
atuação parcial do governo do Estado a favor do setor.
Luiz
Rampazzo, membro do
Centro de Estudos Ambientais (CEA) de Pelotas, critica a
mudança de local da audiência em Santa Maria, que foi feita no
mesmo dia da reunião, e o local escolhido para a audiência em
Pelotas, que era pequeno e deixou centenas de pessoas de fora da
reunião.
Luiz
também denuncia a atuação das empresas, que pagam transporte
para dezenas de pessoas que nem sabem do que se trata a
audiência, mas que defendem mudanças favoráveis às indústrias no
zoneamento.
"A
condução não observou princípios básicos. Dizia na portaria, por
exemplo, que você tinha que apresentar um documento,
representativo da sua entidade, que designasse você como uma
pessoa que possa falar por ela. No segmento das ongs, muita
gente que veio de caravanas de municípios que os transportes
foram pagos por empresas, falaram e não eram ligadas a ong
nenhuma", afirma.
Na
avaliação de Luiz, do CEA, as audiências públicas da Fepam estão
servindo somente para dar um caráter mais democrático às
mudanças que as empresas de celulose querem implementar no
estudo. O ambientalista denuncia a atuação do governo, que
através da direção da Fepam está favorecendo o setor.
"Essa
discussão toda em torno do zoneamento é uma forma de dizer que o
governo do estado está preocupado em fazer alguma coisa. No
entanto, elas podem ser, e acho que vão, ser meramente
figurativas, só para dizer que se está fazendo algo", diz.
A
última audiência pública será nesta terça às 19h, em Caxias do
Sul, no Salão dos Capuchinhos. As entidades ambientalistas
reivindicaram uma audiência em Porto Alegre, que foi negada pela
Fepam. O zoneamento ambiental da monocultura do eucalipto indica
as áreas em que pode ser implantada a atividade em maior e menor
escala. O principal item que desagrada as empresas é que o
plantio de eucalipto e pínus na região Sul, onde fica o Pampa
Gaúcho, não é indicado pela Fepam. Isso porque o Sul e a
Fronteira Oeste concentram a maior parte das terras já compradas
pelas empresas.
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