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19/04/2007
Via Campesina Brasil
protesta contra a liberação do milho transgênico em Brasília
Agricultores
organizados pela Via Campesina fazem protesto em frente ao
Ministério das Ciências e Tecnologia contra a liberação
comercial do milho transgênico no País
A Comissão Técnica Nacional
de Biossegurança (CTNBio) realiza reunião hoje (19), em
Brasília, para definir a liberação do milho transgênico
produzido pelas multinacionais Bayer e Monsanto. A possibilidade
de aprovação da medida leva a Via Campesina a se mobilizar, a
partir das 14h30, em frente ao Ministério das Ciências e
Tecnologia – onde acontece a reunião – para afirmar a posição
dos trabalhadores rurais diante da questão.
Durante
o ato, os integrantes da Via Campesina entregarão no ministério
dois sacos de milho crioulo produzido pelos lavradores no
assentamento Cunha, no município de São Sebastião (DF).
A
liberação comercial do milho transgênico é uma total
irresponsabilidade com os agricultores, a agricultura e com a
biodiversidade brasileira, afirmam os lavradores. Os poucos
estudos realizados até agora pelas empresas de biotecnologia
apenas comparam o teor nutricional do milho transgênico ao do
milho convencional.
Além
disso, não há nenhuma garantia comprovada nem pelas empresas,
nem pela Embrapa, nem pela CTNBio, de que o milho transgênico
possa coexistir com as diferentes formas de agricultura
(convencional, transgênica, orgânica e agroecológica). "Queremos
lembrar que o cruzamento do milho é do tipo aberto, ou seja, o
vento, as nossas roupas, tudo pode levar o pólen transgênico e
contaminar as outras sementes. O risco de perda do material
genético original e a própria perda do direito de escolha do
consumidor são seriamente comprometidos se aprovada a liberação
comercial desta maneira", diz Milton Fornazieri, integrante da
Via Campesina Brasil.
A
audiência pública promovida pela CTNBio, diante de uma ordem
judicial, foi considerada uma grande vitória da sociedade civil
que quer mais esclarecimentos sobre o milho das transnacionais.
No entanto, a audiência foi claramente tendenciosa: a Comissão
não abriu a metodologia do encontro, só aprovou a exposição de
pessoas favoráveis aos transgênicos e desdenhou qualquer
argumentação que fosse de encontro à liberação do milho.
Os
movimentos camponeses defendem a agroecologia e o direito de
todos e todas ao acesso a alimentos saudáveis e de qualidade. A
solicitação de liberação do milho transgênico no Brasil é feita
somente por quatro transnacionais, o que pode levar a um
monopólio de produção de sementes de milho no Brasil.
A Via
Campesina é uma organização camponesa internacional que desde
1993 é responsável pela mobilização e articulação mundial
defendidas pelos camponeses. No Brasil, sete organizações
compõem a Via: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST),
Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Movimento dos Pequenos
Agricultores (MPA), Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB),
Pastoral da Juventude Rural (PJR), Comissão Pastoral da Terra (CPT),
Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB).
Informações:
Mayrá
Lima, Assessora de imprensa – (61) 9966 4842
Milton
Fornazieri/ Paula Pereira, Via Campesina - Brasil – (61) 8176
8823
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