|
19/02/2007
Dois milhões de
mulheres contra o Wal-Mart
Rede enfrenta maior processo
trabalhista dos EUA,
acusada de pagar mais a
funcionários do sexo masculino
Por Amy Joyce, The Washington Post
Um tribunal de
apelação federal determinou na terça-feira que a maior ação
judicial por discriminação sexual da história dos Estados Unidos
poderá prosseguir como uma ação judicial coletiva contra o
Wal-Mart, na qual a empresa é acusada de pagar menos às
funcionárias e dar-lhes menos promoções que aos homens.
A decisão
permitirá que cerca de 2 milhões de mulheres que trabalharam
para a Wal-Mart desde 1998 solicitem compensações por
discriminação como um grupo. O Wal-Mart declarou que solicitará
ao Tribunal de Recursos dos EUA da 9ª Circunscrição em São
Francisco que reconsidere sua decisão. Fora isso, a empresa
solicitará à Suprema Corte dos EUA que derrube o recurso.
“Achamos que
esta análise é condescendente demais com as funcionárias e errou
em não levar em consideração as provas do Wal-Mart”, disse
Theodore Boutrous, um dos advogados do Wal-Mart. Segundo ele, a
decisão judicial não trata dos méritos das alegações das
mulheres, mas sim se o processo atende os requisitos para ir
adiante como ação judicial coletiva.
O processo
judicial, protocolado inicialmente por seis funcionárias em 2001
e que deve reunir até 2 milhões, é a maior ação judicial por
discriminação sexual já impetrada contra uma empresa. As
mulheres que protocolaram a ação estão representadas pela Impact
Fund, uma entidade sem fins lucrativos com sede na Califórnia.
“Não há ações
de relações públicas ou de publicidade que impeçam o Wal-Mart de
enfrentar sua conduta discriminatória”, disse numa entrevista
Brad Seligman, advogado e diretor da Impact Fund. “A expectativa
é que eles tentem apelar novamente, mas tenho confiança que as
mulheres terão oportunidade de falar no tribunal”.
O juiz do caso
original determinou que os advogadas das seis mulheres
apresentaram indícios suficientes para uma ação judicial
coletiva, considerando “os números descritivos em grande parte
incontestáveis que mostram que as mulheres recebem menos que os
homens em todas as regiões do país, que a disparidade salarial
existe na maioria das funções, que a diferença de salário
aumenta com o decorrer do tempo mesmo entre homens e mulheres
contratados para a mesma função na mesma época e que a
porcentagem de mulheres vai sendo reduzida à medida que sobe a
hierarquia”.
A empresa
alega que suas lojas são gerenciadas por profissionais que têm
autonomia sobre a contratação e salários. Boutrous argumentou
que a decisão de milhares de gerentes nas 3,4 mil lojas durante
um período de seis anos foram “individualizadas e não podem ser
julgadas todas de uma vez como um ação coletiva nacional”.
Richard Drogin,
estatístico contratado pelas vítimas, diz que as mulheres levam
4,38 anos para serem promovidas a gerente-assistente enquanto
para os homens esse tempo é de 2,86 anos. Ele concluiu que as
mulheres gerentes ganham um salário médio de US$ 89.280 ao ano,
enquanto que os homens na mesma posição ganham US$ 105.682 por
ano.
Publicado no Jornal Estado de
Sao Paulo,
dia 8 de fevereiro de 2007. |