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18/12/2007
Pela não
transposição do Rio São Francisco
Solidariedade a D. Cappio
Nós
mulheres camponesas, mães e lutadoras organizadas no Movimento
de Mulheres Camponesas - MMC temos consciência que se queremos
ser fiéis à missão de libertação da mulher, de produzir
alimentos saudáveis e transformar da sociedade implica na luta
contra o modelo de sociedade capitalista e patriarcal.
Este
modelo que se orienta pela ação do capital imperialista
através do agro e hidronegócio. Uma de suas ações é o projeto
de transposição do Rio São Francisco que visa sustentar os
interesses de empreiteiros e de empresários ligados as
transnacionais.
Em
2005, D. Cappio juntamente com os movimentos sociais e
pastorais levantaram-se profeticamente em defesa dos pobres e
do rio São Francisco e fez sua primeira greve de fome, por 11
dias. Na capela de Sobradinho, Bahia. Dom Cappio recusou
alimentos até que o governo Lula prometeu em rediscutir o
projeto e promover a revitalização do rio.
Passado algum tempo, o governo não honrou o compromisso
assumido em 2005, e iniciou as obras de transposição orçada em
R$ 5 bilhões, em uma região onde predomina o latifúndio e
cerca de 12 milhões de pessoas não tem acesso à propriedade da
terra, atingirá também 34 comunidades indígenas e 153
comunidades quilombolas. Este projeto atinge 391 municípios de
4 Estados (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará).
Além disso, 71% da água do eixo norte, passa longe dos sertões
menos chuvosos e 87% dessas águas seriam para grandes
atividades econômicas voltadas a exportação, como fruticultura
irrigada, criação de camarão.
Cabe
ainda lembrar a Articulação do Semi-Árido (ASA) que se propõe
construir um milhão de cisternas e construiu 220 mil. Ação
barata para aliviar os graves períodos de secas que a
população enfrenta, mas apenas 25% das cisternas foram
construídas.
No
Supremo Tribunal Federal, há 14 ações que comprovam
ilegalidades e irregularidades do projeto de Transposição do
Rio São Francisco que não foram julgadas, mas para dar
continuidade às obras o governo colocou o Exército. A decisão,
do dia 10/12/2007, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª
Região, de Brasília, decidiu pela suspensão das obras. Isso
mostra como esta obra vem sendo conduzida de forma arbitraria
e autoritária. O que está em jogo é que nação queremos para
nós, nossas filhas e filhos, ou uma nação sob a dominação do
hidro-agronegócio.
Além
disso, a transposição terá profundos impactos ambientais e
sociais em toda a extensão. Estudos ambientais não foram
concluídos pela comunidade científica.
Neste
tempo onde a VIDA, a NATUREZA parece não ter mais valor e que
o capital dominou os corações, Dom Luiz Flávio Cappio iniciou,
dia 28 de novembro, jejum e orações em defesa ao Rio São
Francisco, contra a transposição, em favor as comunidades que
vivem a seu curso, ribeirinhos, pescadores, quilombolas,
indígenas e por todos os que sofrem e são vitimas da seca e
sede no nordeste.
D.
Cappio, coloca sua liderança para materializar e dar
visibilidade a milhares de pessoas que estão lutando com todas
as forças em defesa do Rio São Francisco, pois o Rio significa
a continuidade da vida naquela região, nos faz lembrar, João
Batista que disse: Eu sou a voz que clama no deserto por
justiça e verdade... Hoje é nosso tempo de cuidar e
preservar a biodiversidade, a água, enfim todas as formas de
vida... pois em nome do lucro num futuro próximo
infelizmente poderemos não ter um copo de água para alcançar a
nossos filhos e filhas.
Conclamamos todas as mulheres lutadoras e geradoras da vida,
organizadas no MMC, somarmos na luta contra a transposição do
Rio São Francisco, pela dignidade dos povos,pela preservação
de tantas vidas animais e vegetais da região e pela soberania
nacional.
Fortalecer
a Luta em defesa da Vida! Sempre! |