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17/08/2007
Previdência Social
Na luta pelos
direitos, mulheres e homens camponeses continuam alertas e
mobilizando a base na garantia do direitos do povo trabalhador
Desde
o informe, no início de 2007, de que os direitos sociais dos
trabalhadores e trabalhadoras novamente estavam em risco, as
mulheres camponesas vêm se desafiando e levando a discussão da
garantia dos direitos aos mais diferentes espaços; além de
fazer abaixo-assinados e mobilizar gente para uma possível e
necessária mobilização nacional.
Várias movimentações vem sendo feitas na garantia daquilo que
consideramos essencial e um dos pilares para a permanência do
povo no campo, além de ser um direito.
Atualmente as mulheres camponesas, organizadas no Movimento de
Mulheres Camponesas Brasil continuam vigilantes a alertas,
desenvolvendo trabalhos e ações em defesa da vida e da
garantia da qualidade de vida da população. Para isso,
continuam mobilizadas na defesa da Previdência Pública
Universal e Solidária.
Abaixo seguem algumas informações do processo desenvolvido até
então e da conjuntura atual.
1.
O Fórum Nacional da Previdência
Social (FNPS) instituído pelo Governo Federal continua em
andamento, a previsão é que até final de setembro de 2007 se
concluam os trabalhos e seja apresentado um documento final
com as propostas que foram discutidas. Este documento servirá
de subsídio para o Governo Federal, que poderá acatar as
propostas ou não. O FNPS não é deliberativo, porém, estuda
estratégias de médio e longo prazo para a reforma da
previdência.
É
importante saber que qualquer deputado pode se apropriar do
conteúdo deste documento e apresentá-lo na forma de Projeto de
Lei (PL).
O
conteúdo das reuniões do FNPS tem o caráter de retirar
direitos dos trabalhadores/as como já dissemos em outros
informes. O debate central é que a Previdência gasta mais do
que arrecada, que as pessoas hoje vivem mais e por isso tem
que aumentar a idade para se aposentar, que as mulheres vivem
mais que os homens e por isso teriam que se aposentar com a
mesma idade, que os rurais como segurados especiais
representam um peso para a Previdência, sendo necessário
pensar como aumentar a arrecadação.
2.
O Discurso do Presidente Lula e
do Ministro da Previdência Social Luiz Marinho é de não
retirar os direitos dos trabalhadores/as, porém, segundo eles,
será necessário fazer ajustes a médio e longo prazo, ou seja,
fazer mudanças futuras.
3.
O Movimento de Mulheres
Camponesas entende que é necessário se mobilizar, fazer o
debate com a sociedade, com outras organizações, com o
Governo, deputados e senadores para afirmar a nossa proposta.
Caso contrário, seremos muito prejudicadas na reforma da
previdência porque os capitalistas têm muito poder na Câmara
dos Deputados, no Senado e no próprio Governo.
A
Previdência Pública Universal e Solidária é uma das poucas
políticas que distribui renda e mantém muita gente na roça,
isso atrapalha o avanço e os interesses do capitalismo, do
agronegócio, das transnacionais, dos banqueiros, enfim, do
modelo neoliberal que quer cada vez menos gente no campo para
facilitar o acúmulo de terra, o controle da produção, dos bens
naturais (água, terra, sementes, biodiversidade), e o povo
cada vez mais dependente.
Outra
questão que interessa ao capital é acabar com a Previdência
Pública Universal e Solidária abrindo caminho cada vez maior
para a Previdência Privada, ou seja, para os Fundos de Pensão.
4.
O Governo somente vai manter
nossos direitos se fizermos a pressão necessária mostrando o
outro lado da moeda: que o Brasil deve ser do Povo Brasileiro,
que o Estado tem que garantir Políticas Públicas para quem
trabalha, que é o trabalho que gera riqueza e que são os
camponeses e camponesas que produzem 70% de toda a produção da
comida que vai para a mesa dos brasileiros. Portanto, sua
forma de contribuição é diferente, e por isso sua condição é
de segurados especiais.
5.
Uma das lutas centrais do MMC é
pelo acesso universal à Previdência Social, por isso, em nível
nacional vem fazendo articulações e debates com outras
organizações sociais, dentre elas, os outros movimentos da Via
Campesina (MST, MPA, MAB, CPT, PJR, CIMI, FEAB); com os
movimentos sindicais do campo(Fetraf e Contag); com o Fórum
Nacional de Reforma Agrária, e com os Movimentos de Mulheres
Urbanas; com o objetivo de garantir os direitos dos/as
trabalhadores/as do campo e da cidade.
6.
Por outro lado, tramita na
Câmara dos Deputados o PL 1154/2005, no qual estão apensados
(juntados) mais de 20 PLs que tratam da previdência dos
trabalhadores/as rurais. Projeto este, acordado nos últimos 2
(dois) anos entre os vários segmentos do campo. O MMC
trabalhou conjuntamente na elaboração desse Projeto com o
deputado Dr. Rosinha PT/PR que, na época, era o relator do PL.
Atualmente esse Projeto de Lei já passou pela Comissão de
Agricultura sem alterações no dia 15 de agosto de 2007.
7. Nós devemos aproveitar todos
os momentos de mobilização, para fazer o debate da previdência
e intensificar o abaixo-assinado.
Em
todos os espaços e eventos, nos municípios, estados e em nível
nacional, nas mobilizações sociais, plenárias, assembléias,
fóruns e conferências. Além disso, realizaremos na primeira
semana de outubro uma mobilização em Brasília junto com o
Fórum Nacional da Reforma Agrária.
Entendemos que as lutas pela reforma agrária, pela mudança dos
índices de produtividade, pelo limite máximo da propriedade, o
plebiscito da Vale do Rio Doce, a mobilização pela manutenção
da previdência pública, universal e solidária e condição de
segurados/as especiais, bem como, as mobilizações contra os
transgênicos, contra o avanço das transnacionais e dos
monocultivos, fazem parte das nossas lutas pela afirmação da
soberania do Povo Brasileiro.
Por
último, queremos reforçar a necessidade de fortalecer a nossa
organização e articulação com os outros movimentos do campo e
da cidade para continuar a luta de resistência e avançar na
Soberania do Povo Brasileiro.
“Fortalecer a
luta em defesa da vida sempre”. |