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16/06/2007
Carta do 5º Congresso
Nacional do MST
Nós, 17.500 trabalhadoras e
trabalhadores rurais Sem Terra de 24 estados do Brasil, 181
convidados internacionais representando 21 organizações
camponesas de 31 países e amigos e amigas de diversos movimentos
e entidades, reunidos em Brasília entre os dias 11 e 15 de junho
de 2007, no 5º Congresso Nacional do MST, para
discutirmos e analisarmos os problemas de nossa sociedade e
buscarmos apontar alternativas.
Nos
comprometemos a seguir ajudando na organização do povo, para que
lute por seus direitos e contra a desigualdade e as injustiças
sociais. Por isso, assumimos os seguintes compromissos:
1. Articular com todos os
setores sociais e suas formas de organização para construir um
projeto popular que enfrente o neoliberalismo, o imperialismo e
as causas estruturais dos problemas que afetam o povo
brasileiro.
2. Defender os nossos
direitos contra qualquer política que tente retirar direitos já
conquistados.
3. Lutar contra as
privatizações do patrimônio público, a transposição do Rio São
Francisco e pela reestatização das empresas públicas que foram
privatizadas.
4. Lutar para que todos os
latifúndios sejam desapropriados e prioritariamente as
propriedades do capital estrangeiro e dos bancos.
5. Lutar contra as
derrubadas e queimadas de florestas nativas para expansão do
latifúndio. Exigir dos governos ações contundentes para coibir
essas práticas criminosas ao meio ambiente. Combater o uso dos
agrotóxicos e a monocultura em larga escala da soja,
cana-de-açúcar, eucalipto, etc.
6. Combater as empresas
transnacionais que querem controlar as sementes, a produção e o
comércio agrícola brasileiro, como a Monsanto, Syngenta, Cargill,
Bunge, ADM, Nestlé, Basf, Bayer, Aracruz, Stora Enso, entre
outras. Impedir que continuem explorando nossa natureza, nossa
força de trabalho e nosso país.
7. Exigir o fim imediato do
trabalho escravo, a super-exploração do trabalho e a punição dos
seus responsáveis. Todos os latifúndios que utilizam qualquer
forma de trabalho escravo devem ser expropriados, sem nenhuma
indenização, como prevê o Projeto de Emenda Constitucional já
aprovado em primeiro turno na Câmara dos Deputados.
8. Lutar contra toda forma
de violência no campo, bem como a criminalização dos Movimentos
Sociais. Exigir punição dos assassinos – mandantes e executores
- dos lutadores e lutadoras pela Reforma Agrária, que permanecem
impunes e com processos parados no Poder Judiciário.
9. Lutar por um limite
máximo do tamanho da propriedade da terra. Pela demarcação de
todas as terras indígenas e dos remanescentes quilombolas. A
terra é um bem da natureza e deve estar condicionada aos
interesses do povo.
10. Lutar para que a
produção dos agrocombustíveis esteja sob o controle dos
camponeses e trabalhadores rurais, como parte da policultura,
com preservação do meio ambiente e buscando a soberania
energética de cada região.
11. Defender as sementes
nativas e crioulas. Lutar contra as sementes transgênicas.
Difundir as práticas de agroecologia e técnicas agrícolas em
equilíbrio com o meio ambiente. Os assentamentos e comunidades
rurais devem produzir prioritariamente alimentos sem agrotóxicos
para o mercado interno.
12. Defender todas as
nascentes, fontes e reservatórios de água doce. A água é um bem
da Natureza e pertence à humanidade. Não pode ser propriedade
privada de nenhuma empresa.
13. Preservar as matas e
promover o plantio de árvores nativas e frutíferas em todas as
áreas dos assentamentos e comunidades rurais, contribuindo para
preservação ambiental e na luta contra o aquecimento global.
14. Lutar para que a classe
trabalhadora tenha acesso ao ensino fundamental, escola de nível
médio e a universidade pública, gratuita e de qualidade.
15. Desenvolver diferentes
formas de campanhas e programas para eliminar o analfabetismo no
meio rural e na cidade, com uma orientação pedagógica
transformadora.
16. Lutar para que cada
assentamento ou comunidade do interior tenha seus próprios meios
de comunicação popular, como por exemplo, rádios comunitárias e
livres. Lutar pela democratização de todos os meios de
comunicação da sociedade contribuindo para a formação da
consciência política e a valorização da cultura do povo.
17. Fortalecer a
articulação dos movimentos sociais do campo na Via Campesina
Brasil, em todos os Estados e regiões. Construir, com todos os
Movimentos Sociais a Assembléia Popular nos municípios, regiões
e estados.
18. Contribuir na
construção de todos os mecanismos possíveis de integração
popular Latino-Americana, através da ALBA - Alternativa
Bolivariana dos Povos das Américas. Exercer a solidariedade
internacional com os Povos que sofrem as agressões do império,
especialmente agora, com o povo de Cuba, Haiti, Iraque e
Palestina.
Conclamamos o povo brasileiro para que se organize e lute por
uma sociedade justa e igualitária, que somente será possível com
a mobilização de todo o povo. As grandes transformações são
sempre obra do povo organizado. E, nós do MST, nos comprometemos
a jamais esmorecer e lutar sempre.
Reforma Agrária:
Por Justiça Social e Soberania Popular!
Brasília, 15 de
junho de 2007
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