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Jornada Nacional de Lutas 2011
A
Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, promovida
pelo MST em todo o país, é realizada em memória aos 21
companheiros assassinados no Massacre de Eldorado de Carajás
(19 executados na hora e mais dois que não se recuperaram e
morreram no hospital), em operação da Polícia Militar, no
município de Eldorado dos Carajás, no Pará, em 1996, no dia
17 de abril.
A data é Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, assinado
pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, a partir de
proposta da então senadora Marina Silva.
Depois de
15 anos de um massacre de repercussão internacional, o país
ainda não resolveu os problemas dos pobres do campo, que
continuam sendo alvo da violência dos fazendeiros e da
impunidade da justiça.
Reivindicações
Com as
lutas, cobramos do governo medidas de curto e médio/longo
prazo para assentar as famílias acampadas e desenvolver os
assentamentos, tendo como eixo quatro medidas:
1-Exigimos
um plano emergencial do governo federal para o assentamento
das 100 mil famílias acampadas até o final deste ano. Temos
famílias acampadas há mais de cinco anos, vivendo em
situação bastante difícil à beira de estradas e em áreas
ocupadas, que são vítimas da violência do latifúndio e do
agronegócio.
2-Até o
meio do ano, queremos que o governo apresente um plano de
metas de assentamentos em áreas desapropriadas até 2014.
3-Precisamos de um programa de desenvolvimento dos
assentamentos, com investimentos públicos, crédito agrícola,
habitação rural, educação e saúde. Os nossos assentados
também passam por uma situação bastante difícil, com a falta
de investimento público para crédito rural e infra-estrutura
em áreas de reforma agrária, como casa, saneamento básico,
escola e hospital.
4-Precisamos de medidas para garantir educação nos
assentamentos, com a construção de escolas nos assentamentos
(em todos os níveis, do infantil, passando pelo fundamental
até o médio), um programa de combate ao analfabetismo e
políticas para a formação de professores no meio rural.
Combate
à pobreza
Um
levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad) aponta que a insegurança alimentar é maior na área
rural do que na urbana. Enquanto 6,2% e 4,6% dos domicílios
em área urbana apresentavam níveis moderado e grave de
insegurança alimentar, respectivamente, na área rural as
proporções foram de 8,6% e 7%.
A
presidenta Dilma fez o compromisso de acabar com a pobreza
no seu governo. Só é possível acabar com a pobreza com a
realização da Reforma Agrária e políticas para o
desenvolvimento dos assentamentos. A Reforma Agrária, casada
com um programa de agroindustrialização da produção, é a
resposta para enfrentar a pobreza, porque gera renda, cria
empregos e aumenta a produção de alimentos.
Agroindústrias
Precisamos
fortalecer os assentamentos consolidados, com a
implementação de um programa de agroindústrias. Com a
industrialização dos alimentos, a produção ganha valor
agregado, elevando a renda das famílias. A criação das
agroindústrias vai criar uma cadeia produtiva para a geração
de empregos no campo. Há um grande potencial de criação de
postos de trabalho, mas nossos assentados passam por uma
situação bastante difícil, com a falta de investimento
público para crédito rural e infra-estrutura em áreas de
reforma agrária, como casa, saneamento básico, escola e
hospital.
Defendemos
uma linha de crédito especial para as famílias assentadas,
para fomentar a produção de alimentos e garantir renda às
famílias. O Pronaf é insuficiente para atender ao público da
reforma agrária e da agricultura familiar, pois o volume de
recursos não atende a todos os setores. Apenas 15% das
famílias conseguem acessar o Pronaf, porque o programa não
considera especificidades das áreas de reforma agrária. O
agronegócio absorve a maior parte dos créditos agrícolas e
não paga as suas dívidas. Desde 1995, os fazendeiros já
renegociaram suas dívidas quatro vezes.
Contra
os agrotóxicos
O Brasil é
o maior consumidor de agrotóxicos do mundo desde 2009. Mais
de um bilhão de litros de venenos foram jogados nas
lavouras, de acordo com dados oficiais. Os agrotóxicos
contaminam a produção dos alimentos que comemos e a água
(dos rios, lagos, chuvas e os lençóis freáticos) que
bebemos. Mas os venenos não estão só no nosso prato.
Todo o
ambiente, os animais e nós, seres humanos, estamos
ameaçados. Os agrotóxicos causam: câncer, problemas
hormonais, problemas neurológicos, má formação do feto,
depressão, doenças de pele, problemas de rim, diarréia,
vômitos, desmaio, dor de cabeça, problemas reprodutivos,
contaminação do leite materno.
Precisamos
de uma nova matriz de produção agrícola. O modelo do
agronegócio se sustenta no latifúndio, na mecanização
predadora, na expulsão das famílias do campo e no uso
exagerado de agrotóxicos. Queremos a proibição do uso dos
venenos. No lugar dos latifúndios, defendemos pequenas
propriedades e Reforma Agrária.
Somos
favoráveis ao “Desmatamento zero”, acabando com devastação
do ambiente. Em vez da expulsão campo, políticas para
geração de trabalho e renda para a população do meio rural.
Novas tecnologias que contribuam com os trabalhadores e
acabem com a utilização de agrotóxicos. Daí será possível um
jeito diferente de produzir: a agroecologia. |