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14/08/2007
Ministério Público
da Bahia denuncia Veracel por crime ambiental
A
empresa Veracel é uma sociedade entre a sueca-finlandesa Stora
Enso, a norguesa Lorentzen, e as brasileiras Votorantim e
BNDES
Eunápolis
- O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou à Justiça na
última sexta-feira, 10, a empresa Veracel Celulose S/A por
crime ambiental na região de Eunápolis, no sul do Estado. A
ação foi encaminhada após o recebimento de parecer do Ibama
que constatou o uso irregular do herbicida scout-na, cujo
princípio ativo é o glifosato, em 31,6 hectares de área de
reflorestamento mantida pela empresa em cumprimento ao Termo
de Ajustamento de Conduta firmado com o Centro de Recursos
Ambientais (CRA).
De
acordo com a denúncia, o agrotóxico só poderia ser utilizado
em plantações de eucalipto ou pinho, mas estaria afetando
espécies da Mata Atlântica nativa utilizadas no "Projeto
Jequitibá", além de contaminar nascentes e margens de córregos
na região. A denúncia prevê a aplicação de multa, com valor a
ser definido pela Justiça, e pena de reclusão de um a quatro
anos para o diretor-presidente da empresa, Renato Gueron.
A
denúncia foi encaminhada pelo promotor de Eunápolis, Dinalmari
Messias, segundo o qual o uso da substância é caracterizada
como crime por estar em desacordo com o que prevê seu registro
no Ministério da Agricultura, o que contraria a determinação
do artigo 3º da Lei nº. 7.802/89, que trata da comercialização
e do uso de agrotóxicos. A sanção sugerida pelo MPE à Justiça
está prevista em outra determinação legal, o art. 56 da Lei
9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais). De acordo com o
dispositivo, é considerado crime o uso de "substância tóxica,
perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em
desacordo com as exigências em leis ou nos seus regulamentos".
O
promotor afirma ainda que a denúncia ao Ibama foi encaminhada
em fevereiro deste ano por populares. O MPE documentou a
infração baseada em documentos e registros fotográficos feitos
pelo órgão ambiental, além de contar com o depoimento de
funcionários da empresa.
Segundo Messias, a Veracel estaria utilizando o agrotóxico
como forma de evitar a necessidade de roçagem do terreno. "É
uma forma de contenção de custos. Além do trabalho maior, a
roçagem manual deve ser repetida a cada três meses, enquanto a
aplicação do herbicida normalmente é feita a cada seis meses",
explica.
Em
comunicado oficial, a Veracel informou que não vai se
pronunciar sobre o assunto enquanto não for citada
judicialmente.
Fonte:
www.atlanticanews.com |