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Peru - Fórum Alternativo à Convenção Mineira debate propostas de comunidades afetadas pela mineração
Karol Assunção
Jornalista da Adital
Adital
"Discutir e revitalizar as propostas das comunidades afetadas pela mineração diante do atual modelo de desenvolvimento baseado nas indústrias extrativas”. É com esse objetivo que organizações sociais, indígenas e comunidades afetadas pela mineração no Peru realizam, a partir desta terça-feira (13), o Fórum Nacional dos Povos Alternativo à 30ª Convenção Mineira. O evento se estende até a próxima sexta-feira (16) em Arequipa e é uma atividade alternativa à Convenção promovida por empresários mineiros nesta semana.
De acordo com comunicado divulgado ontem (11) pela Confederação Nacional de Comunidades do Peru Afetadas pela Mineração (Conacami), a ideia do encontro das organizações sociais é debater propostas que assegurem os direitos das comunidades afetadas pela exploração mineira. A intenção é que as discussões realizadas no Fórum sejam acrescentadas na agenda das autoridades e dos empresários mineiros do país.
"Também buscamos apresentar propostas - para as autoridades políticas, para o setor empresarial mineiro e para a opinião pública nacional - de temas relacionados aos impactos das indústrias extrativas nos direitos das comunidades, na saúde humana, nas liberdades fundamentais e na grave crise dos efeitos da mudança climática”, destaca.
Conacami chama a atenção para as consequências do atual modelo de desenvolvimento do país, que, segundo a Confederação, "acentua a situação histórica de exclusão, discriminação e afeta os direitos das comunidades andinas, amazônicas e da costa”.
Prova disso é o que ocorre com as populações afetadas com a exploração mineira. Conforme a Confederação, a imposição das atividades mineiras, por exemplo, amplia os conflitos ambientais e contribui para o aumento da vulnerabilidade de mulheres e meninas de comunidades afetadas.
Ademais, Conacami alerta para a criminalização de dirigentes e lideranças das comunidades. "Está comprovado que o Estado peruano tem instaurado uma série de mecanismos legais questionáveis, os quais são utilizados através de suas instituições como o Poder Judicial, o Ministério Público e a Polícia Nacional para dar ‘solução' aos diversos conflitos sociais gerados pela imposição das atividades mineiras, implementando ações judiciais e policiais que violam direitos e liberdades fundamentais”, afirma.
De acordo com a organização, centenas de líderes sociais estão sendo processados no país por conta das lutas contra as atividades mineiras. Na região de Piura, por exemplo, segundo o comunicado, cerca de 300 pessoas das comunidades de Ayabaca e Huancabamba têm processos relacionados às atividades da empresa Zeijing.
A Confederação ainda ressalta a contaminação de comunidades por conta de metais tóxicos utilizados no processo de exploração mineira. "Entre os casos emblemáticos identificamos que [na região de] Junín existem cerca de 30 mil pessoas na localidade de La Oroya intoxicadas pelas atividades da fundição da [empresa] Doe Run; em Pasco existem cerca de 300 pessoas nas localidades de Champamarca e Quiulacocha intoxicadas pelos passivos ambientais de Centromin Peru; na província de Callao, existem cerca de 80 mil pessoas intoxicadas pelas atividades de transporte e armazenamento de minerais das empresas Peru Bar, Neptunia e Cormin”, aponta.
O Fórum Nacional dos Povos Alternativo à 30ª Convenção Mineira acontece de amanhã (13) até a próxima sexta-feira (16) na Associação de Criadores, Proprietários e Aficionados de Touros de Briga de Arequipa. A programação completa está disponível em: http://servindi.org/img/2011/09/Programa.pdf |