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Coalizão lança campanha de auto-cuidado entre mulheres
de universidade mexicana
Camila Queiroz
Jornalista da ADITAL
Adital
No último dia 6, a Coalizão contra o Tráfico de Mulheres e Meninas na América Latina e no Caribe (CATWLAC, por suas siglas em inglês) lançou, na Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), a campanha Nem uma a mais na Unam. O objetivo é realizar, a partir deste mês, oficinas com funcionárias, acadêmicas e estudantes da instituição para criar coletivamente um protocolo de auto-cuidado. A data de lançamento da campanha não foi escolhida ao acaso, mas para marcar um ano do desaparecimento da estudante de arquitetura da Unam, Adriana Eugenia Morlett Espinosa. Por isso, junto ao lançamento da campanha houve outras atividades. Pela tarde, ocorreu uma missa no Centro Universitário Cultural e, depois, no hall da Faculdade de Arquitetura, foi apresentada a peça teatral Minha primeira vez. As ações por justiça no caso da estudante desaparecida continuam. Chegaram ao México, hoje (12), duas antropólogas forenses argentinas para analisar um crânio encontrado em dezembro de 2010 pela delegação Tlalpan e atribuído a Adriana. As mostras recolhidas pelas forenses serão analisadas em um laboratório dos Estados Unidos. O resultado deve sair entre um e três meses.
De acordo com a diretora da Coalizão, Teresa Ulloa, o grupo pagará pelos serviços das especialistas porque o presidente do Tribunal Superior de Justiça do Distrito Federal (TSJDF), Edgar Elías, afirmou que o Serviço Médico Forense (Semefo) não dispõe de tecnologia para analisar o DNA a partir de mostras ósseas.
Além disso, a ativista lembrou que nos casos de feminicídio em Ciudad Juárez, as amostras passaram pelo Semefo e depois por serviços periciais da Procuradoria Geral da República (PGR), que confirmou os resultados do Semefo. Contudo, depois as análises se mostraram incorretas.
Somados a esta incapacidade tecnológica, a ativista apontou que há vários erros na condução das investigações, como a afirmação precipitada, de Edgar Elías, de que o crânio pertenceria à estudante.
Para o grupo feminista, a afirmativa teria o objetivo de encerrar o caso. Teresa informou ainda que as linhas de investigação se contradizem e três delas apontam que a jovem estaria viva, no exterior.
A ativista qualificou de "irresponsáveis e pouco sensíveis” as declarações dadas à imprensa. Ressaltou que elas infringem o segredo nas investigações, estabelecido no artigo 16 do Código de Procedimentos Penais do Distrito Federal.
Teresa também pediu à imprensa que utilize com cautela e responsabilidade as informações sobre o caso. Reiterou ainda que o grupo e a família seguirão firmes na busca pelo paradeiro da moça.
Da mesma forma, o pai de Adriana, Javier Morlett Macho, pediu apoio à sociedade. "Que me ajudem a encontrá-la, que estejam alertas e qualquer informação que tenham sobre ela não hesitem em dá-la à família, à PGR, aos meios de comunicação, que não paremos até encontrá-la”, afirmou.
Marcha pede justiça para jornalistas assassinadas
Ontem (11), jornalistas, organizações sociais e sindicatos se reuniram em marcha para pedir justiça pelo assassinato das jornalistas Marcela Yarce e Rocío González Trápaga. Elas foram sequestradas, torturadas e mortas no dia 31 de agosto, na Cidade do México, por volta das 21h, após saírem da redação da revista de jornalismo investigativo Contralínea, onde trabalhavam.
Solidários às vítimas, os manifestantes marcharam do Anjo da Independência até a Secretaria de Governo, onde pediram pelo fim da impunidade nos assassinatos de jornalistas e pela garantia de liberdade de expressão e condições de trabalho para a categoria. |