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12/06/2008
Informe
sobre a votação da MP 410/2007 no Congresso Nacional
No momento
em que se comemoram os 20 anos da promulgação da Constituição
Federal, chamada de “Constituição Cidadã” que consolidou
direitos previdenciários, reafirmamos a defesa da previdência
pública universal e solidária, bem como, a manutenção da
condição de segurados/as especiais como luta histórica do
Movimento de Mulheres Camponesas e de todos os movimentos da
Via Campesina.
Quando da
implementação e avanço das políticas neoliberais ocorridas
durante os governos Collor de Melo, FHC, e hoje no governo
Lula, de tempos em tempos os mesmos manifestam interesse em
dar continuidade à reforma da previdência. O argumento central
para retomar a reforma é que haveria um suposto déficit da
previdência, ou seja, se gasta mais do que se arrecada.
Não há
déficit, já está comprovado que isto não é verdade, está
sobrando dinheiro no caixa da previdência social. O problema é
que o dinheiro arrecadado não é aplicado na sua totalidade na
seguridade social. Infelizmente vemos o dinheiro que deveria
ir para as políticas públicas sendo utilizado para fazer
superávit (fazer sobrar dinheiro) para, por exemplo, pagar a
dívida externa.
Outro
argumento utilizado pelo Ministério da Previdência é que as
pessoas estão vivendo por mais tempo, por isso o governo
defende que se aumente a idade para buscar a aposentadoria.
Por outro lado, se a média de vida tem aumentado, a qualidade
de vida da grande maioria da população não é boa, as pessoas
ficam doentes, tem muitas dificuldades financeiras, e a maior
parte de seu dinheiro é gasto na farmácia.
Como
estratégia para avançar na reforma, o Governo federal criou o
Fórum Nacional da Previdência Social onde fizeram parte o
governo, representantes dos empresários e das centrais
sindicais. Os movimentos sociais não tiveram espaço para
participar. Esta foi uma clara tentativa do governo para
construir hegemonia sobre sua proposta.
Para fazer
enfrentamento a este Fórum e apresentar nossas propostas foi
constituído o Fórum Itinerante e Paralelo da Previdência
Social (FIPPS) pelo MMC e demais organizações de mulheres.
Neste Fórum elaboramos propostas, realizamos debates,
seminários e mobilizações fazendo o contraponto ao Fórum
oficial. Como resultado deste processo, demarcamos campo e
conseguimos evitar que se aprovassem propostas que iriam
contra os trabalhadores/as, como, por exemplo, aumentar a
idade para aposentadoria dos urbanos e dos segurados
especiais.
Por outro
lado, não conseguimos fazer com que o Fórum oficial avançasse
na inclusão de segmentos da sociedade que estão fora do
sistema de seguridade social, como as donas de casa, a grande
massa de trabalhadores/as informais urbanos (40% da
população), os catadores de material reciclável, entre outros
excluídos.
O governo
não satisfeito com os resultados alcançados nos debates do
Fórum oficial, preocupado em garantir seu objetivo de retomar
reforma da previdência, e com isso aumentar a idade para a
aposentadoria e diminuir os gastos com políticas públicas,
enviou ao Congresso Nacional a Medida Provisória – MP 410/2007
na tentativa de dar continuidade a este processo.
Esta Medida
Provisória é mais uma forma de aumentar a burocracia e
dificultar o acesso dos trabalhadores/as aos direitos
previdenciários. Mais uma vez na história a preocupação do
governo é com a arrecadação, é com o caixa. Os trabalhadores
são um peso. O pagamento dos direitos previdenciários é visto
como gasto e não como investimento em relação à população.
A Medida
Provisória teve como relator na Câmara dos Deputados o
deputado Assis do Couto, do Paraná, que com uma postura
tendenciosa se articulou e elegeu como único interlocutor a
Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura -
Contag, e se negou a receber e dialogar com os movimentos
sociais do campo.
A MP 410/2007 trouxe
basicamente as seguintes questões que nos preocupam, mas
infelizmente foram aprovadas:
#
O
contrato de trabalho de curta duração para os assalariados
rurais(que não obriga o empregador a assinar carteira);
# A
proposta de dividir os recursos do Pronaf para construção e
reforma de moradias;
# A
exigência de que quem industrializa artesanalmente produtos e
comercializa passa a pagar Imposto sobre Produtos
Industrializados – IPI, perdendo assim a condição de segurado
especial.
# Os
segurados especiais que comercializarem pouco ou nada, deverão
comunicar este fato ao INSS todos os anos.
# Os
trabalhadores rurais que não comprovem o exercício de
atividade rural consecutivamente por 15 anos, somente se
aposentarão se mulher com 60 anos e se homem com 65 anos.
Esta Medida
Provisória (MP) foi aprovada na Câmara dos Deputados, seguiu
para o Senado e teve como relator o Senador Flávio Arns PT/PR,
que teve um bom diálogo com todas as organizações do campo.
Desta forma, construímos várias emendas, porém, o governo
através de seu líder orientou voto contrário ao relatório do
Senador Arns.
Com os votos
da base aliada e da bancada ruralista o relatório do Senador
Arns foi derrotado. Portanto, a MP voltou para a Câmara dos
Deputados e o que foi votado e aprovado foi o relatório do
deputado Assis. Queremos destacar que houve um amplo acordo
entre governo, Contag e o agronegócio para a aprovação desta
MP.
O próximo
passo cabe ao Presidente da República que poderá sancionar
(aprovar) ou vetar esta Medida Provisória.
Por outro
lado, se o governo está preocupado em arrecadar mais, precisa
cobrar de quem lucra muito e nunca contribuiu. Para tanto,
apontamos algumas fontes de recurso com as quais o governo
poderá incluir a população que historicamente foi excluída de
seus direitos entre as quais citamos:
1) a
taxação sobre as grandes fortunas,
2) a
taxação das transações financeiras realizadas pelos bancos,
3) a
taxação das exportações realizadas pelo agronegócio.
De nossa
parte, reafirmamos a continuidade da luta debatendo com os
movimentos sociais e com a sociedade, na defesa incondicional
dos direitos adquiridos e por:
1)
Inclusão no sistema previdenciário dos mais de
40 milhões de brasileiros hoje excluídos.
2)
Defesa da aposentadoria para donas de casa de
baixa renda conforme Proposta de Emenda a Constituição – PEC,
que propõe a criação da aposentadoria para as donas de casa.
3)
Aposentadoria dos segurados especiais, mulheres aos 55 anos e
dos homens aos 60 anos.
4) Direito
de produzir artesanalmente e de comercializar sem perder a
condição de segurados especiais.
5)
Manter o Pronaf como programa para fortalecer a
produção de alimentos saudáveis no campo.
6)
Defendemos a criação de um programa como
política pública nacional de habitação rural.
Continuaremos lutando pela comprovação de nossa atividade
rural e não aceitaremos a humilhação que obriga os pobres do
campo a comunicar ao INSS sua miserabilidade.
Nossa
principal força é a organização de base e a formação, nossa
principal tarefa é fortalecer os movimentos sociais para
derrotar o modelo capitalista e o agronegócio.
Brasília,
11 de junho de 2008 |