Agrotóxicos: até quando vamos engolir isso?
Projeto que cria agrotóxico genérico será votado nesta quinta
por Jornal do Brasil, 10/05/2011
O projeto de lei que cria o conceito de agrotóxico genérico, e o inclui na Lei dos Agrotóxicos deve ser votado nesta quinta-feira Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, em caráter terminativo, ou seja, que dispensa a apreciação pelo Senado. O relator do projeto, senador Waldemir Moka (PMDB-MS), destaca que a idéia é semelhante a dos remédios genéricos. No caso dos agrotóxicos, os produtos utilizam a fórmula de outro já existente e registrado, sendo este último produto de referência para o primeiro. Dessa forma, o Projeto explicita que um agrotóxico genérico não pode ser produto de referência para registro de outro.
A senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) defendeu a aprovação do projeto, de autoria do senador Heráclito Fortes (DEM-PI):
“Acredito que teremos o mesmo resultado que tivemos em relação à criação de medicamentos genéricos para humanos quando, após sua implantação, houve redução considerável nos valores, chegando a 50% em alguns casos”.
A parlamentar goiana acrescentou que a adoção de defensivos agrícolas genéricos incentivará a concorrência entre os fabricantes e, certamente, resultará em redução dos preços desses produtos. “Tal redução trará maior competitividade para a agropecuária brasileira, além de benefícios para toda a população, pois a diminuição dos custos poderá ser repassada para o preço dos alimentos”.
Lúcia Vânia ressaltou que outro efeito importante da medida será o incentivo à indústria nacional de defensivos agrícolas. “A implementação dos genéricos propiciará às empresas nacionais melhores condições para competir com as grandes multinacionais do setor”.
Agrotóxicos de uso proibido no Brasil são encontrados no interior de Ijuí
por Jusbrasil, 09/05/2011
Em uma propriedade rural no interior de Ijuí, fiscais da Secretaria da Agricultura,
Pecuária e Agronegócio (Seapa) encontraram agrotóxicos proibidos no Brasil e em
quantidade suficiente para uma lavoura de 200 hectares. Os técnicos do Estado
apreenderam nove embalagens de 0,5kg cada de Clorimuron e oito embalagens de
10g cada de Metsulfuron metil.
Tal qual a apreensão realizada há menos de uma semana na Fronteira Oeste e
Missões, os produtos encontrados na região chamada Celeiro têm origem no Uruguai.
Segundo o produtor autuado, os agrotóxicos contrabandeados entraram no Rio Grande do Sul em Quaraí, vindos pela cidade fronteiriça de Artigas.
A propriedade, situada próxima à BR-285, foi autuada também por destinação inadequada
de embalagens vazias, as quais, de acordo com os fiscais, estavam depositadas sem qualquer preocupação com o meio ambiente e com a saúde humana.
Produção de alimentos sem agrotóxicos é tema de Seminário
por Zulupa, RS, 08/05/2011
O Seminário Agricultura Sustentável para um Consumo Responsável promovido pelo Fórum da Agenda 21 de Ijuí, no dia 04 de maio, discutiu por que é difícil produzir alimentos sem agrotóxicos.
De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Gilberto Pozzobon, um dos palestrantes do Seminário, a dependência que os produtores rurais mantêm em relação aos agrotóxicos não é um problema tão simples de ser resolvido e não depende unicamente da vontade dos agricultores. "Os grandes impérios da alimentação direcionam seus recursos para financiar e influenciar a pesquisa, o ensino
e a assistência técnica, com o objetivo de transformar os alimentos em commodities".
Ele também apresentou fatos sobre a história da produção dos alimentos, confrontando os interesses da agricultura familiar e do modelo de produção ditado por grandes grupos econômicos, e concluiu que há alternativas ao modelo de produção padronizada de alimentos. "Precisamos redimensionar a relação entre produtor e consumidor, ou seja, o consumidor precisa entender que a confiança no modelo local de produção de alimentos é um fator de qualidade", afirmou Pozzobon.
Para o coordenador do Fórum da Agenda 21 de Ijuí, o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Pedro Urubatan Neto da Costa, “quando o consumidor exige qualidade no alimento que ele está levando à boca, há alteração no comportamento do agricultor".
A prefeitura de Ijuí abastece todas as escolas da rede municipal de ensino da cidade com a compra de alimentos produzidos por pequenos agricultores do município. "É possível, sim, produzirmos alimentos muito bons para nossa saúde", disse a nutricionista da prefeitura de Ijuí, Sandra Denise Link, responsável pelo cardápio das 25 escolas.
Tomate cultivado sem agrotóxico reduz os custos da produção, afirma pesquisa
por Rádioagência NP, 25/04/2011
Uma pesquisa realizada na Universidade de São Paulo constatou que o cultivo de tomates de forma agroecológica reduz em até 84% os custos da produção. No estudo feito pelo engenheiro agrônomo Fábio Leonardo Tomas, plantações de tomate sem agrotóxicos e aditivos químicos foram comparadas a formas de cultivo convencionais – com o uso de pesticidas e outros defensivos.
Os tomates produzidos de forma agroecológica tinham menos pragas e doenças, pois eles foram plantados em meio à floresta preservada de Mata Atlântica, que funcionou como um insumo agrícola natural. Isso dispensou o uso de agrotóxicos, que encarecem o produto final em até 70%. O custo de manutenção do pé de tomate orgânico foi de R$ 0,80. O que usou pesticidas saiu por R$ 5.
Além dos custos, Tomas também analisou a produtividade e a rentabilidade. Apesar da produtividade de tomate agroecológico ser menor do que a convencional, ele atinge preços de mercado superiores e tem custos menores, o que compensa sua produção, afirmou o pesquisador.
A região analisada foi a de Apiai, no interior de São Paulo, que tem a maior produção de tomate de mesa do país. Segundo a pesquisa, o desmatamento fez com que os produtores da região aumentassem a utilização de agrotóxicos, o que causou a contaminação de vários trabalhadores rurais. |