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Mulheres do MAB organizam encontro histórico
Participam do 1º Encontro
Nacional das Mulheres mais de 500 militantes,
vindas de 14 estados
Alexania Rossato
de Brasília (DF)
Mais
de 500 mulheres, vindas de 14 estados brasileiros, chegaram
com muita alegria e disposição para um encontro histórico
organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB),
o 1º Encontro Nacional das Mulheres.
Com o lema
“Mulheres em luta por direitos e pela construção de um novo
projeto energético popular”, o Encontro começou na
segunda-feira, dia 04, no Parque da Cidade, em Brasília.
As
mulheres são militantes do MAB, atuam na luta contra as
barragens e pelos direitos das atingidas e dos atingidos e,
movidas pelo desejo de maior participação, inserem-se na
organização das famílias para melhoria das condições de vida
e de trabalho dos atingidos.
Durante o
Encontro, que segue até o próximo dia 7, as participantes
poderão discutir sobre o atual modelo energético e analisar
as conseqüências da construção das barragens em suas vidas.
Outro objetivo do Encontro é denunciar a violação dos
direitos humanos das mulheres atingidas no processo de
construção de barragens.
Segundo
Ivanei Dalla Costa, da coordenação nacional do Movimento,
este é o momento de fortalecer a participação das mulheres
para que sejam sujeitas da organização e da luta. “Ainda
hoje existe muita diferença na atuação de mulheres e homens,
os direitos não são os mesmos e elas precisam estar
esclarecidas sobre o seu papel na sociedade e no movimento
social. Queremos participar e juntos, homens e mulheres,
construir um novo projeto energético popular”, declarou.
Ativistas
do movimento internacional da luta contra as represas também
participam do encontro brasileiro. Representantes do
movimento mexicano e da Patagônia Argentina estarão
relatando as experiências de luta em seus países, e a vice
ministra de Minas e Energia do Paraguai, Mercedes Canese,
abordará aspectos da integração energética latino americana
e da relação entre o Paraguai e o Brasil.
Moira
Millan, militante indígena da luta contra barragens na
Patagônia, disse que, com a participação no encontro, busca
fortalecer a articulação internacional, intercambiar
experiências com outros povos e fortalecer o espírito de
luta com a resistência das brasileiras. “Levarei muitas
experiências de organização para o meu povo”, afirmou.
Violação
dos Direitos Humanos e 20 anos do MAB
Durante o
encontro, as mulheres recepcionarão a ministra de Estado,
Maria do Rosário, para o lançamento do Relatório da Comissão
Especial do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa
Humana. O relatório apontou 16 direitos humanos
sistematicamente violados em construção de barragens. Na
oportunidade, o MAB vai entregar à ministra um dossiê que
aponta violação dos direitos humanos das mulheres atingidas.
Junto à
entrega do dossiê, o Movimento solicitará que o Conselho de
Defesa dos Direitos da Pessoa Humana crie uma Comissão
Especial para investigar a violação dos direitos das
mulheres na construção de barragens, assim como fez em 2006,
quando criou a comissão Especial “Atingidos por Barragens”.”
O encontro
das mulheres do MAB também marca a comemoração dos 20 de
organização nacional do MAB. O ato de comemoração acontece
na noite do dia 5 e, entre as atividades, serão homenageadas
pessoas que marcaram a história do movimento. “É uma vitória
política da população atingida pelas construções de
hidrelétricas do país, manter de pé, contra interesses tão
poderosos, um Movimento de defesa que atua em todo Brasil”,
declarou Ivanei.
No último
dia do encontro, dia 7, as mulheres participarão de uma
marcha pela Esplanada dos Ministérios para cobrar do Governo
Federal mudanças na política energética e, junto com outros
movimentos sociais e organizações da Via Campesina, farão o
lançamento da Campanha Nacional Contra o Uso de Agrotóxicos. |