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Agrotóxicos e Código Florestal mobilizam Brasília
Mais de 3 mil realizaram atos
em defesa do Código Florestal e do lançamento de uma
campanha contra os agrotóxicos

Maria Mello
Brasília (DF)
Cerca de
três mil manifestantes, entre integrantes de movimentos
sociais e sindicais do campo e organizações ambientalistas,
realizaram um dia de protestos, audiências e atividades
públicas em Brasília nesta quinta (07) para protestar contra
o projeto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) de alteração do
Código Florestal, sustentado pelos ruralistas, e lançar a
Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida.
Em marcha,
os manifestantes partiram do pavilhão de exposições do
Parque da Cidade rumo ao Congresso Nacional pela manhã.
Durante o trajeto, uma comissão formada por integrantes da
Via Campesina, Fetraf e entidades ambientalistas foi
recebida em audiência pela ministra do Meio Ambiente,
Isabela Teixeira. Na reunião, os militantes apresentaram à
ministra parte de um documento sobre o Código que esmiúça os
pontos mais críticos do projeto encomendado pelos ruralistas
e apresenta uma proposta de aprimoramento do texto. O
documento será lançado oficialmente na próxima terça-feira
(12), no Congresso Nacional.
“A
manifestação de hoje é extremamente positiva, porque
expressa a posição da agricultura que produz 60% do feijão
deste país e outras culturas importantes para a alimentação,
para a cesta básica. Foi entregue a nós a posição das
entidades no debate sobre o Código Florestal, na defesa do
Código e das áreas de preservação permanente - ou seja, uma
política contrária a novos desmatamentos. O que foi dito
aqui é que a agricultura familiar entende que pode aumentar
a produção agrícola sem perdas de florestas e biomas e sem
degradação ambiental. Isso vai muito na linha das nossas
negociações e do nosso diálogo, é mais uma contribuição para
o processo político em que o ministério está envolvido”,
avaliou a ministra sobre a mobilização.
Enquanto
parte dos manifestantes dava continuidade ao ato em frente
ao Congresso Nacional, outra comissão participou de
audiência com o presidente da Câmara, Marco Maia, e
parlamentares contrários ao projeto do deputado Aldo Rebelo
(PCdoB-SP) de alteração do Código Florestal.
“Construímos
uma ampla articulação de camponeses na Via Campesina, junto
com a Fetraf, que representa mais de mil sindicatos da
agricultura familiar no Brasil, e organizações
ambientalistas, para afirmar publicamente que somos
contrários ao relatório do deputado Aldo Rebelo (que
expressa a vontade da bancada ruralista). Somos contrários à
anistia de desmatamento ilegal, à diminuição da proteção de
topos de morros, beiras de rios, enfim, áreas de APP. A
Reserva Legal tem de ser mantida, e somos radicalmente
contra a legislação ficar a cargo dos municípios e estados.
Propomos que haja um tratamento diferenciado para a
agricultura familiar, porque ela tem relação de integração
com o meio ambiente. Queremos desmatamento zero em todos os
biomas brasileiros, a manutenção dos atuais índices de APP e
Reserva Legal em todo o país e a obrigação de recuperação do
passivo ambiental”, afirmou o representante da Via
Campesina na atividade, Raul Krauser, ao dar início à rodada
de intervenções das mais de vinte entidades e parlamentares
presentes.
“Se há
agricultores familiares no Brasil que se manifestam no
sentido de mudanças no Código, é pela falta de política
pública para a agricultura familiar. Sem água, não tem
produção; se tira a APP, os córregos ficarão
assoreados.
Nosso futuro depende da preservação ambiental. As propostas
colocadas no relatório do Aldo e que têm apoio de algum
setor da agricultura familiar são extremamente nocivas e
podem significar uma massa de famílias fora do campo daqui a
alguns anos”, alertou.
Ao final
da audiência, o presidente da Câmara se posicionou. “Acho
que o processo que estamos vivendo aqui na Câmara em relação
ao Código no próximo período vai exigir a presença de vocês
de forma mais permanente dentro da Câmara. Meu setor
político a quem eu devo obrigação política está aqui, minha
origem é esta, tenho relação muito forte com a agricultura
familiar. Precisamos nos fazer mais permanente nesse debate
agora. Os partidos vêm fechando questão em torno do tema,
por isso eu digo que a presença de vocês no próximo período
será fundamental para virarmos este jogo”. Maia afirmou,
ainda, que o governo precisa cumprir seu papel no processo
de construção de uma proposta que oriente os partidos que
compõem a base do governo.
Durante a
tarde, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AM) também
se reuniu com o grupo e garantiu que nada será votado às
pressas. “Não há motivo para o senado iniciar esta discussão
agora”, afirmou Sarney.

Fotos: Vinicius Mansur |
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