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11/06/2008
Em Belo
Horizonte, quatro ações integraram a Jornada Nacional de luta
contra a política econômica, o agronegócio e as transnacionais
Mais de
500 pessoas da Assembléia Popular bloquearam passagem de trem
da Vale em Belo Horizonte
Das 7h da
manhã até às 12h30 da terça-feira, dia 10, mais de 500
participantes da Assembléia Popular bloquearam a linha férrea
da Vale na altura do bairro São Geraldo, em Belo Horizonte,
Minas Gerais. Exigiram a reestatização da Vale, a paralização
da transposição do Rio São Francisco, a imediata transposição
da linha e a indenização das famílias de pessoas que foram
mortas e mutiladas pelos trens da companhia. O povo dos
bairros São Geraldo, Caetano Furkim, Boa Vista, Casa Branca e
Vila Mariana de Abreu exigem a transposição da linha férrea há
25 anos. Em 2007 paralisaram a passagem do trem duas vezes e
nenhuma das promessas foram cumpridas. A linha por onde passa
o trem da VALE com minério e trem de passageiros está ao lado
da Escola municipal Pe. Francisco Carvalho Moreira,
inviabilizando as aulas. A passagem do trem tem abalado a
estrutura das casas. Os trens da VALE passam com grande
freqüência; bloqueiam a passagem de veículos por até 2 horas.
Por isto, de 2007 até agora, já morreram quatro pessoas dentro
de ambulâncias. O direito de ir e vir está sendo proibido pela
Vale.
Manifestação em frente à Prefeitura de Belo Horizonte
Das 13h às
14h, os mais de 500 manifestantes exigiram do prefeito
Fernando Pimentel a desapropriação de 11 mil metros quadrados
de área ocupada pela Comunidade Camilo Torres. O Tribunal de
Justiça de Minas Gerais, dia 5 de junho de 2008, ordenou o
despejo das mais de 100 famílias sem-casa da Ocupação Camilo
Torres, Av. Perimetral, 450, Vila
Santa Rita, bairro Jatobá, Belo Horizonte, MG. Ninguém da
prefeitura recebeu o povo. São mais de 50 mil famílias de
sem-casa em Belo Horizonte. Indignados continuaremos a luta
pela moradia.
Ocupação das
galerias do plenário da
Assembléia Legislativa de Minas Gerais e leitura do Manifesto
Os
seguranças da Assembléia Legislativa de Minas Gerais tentaram
impedir a entrada dos 500 trabalhadores e trabalhadoras da
Assembléia Popular no plenário onde ocorria o “Seminário Minas
de Minas”. Dez trabalhadores que conseguiram entrar foram
duramente golpeados pelos seguranças e 2 ficaram bastante
feridos. Com a intervenção de alguns deputados, foi possível
contornar a situação e todos os trabalhadores e trabalhadoras
entraram no plenário. A mesa tentou retomar o Seminário, mas
foram impedidos pelos manifestantes que exigiam a leitura de
um documento que foram protocolar. Depois de muita
manifestação do plenário – meia hora de palavras de ordem -
foi permitida a leitura do documento. Alguns participantes do
“Seminário Minas de Minas” disseram: “foi a melhor coisa que
aconteceu nestes três dias de seminário”. Muitos políticos
profissionais se irritaram com o cheiro do povo no ambiente.
Marcha
até à sede da CEMIG, onde os manifestantes protestaram e
entregaram um grande pacote de requerimentos do povo pobre
exigindo redução no preço da energia elétrica
Às 16h, todo
o prédio da CEMIG estava com as lâmpadas acesas. A portaria do
prédio da CEMIG, em BH, parece portaria de uma penitenciária
de segurança máxima. Ferros grossos dizem que algo mal é
tramado ali dentro. Dezenas de policiais da tropa de choque
estavam a postos para proteger a CEMIG que está crucificando o
povo, porque tem a energia mais cara do Brasil. As famílias
pagam de 7 a 10 vezes mais caro do que as empresas. Uma
senhora exclamou: “Nossa! Pensei que a ditadura tinha
acabado, mas está mais cruel do que na época do regime militar.”
Às 19h, depois de uma intensa Jornada de Lutas, os mais de 500
militantes sociais voltaram para suas bases, sentindo que a
luta constrói a esperança!
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Documento lido na Tribuna
da Assembléia Legislativa de Minas Gerais |
Companheiras
e companheiros,
O Modelo econômico
neoliberal não serve aos Trabalhadores e Trabalhadoras! Os
recursos naturais e a VALE são patrimônio do povo trabalhador
brasileiro!
O atual modelo econômico
adotado no Brasil afronta os interesses do povo brasileiro e à
soberania do nosso país. Tem como objetivo apenas o lucro dos
bancos e das grandes empresas, na maioria, transnacionais.
Para isso,
desmata, privatiza, constrói represas, se apropria da terra,
das águas, dos minérios, da biodiversidade, da educação, das
estradas, da saúde e da cultura.
Este
modelo representa um verdadeiro perigo à vida do planeta.
Aumenta a exploração dos
trabalhadores, precariza e retira direitos, aumenta o
desemprego, aumenta a pobreza e a violência. De forma
resumida, privilegia e concentra riqueza nas mãos dos mais
ricos, especialmente os banqueiros e as transnacionais,
enquanto aumenta a desigualdade e a pobreza para a maioria.
Em Minas Gerais o setor de
mineração é o melhor retrato do quão nefasto é este modelo
econômico. O estado foi e continua sendo símbolo do saque das
riquezas de nosso país. O ouro extraído aqui no período
colonial foi enviado para a Europa sem nenhum retorno concreto
ao Brasil. Da mesma forma nossos minérios têm sido enviados
hoje ao exterior deixando aqui apenas a devastação ambiental.
Minas Gerais é líder do setor no Brasil, com 44% de
participação. Quase 50% da produção nacional de ouro têm
origem em Minas, que é responsável por aproximadamente 53% da
produção brasileira de minerais metálicos e 71% de minério de
ferro. A cadeia produtiva mineral representa 30% do PIB
estadual. Toda essa riqueza é produzida e a maior parte
exportada sob o controle de grandes empresas transacionais,
cujos lucros são destinados ao exterior. Essas empresas são
beneficiadas de isenções tributárias como a garantida pela
lei Kandir que determinada que as atividades
primário-exportadoras sejam isentas de pagamento de ICMS(18%).
Além disso, os royalties pagos pelo setor são
irrisórios. Em 2007 quando as exportações do setor somaram R$
16 bilhões foram pagos apenas R$ 153 milhões em royalties, ou
seja menos de 1%.
Combater esta lógica
destrutiva, opressora e perversa é necessário e urgente.
Nossa luta é
para construir uma sociedade melhor, onde a riqueza seja
repartida para os que realmente a produzem: os trabalhadores e
as trabalhadoras do campo e da cidade.
Estamos
mobilizados e protestamos,
porque somos contra o modelo
neoliberal e
imperialista que tem como um de seus grandes símbolos no
brasil e em minas gerais a empresa vale.
Denunciamos:
1) Privatização: A
Privatização da então Companhia Vale do Rio Doce foi cercada
de questões ilícitas e vem sendo questionada por inúmeras
ações judiciais. Apontamos algumas irregularidades na
privatização: o BRADESCO participou do consórcio de avaliação
da venda da CVRD, montou o edital de venda da companhia e mais
tarde tornou-se um de seus controladores (o que é proibido por
lei). O atual presidente da empresa, Roger Agnelli, dirigiu o
Bradesco por 20 anos. Foram demitidos 11 mil trabalhadores no
processo de privatização. Além disso, a CVRD foi vendida por
um preço irrisório de R$ 3,3 bilhões perto do patrimônio da
empresa e do seu valor estratégico para o país. A VALE é um
complexo econômico de 64 empresas. É a 2°maior mineradora do
mundo, 1° produtora de ferro do mundo, maior do mundo em
variedades minerais, está presente em 13 estados brasileiros e
uma área de 23 milhões de hectares, sob esse domínio
territorial estão incalculável riqueza em minérios,
biodiversidade e água. Podemos mensurar o quão criminoso foi a
privatização apontando que hoje a VALE lucra ,em média, por
ano 6 vezes seu valor de venda.
2) Questão Energética:
A VALE consome 5% de toda a energia produzida pelo país.
Possui inúmeras hidrelétricas e algumas distribuidoras de
energia. Acaba de fechar um contrato com
distribuidoras de energia para pagar R$ 3,3 por cada
100kwatt/h , cerca de 20 vezes menos do que pagamos em nossas
casas em Minas Gerais.
3) Influencia Política:
A VALE tem, pela sua envergadura econômica, grande influência
política. Financiou a campanha de candidatos aos diversos
cargos. Cerca de 40 deputados foram financiados pela VALE e
defendem seus interesses no congresso nacional. O governador
do estado, Aécio Neves, teve 40% de sua campanha financiada
pela empresa. A influencia política da VALE garante à empresa
o silêncio do Estado e de governos em relação aos crimes
sociais, trabalhistas, tributários e ambientais cometidos pela
empresa, garante benefícios econômicos como o empréstimo recém
aprovado pelo BNDES à empresa de R$ 7,3 bi a pagar em 40 anos
sob juros irrisórios. A VALE tem ainda a seu favor a
parcialidade da justiça que de forma morosa tem arrastado os
diversos processos que questionam a vergonhosa privatização da
empresa.
4) Questão Tributária:
Os tributos pagos pela VALE são irrisórios perto dos lucros da
empresa. A empresa é beneficiada pela lei Kandir que
determinada a isenção do ICMS(18%). Os royalties(CFEM)
pagos pelo setor somam em média 1% do lucro líquido das
empresas. Em 2007 quando as exportações do setor, em MG,
somaram R$ 16 bilhões foram pagos apenas R$ 153 milhões em
royalties. Como se não bastassem as isenções e as baixas
taxações, o setor de mineração e a VALE em especial tem
dívidas com o Estado, principalmente com os municípios por
sonegação da CFEM.
5) Impactos ambientais:
Nos locais de exploração mineral a regra é o desmatamento,
destruição e poluição de nascentes d’água, poluição e
degradação do solo e poluição do ar. Em Itabira o ar tem o
mesmo grau de poluição que a cidade de São Paulo. Há a
construção de barragens que contém os rejeitos da mineração,
os rejeitos provem da lavagem e beneficiamento do minério e
alguns são altamente tóxicos. Além disso, a cada dia
ampliam-se as monoculturas de eucalipto, que expulsam os
trabalhadores rurais de suas terras e destroem o meio
ambiente. O eucalipto é usado nas carvoarias e sustenta a
siderurgia, elo importante da cadeia produtiva mineral. As
monoculturas de eucalipto, cana, soja entre outras são
responsáveis diretas pela crise alimentar que ameaça nosso
país e o mundo. A VALE promete plantar 345 milhões de arvores
de eucalipto até 2015.
6) Questão Trabalhista:
A VALE chega a pagar R$ 550,00 para o trabalhador em início de
tempo de serviço. Calculando se a riqueza produzida pelos
trabalhadores para a empresa e o que ela paga de salários,
contabilizamos que o trabalhador da VALE paga seu salário com
6 horas de trabalho mensal. É preciso denunciar as relações de
trabalho precarizadas como a terceirização.
7) Impactos Sociais:
A propaganda de geração de empregos feita pelas empresas, nas
áreas de mineração, gera um fenômeno de atração de pessoas,
gerando aglomerados populacionais desprovidos de serviços
básicos. Desemprego, prostituição de mulheres e crianças,
violência, alcoolismo e problemas de saúde são generalizados
nas regiões mineradoras e tem proporções incalculáveis.
8) Há 25 anos os moradores
dos bairros São Geraldo, Caetano Furquim, Boa Vista, Casa
Branca e Vila Mariano de Abreu Lutam pelas obras de
transposição da linha férrea, da FCA/VALE que passa pela
região. É alto o numero de pessoas mortas ou mutiladas por
acidentes na linha. Os moradores convivem com o transtorno de
ter a linha interrompendo o trafego de pessoas e carros,
várias vezes por dia. Várias pessoas já morreram em
ambulâncias que esperavam o trem passar. As estruturas das
casas próximas à linha estão comprometidas. O barulho do trem
impede as aulas de escolas ao redor da linha. As negociações
com os representantes da empresa vem se arrastando por anos.
Várias são as táticas da empresa para desarticular a
organização popular. Perseguição de lideranças, com processos
na justiça, tentativa de divisão do movimento oferecendo
“presentes” a moradores, oferecendo “brindes”, réguas, canetas
etc, às crianças de escolas da região.
9) A VALE há três anos está
explorando minério de ferro de alto teor na Mina Capão Xavier,
em Nova Lima, na região de quatro mananciais de abastecimento
público – Fechos, Mutuca, Catarina e Barreiro. Estes
mananciais são responsáveis pelo abastecimento de 9% da
população de Belo Horizonte (cerca de 320.000 pessoas). A
atividade da mineração de ferro implica no rebaixamento do
lençol freático. A tendência das nascentes próximas é perderem
muita água e até secarem. O problema de Capão Xavier é que a
jazida acumula as águas que nascem mais adiante com os nomes
de ribeirões Mutuca, Fechos, Catarina e Barreiro. Fechos e
Mutuca são as principais fontes do Sistema Morro Redondo, que
abastece, por gravidade, a região sul de Belo Horizonte – do
Aglomerado da Serra ao Luxemburgo. O Barreiro é um dos
mananciais que, pelo Sistema Ibirité, atende às regiões norte
e oeste de BH e o Catarina abastece os bairros Jardim Canadá,
Retiro das Pedras, parte do Barreiro
10) A construção da Barragem de
Aimorés, pela VALE e CEMIG. De
acordo com
a Comissão de
Direitos Humanos
da
Assembléia
Legislativa
de MG, foram
atingidas - direta e indiretamente - pelas inundações das
barragens cerca
de cem
mil famílias
dos municípios de Baixo
Guandu,
Aimorés,
Resplendor
e Itueta.
Duas mil famílias foram desalojadas e apenas 40 foram
indenizadas. Além disso, a barragem inviabiliza o sistema de
esgoto de Resplendor.
11) A Redução do Parque
Estadual da Serra do Rola-Moça: Tramita na ALEMG o projeto de
lei nº124/07 de autoria do deputado Ivair Nogueira (PMDB/MG)
que prevê a redução de 6,5% da área do Parque Estadual da
Serra do Rola Moça . .Por trás do texto do projeto estão os
interesses ligados à mineração. O parque fica na mesma região
da Mina de Capão Xavier. As atividades de mineração interferem
na biodiversidade do parque, que é rico em campos rupestres,
ambiente sui generis de cerrado e mata atlântica. Seus
mananciais abastecem cerca de 400mil pessoas com água potável
na região metropolitana de Belo Horizonte.
Estamos mobilizados
para mudar essa situação, porque queremos:
-
A Re-estatização da empresa
VALE como forma de devolver ao povo brasileiro uma empresa
de caráter estratégico para a economia e soberania nacional.
-
Solução imediata da situação
dos bairros São Geraldo, Caetano Furquim, Boa Vista, Casa
Branca e Vila Mariano de Abreu que Lutam há 25 anos.
Exigimos uma data de início das obras de transposição da
linha férrea. Que a Vale seja transparente nas informações
que presta à comunidade sobre as obras e se responsabilize
por todos os danos causados à população desses bairros
atendendo às suas reivindicações específicas.
-
Que o Governo Federal assuma
uma postura em relação à empresa VALE através da articulação
de uma frente de estados mineradores onde a VALE atua para
que seja construído um novo imposto sobre a mineração.
Queremos o fim da Lei Kandir que beneficia apenas as
empresas exportadoras.
-
Que o governo federal através
da ANEEL estabeleça uma tarifa justa de energia para
sociedade. Que se cumpra a liminar expedida em 2007 pelo
Desembargador Federal Catão Alves que obriga o enquadramento
na Tarifa Social “Residencial Subclasse Baixa Renda” para
todas as famílias que consomem até 180 KW/h/mês e têm
circuito monofásico. Minas Gerais é o estado com mais
hidrelétricas do Brasil e a CEMIG cobra uma das tarifas de
energia mais cara do país. Que sejam suspensos os subsídios
de energia para as grandes empresas e mega-projetos.
-
Pelo fim da Crise dos
Alimentos: Reforma Agrária e Soberania Alimentar! Que o
governo estadual construa uma política de reforma agrária a
partir das terras devolutas no estado e que não renove o
contrato com as empresas plantadoras de eucalipto, como a
Votorantin, Acesita, V&M, Cenibra, e outras.
Assembléia Popular de Minas
Gerais
Belo Horizonte, 10 de junho de
2008.
Contatos para
mais informações:
Celulares: (31)
8663 1071; (31) 9861 0767 e (33) 9125 0869 |
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