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10/06/2008
500 trabalhadores
e trabalhadoras da Assembléia Popular ocupam Assembléia
Legislativa de Minas durante Seminário Minas de Minas
A
mobilização integra a jornada nacional de luta
contra o modelo econômico e o agronegócio
Hoje,
dia 10.junho, as 15 horas, os 500 manifestantes da Assembléia
Popular ocuparam o plenário da Assembléia Legislativa durante
o Seminário Minas de Minas. A ocupação denuncia os crimes
ambientais e sociais que as empresas mineradoras vêm trazendo
ao estado, dentre elas principalmente a Companhia Vale.
O
plenário permanece ocupado com os trabalhadores apresentando
suas pautas conforme documento distribuído (segue abaixo)
entre os participantes e parlamentares.
Os
minérios têm sido enviados ao exterior deixando aqui apenas a
devastação ambiental. Minas Gerais é líder do setor no Brasil,
com 44% de participação. Minas é responsável por
aproximadamente 53% da produção brasileira de minerais
metálicos e 71% de minério de ferro. A cadeia produtiva
mineral representa 30% do PIB estadual. Os manifestantes que
ocuparam a Assembléia Legislativa, entraram gritando "O que
tem ficado dessa riqueza para o povo de Minas?"
A
maior parte é exportada sob o controle de grandes empresas
transnacionais, cujos lucros são destinados ao exterior. A Lei
Kandir beneficia essas empresas determinando que as
atividades primário-exportadoras sejam isentas de pagamento de
ICMS (18%). Além disso, os royalties pagos pelo setor
são irrisórios. Em 2007 quando as exportações do setor somaram
R$ 16 bilhões foram pagos apenas R$ 153 milhões em
royalties, ou seja menos de 1%.
A
VALE consome 5% de toda a energia produzida pelo país. Acaba
de fechar um contrato com
distribuidoras de energia para pagar R$ 3,3 por cada
100kwatt/h, quando o povo paga R$62,00.
O
governador do estado, Aécio Neves, teve 40% de sua campanha
financiada pela empresa. A influencia política da VALE garante
à empresa o silêncio do Estado e de governos em relação aos
crimes sociais, trabalhistas, tributários e ambientais
cometidos pela empresa, garante benefícios econômicos como o
empréstimo recém aprovado pelo BNDES à empresa de R$ 7,3 bi a
pagar em 40 anos sob juros irrisórios. Ao passo que um
trabalhador da VALE chega a receber R$550,00, pagando seu
salário em 6 horas de trabalho.
A
VALE promete plantar 345 milhões de árvores de eucalipto até
2015, que servirá
para abastecer a siderurgia, monocultura que expulsa os
trabalhadores rurais de suas terras e destroem o meio
ambiente. Agravando a crise dos alimentos.
A
mobilização integra a jornada nacional de luta contra a
política econômica e contra o agronegócio, dos quais a Vale é
símbolo, por ser uma empresa que exporta a maior parte das
riquezas extraídas do Brasil, prejudica o meio ambiente e as
comunidades onde atua. A Vale é campeã de multas no Ibama,
responde na Justiça por processos trabalhistas e ainda insiste
em negar a responsabilidade sobre seus impactos.
Belo
Horizonte, 10 de junho de 2008
Contato:
(31)
8663 1071
(31)
9861 0767
(33)
9125 0869
Este Modelo
econômico não serve aos Trabalhadores e Trabalhadoras!
Os
recursos naturais e a VALE são patrimônio do povo trabalhador
brasileiro!
O
atual modelo econômico adotado no Brasil afronta os interesses
do povo brasileiro e à soberania do nosso país. Tem como
objetivo apenas o lucro dos bancos e das grandes empresas, na
maioria transnacionais.
Para
isso, desmata, privatiza, constrói represas, se apropria da
terra, das águas, dos minérios, da biodiversidade, da
educação, das estradas, da saúde e da cultura. Este modelo
representa um verdadeiro perigo à vida do planeta. Aumenta a
exploração dos trabalhadores,
precariza e retira direitos, aumenta o desemprego, aumenta a
pobreza e a violência. De forma resumida, privilegia e
concentra riqueza nas mãos dos mais ricos, especialmente os
banqueiros e as transnacionais, enquanto aumenta a
desigualdade e a pobreza para a maioria.
Em
Minas Gerais o setor de mineração é o melhor retrato do quão
nefasto é este modelo econômico. O estado foi e continua sendo
símbolo do saque das riquezas de nosso país. O ouro
extraído aqui no período colonial foi enviado para a Europa
sem nenhum retorno concreto ao Brasil. Da mesma forma
nossos minérios têm sido enviados hoje ao exterior deixando
aqui apenas a devastação ambiental. Minas Gerais é líder do
setor no Brasil, com 44% de participação. Quase 50% da
produção nacional de ouro têm origem em Minas, que é
responsável por aproximadamente 53% da produção brasileira de
minerais metálicos e 71% de minério de ferro. A cadeia
produtiva mineral representa 30% do PIB estadual. Toda essa
riqueza é produzida e a maior parte exportada sob o controle
de grandes empresas transacionais, cujos lucros são destinados
ao exterior. Essas empresas são beneficiadas de isenções
tributárias como a garantida pela lei Kandir que
determinada que as atividades primário-exportadoras sejam
isentas de pagamento de ICMS(18%). Além disso, os royalties
pagos pelo setor são irrisórios. Em 2007 quando as exportações
do setor somaram R$ 16 bilhões foram pagos apenas R$ 153
milhões em royalties, ou seja menos de 1%.
Combater esta
lógica destrutiva, opressora e perversa é necessário e urgente.
Nossa
luta é para construir uma sociedade melhor, onde a riqueza
seja repartida para os que realmente a produzem: os
trabalhadores e as trabalhadoras do campo e da cidade.
Estamos mobilizados e protestamos
por que somos contra o modelo
neoliberal e imperialista, que
tem como um de seus grandes símbolos no Brasil e em MG a
empresa Vale.
Denunciamos:
1) Privatização: A
Privatização da então Companhia Vale do Rio Doce foi cercada
de questões ilícitas e vem sendo questionada por inúmeras
ações judiciais. Apontamos algumas irregularidades na
privatização: o BRADESCO participou do consórcio de avaliação
da venda da CVRD, montou o edital de venda da companhia e mais
tarde tornou-se um de seus controladores (o que é proibido por
lei). O atual presidente da empresa, Roger Agnelli, dirigiu o
Bradesco por 20 anos. Foram demitidos 11 mil trabalhadores no
processo de privatização. Além disso, a CVRD foi vendida por
um preço irrisório de R$ 3,3 bilhões perto do patrimônio da
empresa e do seu valor estratégico para o país. A VALE é um
complexo econômico de 64 empresas. É a 2°maior mineradora do
mundo, 1° produtora de ferro do mundo, maior do mundo em
variedades minerais, está presente em 13 estados brasileiros e
uma área de 23 milhões de hec, sob esse domínio territorial
estão incalculável riqueza em minérios, biodiversidade e água.
Podemos mensurar o quão criminoso foi a privatização apontando
que hoje a VALE lucra ,em média, por ano 6 vezes seu
valor de venda.
2) Questão Energética: A
VALE consome 5% de toda a energia produzida pelo país.
Possui inúmeras hidrelétricas e algumas distribuidoras de
energia. Acaba de fechar um contrato com
distribuidoras de energia para pagar R$ 3,3 por cada
100kwatt/h , cerca de 20 vezes menos do que pagamos em nossas
casas em Minas Gerais.
3) Influencia Política: A
VALE tem, pela sua envergadura econômica, grande influência
política. Financiou a campanha de candidatos aos diversos
cargos. Cerca de 40 deputados foram financiados pela VALE
e defendem seus interesses no congresso nacional. O governador
do estado, Aécio Neves, teve 40% de sua campanha financiada
pela empresa. A influencia política da VALE garante à empresa
o silêncio do Estado e de governos em relação aos crimes
sociais, trabalhistas, tributários e ambientais cometidos pela
empresa, garante benefícios econômicos como o empréstimo recém
aprovado pelo BNDES à empresa de R$ 7,3 bi a pagar em 40 anos
sob juros irrisórios. A VALE tem ainda a seu favor a
parcialidade da justiça que de forma morosa tem arrastado os
diversos processos que questionam a vergonhosa privatização da
empresa.
4) Questão Tributária: Os
tributos pagos pela VALE são irrisórios perto dos lucros da
empresa. A empresa é beneficiada pela lei
Kandir que determinada a isenção do ICMS(18%). Os
royalties(CFEM) pagos pelo setor somam em média 1% do
lucro líquido das empresas. Em 2007 quando as exportações do
setor, em MG, somaram R$ 16 bilhões foram pagos apenas R$ 153
milhões em royalties. Como se não bastassem as isenções e as
baixas taxações, o setor de mineração e a VALE em
especial tem dívidas com o Estado, principalmente com os
municípios por sonegação da CFEM.
5) Impactos ambientais:
Nos locais de exploração mineral a regra é o desmatamento,
destruição e poluição de nascentes d'água, poluição e
degradação do solo e poluição do ar. Em Itabira o ar tem o
mesmo grau de poluição que a cidade de São Paulo. Há a
construção de barragens que contém os rejeitos da mineração,
os rejeitos provem da lavagem e beneficiamento do minério e
alguns são altamente tóxicos. Além disso, a cada dia
ampliam-se as monoculturas de eucalipto, que expulsam os
trabalhadores rurais de suas terras e destroem o meio
ambiente. O eucalipto é usado nas carvoarias e sustenta
a siderurgia, elo importante da cadeia produtiva mineral. As
monoculturas de eucalipto, cana, soja entre outras são
responsáveis diretas pela crise alimentar que ameaça nosso
país e o mundo. A VALE promete plantar 345 milhões de arvores
de eucalipto até 2015.
6) Questão Trabalhista: A
VALE chega a pagar R$ 550,00 para o trabalhador em início de
tempo de serviço. Calculando se a riqueza produzida pelos
trabalhadores para a empresa e o que ela paga de salários,
contabilizamos que o trabalhador da VALE paga seu salário com
6 horas de trabalho mensal. É preciso denunciar as relações de
trabalho precarizadas como a terceirização.
7) Impactos Sociais: A
propaganda de geração de empregos feita pelas empresas, nas
áreas de mineração, gera um fenômeno de atração de pessoas,
gerando aglomerados populacionais desprovidos de serviços
básicos. Desemprego, prostituição de mulheres e crianças,
violência, alcoolismo e problemas de saúde são generalizados
nas regiões mineradoras e tem proporções incalculáveis.
8) Há 25 anos os moradores dos
bairros São Geraldo, Caetano Furquim, Boa Vista, Casa Branca e
Vila Mariano de Abreu Lutam pelas obras de transposição
da linha férrea, da FCA/VALE que passa pela região. É alto o
numero de pessoas mortas ou mutiladas por acidentes na linha.
Os moradores convivem com o transtorno de ter a linha
interrompendo o trafego de pessoas e carros, várias vezes por
dia. Várias pessoas já morreram em ambulâncias que esperavam o
trem passar. As estruturas das casas próximas à linha estão
comprometidas. O barulho do trem impede as aulas de escolas ao
redor da linha. As negociações com os representantes da
empresa vem se arrastando por anos. Várias são as táticas da
empresa para desarticular a organização popular. Perseguição
de lideranças, com processos na justiça, tentativa de divisão
do movimento oferecendo "presentes" a moradores, oferecendo
"brindes", réguas, canetas etc, às crianças de escolas da
região.
9) A VALE há três anos está
explorando minério de ferro de alto teor na Mina Capão Xavier,
em Nova Lima, na região de quatro mananciais de abastecimento
público – Fechos, Mutuca, Catarina e Barreiro. Estes
mananciais são responsáveis pelo abastecimento de 9% da
população de Belo Horizonte (cerca de 320.000 pessoas). A
atividade da mineração de ferro implica no rebaixamento do
lençol freático. A tendência das nascentes próximas é perderem
muita água e até secarem. O problema de Capão Xavier é que a
jazida acumula as águas que nascem mais adiante com os nomes
de ribeirões Mutuca, Fechos, Catarina e Barreiro. Fechos e
Mutuca são as principais fontes do Sistema Morro Redondo, que
abastece, por gravidade, a região sul de Belo Horizonte – do
Aglomerado da Serra ao Luxemburgo. O Barreiro é um dos
mananciais que, pelo Sistema Ibirité, atende às regiões norte
e oeste de BH e o Catarina abastece os bairros Jardim Canadá,
Retiro das Pedras, parte do Barreiro.
10) A construção da Barragem de
Aimorés, pela VALE e CEMIG. De acordo com a Comissão de
Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de MG, foram
atingidas - direta e indiretamente - pelas inundações das
barragens cerca de cem mil famílias dos municípios de Baixo
Vandu, Aimorés, Resplendor e Itueta. Duas mil famílias foram
desalojadas e apenas 40 foram indenizadas. Além disso, a
barragem inviabiliza o sistema de esgoto de Resplendor.
11) A Redução do Parque Estadual
da Serra do Rola-Moça: Tramita na ALEMG o projeto de lei nº124/07
de autoria do deputado Ivair Nogueira (PMDB/MG) que prevê a
redução de 6,5% da área do Parque Estadual da Serra do
Rola Moça . .Por trás do texto do projeto estão os interesses
ligados à mineração. O parque fica na mesma região da Mina de
Capão Xavier. As atividades de mineração interferem na
biodiversidade do parque, que é rico em campos rupestres,
ambiente sui generis de cerrado e mata atlântica. Seus
mananciais abastecem cerca de 400mil pessoas com água potável
na região metropolitana de Belo Horizonte.
Estamos mobilizados para mudar essa situação por que
queremos
1. A Re-estatização da
empresa VALE como forma de devolver ao povo brasileiro uma
empresa de caráter estratégico para a economia e soberania
nacional.
2. Solução imediata da
situação dos bairros São Geraldo, Caetano Furquim, Boa Vista,
Casa Branca e Vila Mariano de Abreu que Lutam há 25
anos. Exigimos uma data de início das obras de
transposição da linha férrea. Que a Vale seja transparente nas
informações que presta à comunidade sobre as obras e se
responsabilize por todos os danos causados à população desses
bairros atendendo às suas reivindicações específicas.
3. Que o Governo Federal
assuma uma postura em relação à empresa VALE através da
articulação de uma frente de estados mineradores onde a VALE
atua para que seja construído um novo imposto sobre a
mineração. Queremos o fim da Lei Kandir que beneficia apenas
as empresas exportadoras.
4. Que o governo federal
através da ANEEL estabeleça uma tarifa justa de energia para
sociedade. Que se cumpra a liminar expedida em 2007 pelo
Desembargador Federal Catão Alves que obriga o enquadramento
na Tarifa Social "Residencial Subclasse Baixa Renda" para
todas as famílias que consomem até 180 KW/h/mês e têm circuito
monofásico. Minas Gerais é o estado com mais hidrelétricas do
Brasil e a CEMIG cobra uma das tarifas de energia mais cara do
país. Que sejam suspensos os subsídios de energia para as
grandes empresas e mega-projetos.
5. Pelo fim da Crise dos
Alimentos: Reforma Agrária e Soberania Alimentar! Que o
governo estadual construa uma política de reforma agrária a
partir das terras devolutas no estado e que não renove o
contrato com as empresas plantadoras de eucalipto, como a
Votorantin, Acesita, V&M, Cenibra, e outras.
Assembléia
Popular Minas Gerais
Central dos trabalhadores
e trabalhadoras do Brasil - CTB |