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Transgênicos rendem um bilhão de reais de royalties
para as empresas
transnacionais
Estima-se que somente na safra 2009/2010 o pagamento de
royalties
tenha alcançado a cifra de R$ 1 bilhão no
Brasil
Marcondes Maciel
Da Reportagem
Os
produtores mato-grossenses defendem “transparência” nas
demonstrações de cobrança de royalties à Monsanto,
correspondente a um percentual sobre a rentabilidade da soja
pelo uso da tecnologia roundup ready, desenvolvida pela
multinacional. Estima-se que somente na safra 2009/2010 o
pagamento de royalties tenha alcançado a cifra de R$ 1
bilhão no Brasil, cerca de R$ 600 milhões em Mato Grosso.
Segundo o
agrônomo Naildo Lopes, da Aprosoja (Associação dos
Produtores de Soja e Milho do Estado), os sojicultores pagam
royalties duas vezes à Monsanto: a primeira na hora da
aquisição dos produtos para a produção de grãos transgênicos
(geneticamente modificados), e a outra sobre o excedente da
produtividade estimada.
“Se o
produtor produzir até 49,3 sacas por hectare, ele paga R$ 18
por hectare, usando 40 quilos de sementes OGMs (Organismos
Geneticamente Modificados). Se a produtividade for maior e
ele produzir 60 quilos, por exemplo, paga à Monsanto R$
21,89. Ou seja, se o produtor for eficiente e produzir mais,
ele acaba penalizado e paga royalties duas vezes”.
Lopes não
discorda do pagamento de royalties à Monsanto. “Defendemos
apenas que o pagamento não incida duas vezes sobre a mesma
produção, por isso queremos transparência nas cobranças. O
produtor precisa saber antes de plantar, quanto ele pagará
em royalties para fazer o planejamento de seus custos na
safra”.
O produtor
Rogério Auri Milanesi sempre foi um defensor do uso das
sementes OGMs, mas diz que, com o tempo, o lucro diminuiu.
Os agricultores que usam as sementes com a tecnologia
roundup ready desenvolvida pela Monsanto pagam 2% sobre o
total da comercialização dos grãos para a multinacional,
correspondentes ao royalties pela utilização da tecnologia
roundup ready.
"A soja
transgênica trouxe um ganho quando foi lançada no Brasil. O
problema é que logo as margens são abrangidas pelo mercado.
E hoje se nós pegarmos essa parte da rentabilidade da soja
que dá e sobra para o produtor por ano por hectare de 5 a 10
sacas e nós pegarmos 2% sobre o que é pago por total bruto
da produção, ele vai atingir mais ou menos 13% da receita
líquida. Os 2% se transformam porque eles são pegos do bruto
e não da receita líquida", explica o produtor.
O
glifosato é usado na agricultura em pulverizações para
limpeza do terreno no pré-plantio, no manejo da vegetação em
rotação de culturas, na dessecação na pré-colheita de
cereais e para o controle geral das invasoras em cultivares.
Segundo Marcelo Monteiro, o glifosato garante melhor
produtividade e maior preservação do solo, daí a preferência
dos produtores pelo uso do herbicida.
Monopólio
A Monsanto
e a Nortox detêm 100% da produção nacional de glifosato
ácido e 64% da produção de glifosato formulado na
concentração de 36%. O glifosato ácido é a base de todas as
formas comerciais de glifosato (sais e formulados, torta, pó
e solução), que são produzidos por outras quatro empresas no
país.
Na
avaliação dos produtores, o aumento de preços do herbicida
possui relação com a estratégia da Monsanto no Brasil.
Além de
possuir patentes sobre os genes que conferem resistência das
plantas ao glifosato, há registro no Instituto Nacional de
Propriedade Industrial (INPI) de pelo menos outras 32
patentes de invenção envolvendo o glifosato sob domínio da
Monsanto. Elas tratam, por exemplo, de diferentes
formulações, armazenamento, remessa, processos para produção
e preparação de glifosato e até métodos para produzir
plantas tolerantes ao produto. Isto permite à empresa
dominar praticamente todas as etapas de produção do
herbicida.
Fonte: Diário de Cuiabá, 14
de fevereiro de 2011 |