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09/08/2006
Aracruz Celulose é multada
pelo Ibama por destruir a mata atlântica no córrego Jacutinga
Ubervalter Coimbra
A
Gerência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama) multou a Aracruz Celulose em R$ 40
mil por destruição da vegetação nativa. O auto de infração
emitido pelo agente de fiscalização do Ibama é datado de dia 28
de julho deste ano. O crime ambiental cometido pela empresa foi
a derrubada da mata atlântica no córrego Jacutinga, na região do
Farias, em Linhares, uma ação programada pela empresa para ser
radical.
Sete
dos tratores de esteiras deslocados pela Aracruz Celulose para a
região começaram a operar de modo sincronizado na tarde de uma
sexta-feira (16) de junho, dia de jogo da Copa do Mundo. O
desmatamento promovido pela empresa foi contido por moradores da
região, entre os quais crianças, mulheres - uma delas grávida de
nove meses - e seus maridos, ligados ao Movimento dos Pequenos
Agricultores (MPA). Desde esta época, a comunidade cobra a
aplicação de multa à empresa. Cópia do auto de infração,
requerida ao Ibama pela reportagem de Século Diário, foi
liberada nesta terça-feira (1).
O auto
de infração nº 98743 Série D do Ibama é aplicado à Aracruz
Celulose S.A. "por destruir (desmatar) floresta considerada de
preservação permanente, num total de 0,86 hectares, conforme
despacho no processo nº 02009.00974-14, à folha 35".
A
infração foi ao artigo 70, parágrafo 1º da Lei 9.605/98; ao
artigo 25, combinado com o artigo 2º parágrafos II,IV e VII do
Decreto 3.179/99; e o artigo 2º parágrafo a da Lei 4771/65. O
valor da multa é de R$ 40.000,00 pela infração no Córrego
Jacutinga - Farias, Linhares, Espírito Santo, como discrimina o
auto de infração do Ibama.
A data
da autuação é 28 de julho deste ano e seu vencimento em 16 de
agosto. O autuante foi o agente do fiscalização do Ibama José
Ronaldo P. Costa e pela Aracruz Celulose assinou Luciano Lisbão
Jr., gerente de Meio Ambiente Florestal, com registro no Crea
34383/D, de São Paulo.
O crime
ambiental da Aracruz Celulose só não foi maior pela ação
imediata dos agricultores do córrego Jacutinga quando os
tratores da empresa chegaram ao local. Eles se colocaram em
frente às máquinas, impedindo que toda a área fosse desmatada.
Segundo
relatou Elias Alves, da coordenação estadual do Movimento dos
Pequenos Agricultores (MPA), foram destruídas várias árvores de
espécies raríssimas, como a braúna e sapucaia, além de guaribu e
gibatão, entre outras. O terreno é de alta declividade, um outro
impedimento para o desmatamento.
No
córrego Jacutinga moram cerca de 30 famílias de agricultores, e
na região do Córrego do Farias cerca de 300 famílias resistem em
meio aos plantios de eucalipto, pasto e cana-de-açúcar. Os
agricultores prometem resistir e não deixar a Aracruz Celulose
desmatar a região.
Para os
moradores de Jacutinga, conter a destruição da mata é essencial.
Eles constataram que a retirada da vegetação nativa e os
plantios de eucalipto levaram o córrego do Jacutinga a secar nos
períodos de estiagem. Só com a recuperação da vegetação nativa e
o crescimento dos eucaliptos por décadas (o corte é feito
comumente aos sete anos) permitiram que o córrego tivesse água o
ano todo, embora em volume menor do que antes da retirada da
mata atlântica. Nesta época podiam até tomar banho no local.
Elias
Alves, morador da região, informou que os moradores estão
discutindo com o Ibama a criação de uma unidade de conservação
na região. Entre as possibilidades, está a de que a unidade de
conservação proteja todos os córregos da região, como o da Onça,
do Veado, da Lama Preta, do Farias e do Jacutinga, que seriam
unidos por um corredor ecológico.
O
gerente do Ibama no Espírito Santo, Ricardo Vereza Lodi, esteve
pessoalmente no local ao viajar para o norte do Estado.
A
Aracruz Celulose destruiu 50 mil hectares de mata atlântica no
Espírito Santo. Continua a desmatar: a empresa também foi
multada em 2006 pelo Ibama na Bahia em R$ 606 mil, por plantio
de eucalipto de 202,92 hectares de eucalipto na Fazenda Santa
Maria, próxima à área do entorno do Parque Nacional do
Descobrimento, no município de Prado, extremo sul do Estado.
Em
dezembro do ano passado, a Veracel (onde a Aracruz Celulose
detém 50% das ações e localizada no sul da Bahia), foi multada
em R$ R$ 360.900,00, por dificultar a regeneração natural de
florestas de mata atlântica em 1.203 hectares.
A
Veracel foi multada pelo Ibama por não cumprimento da
determinação da Lei 9.985/2002, que instituiu o Sistema Nacional
de Unidades de Conservação (SNUC). Pelo SNUC, e pela
determinação 013/90 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama),
não podem ser realizados plantios de espécies exóticas em dez
quilômetros de raio da zona de amortecimento dos parques
nacionais.
A
transnacional Aracruz Celulose teve lucro líquido de R$ 3,17
bilhões nos últimos três anos, não incluindo os lucros do
primeiro semestre de 2006. O lucro da empresa é favorecido pelos
governos federal e estadual desde sua implantação.
A
empresa também lucra com a apropriação indébita e exploração
intensiva de territórios quilombolas, índios e de pequenos
proprietários rurais. Ocupou e mantêm em seu poder terras
devolutas, que são públicas. O presidente da empresa é Carlos
Aguiar, engenheiro químico, cearense de Sobral.
Fonte:
http://www.seculodiario.com.br
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