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08/03/2007
O que caracteriza o Movimento de Mulheres Camponesas

O Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) surgiu da organização de base e reivindicações concretas pelo reconhecimento profissional de trabalhadora rural e por políticas públicas previdenciárias para o campo (aposentadoria, documentação pessoal e profissional, salário maternidade...). Há mais de 20 anos foi constituindo um trabalho que integra formação, organização de base e luta reivindicatória.

No ano de 2004, no 1º Congresso Nacional de Mulheres Camponesas, com a participação de 1.400 mulheres, após uma caminhada de construção de movimentos de mulheres autônomos nos estados brasileiros, consolidou-se o Movimento de Mulheres Camponesas do Brasil, articulando a pluralidade das mulheres, respeitando as diferenças e unificando em uma bandeira, a força e a diversidade das camponesas do Brasil. O MMC é a soma de muitas identidades (quilombolas, indígenas, ribeirinhas, quebradeiras de coco, agricultoras, pescadoras artesanais...) que se unificam e se expressam na produção de alimentos saudáveis, nas relações de trabalho, na ação política e social, na relação de respeito, apego e cuidado com a natureza e na luta pela libertação das mulheres e transformação da sociedade brasileira.

O MMC é uma organização de mulheres, dirigida por mulheres camponesas de 19 estados do Brasil. Tem como missão a libertação das mulheres camponesas, que se concretiza nas lutas, na organização, na formação e no trabalho concreto e cotidiano, com as mulheres sendo protagonistas da própria história. Além disso, luta por uma nova sociedade, baseada em novas relações sociais entre os seres humanos e destes com a natureza.

O movimento se efetiva a partir dos grupos de mulheres na base, geralmente organizados nas comunidades. Neste espaço educativo, as mulheres aprendem e ensinam num constante construir e reconstruir saberes. Também definem os rumos do próprio movimento, a formação, as lutas centrais e a forma de se organizar. A partir deste espaço, se constituem as demais instâncias organizativas do MMC.

O MMC foi definindo sua identidade a partir da realidade das mulheres camponesas. Este amadurecimento firmou o caráter de classe, feminista e camponês do movimento. Desta maneira a luta do MMC é:

  • pela agricultura camponesa;

  • por direitos sociais;

  • pela participação efetiva e política da mulher na sociedade.

O MMC se articula com a Via Campesina, com organizações e entidades de mulheres, de ambientalistas, com redes de debate e práticas agroecológicas, com movimentos, sindicatos e redes de trabalhadores urbanos, com Igrejas e organizações religiosas, com setores governamentais e não governamentais, tanto de caráter nacional como internacional. A vida do MMC é um somatório de ações que reúne desde a base, os espaços de decisão, as lutas, as relações, os processos formativos e organizacionais, articulando-as para a construção de um projeto de agricultura camponesa e agroecológica, com as lutas feministas para a libertação das mulheres e a construção de um projeto de sociedade justa e solidária.

Este acúmulo que as camponesas têm, tanto na produção de alimentos, como na organização das mulheres, vêm afirmar a importância de fortalecer a produção de alimentos saudáveis e diversificados, a fim de garantir a soberania alimentar e o combate à fome e à miséria. Por isto, o MMC está promovendo a Campanha Nacional pela Produção de Alimentos Saudáveis, que tem como  lema “Produzir alimentos saudáveis, cuidar da vida e da natureza”, a fim de afirmar o Projeto de Agricultura Camponesa como uma das formas de enfrentar, negar e superar o modelo capitalista e patriarcal no campo, que explora e expulsa milhões de camponesas e camponeses.     

O Movimento de Mulheres Camponesas unifica suas discussões na luta pela libertação das mulheres e pela produção de alimentos saudáveis. Também se caracteriza no:

- Ser Mulher: estrutura biológica (nosso sexo, fêmeas que geram, amamentam...) e feminina ( sexualidade, afetividade...).

- Ser Camponesa: caracterizada em nosso modo e jeito de ser e viver na roça, trabalhando para o auto-consumo produzindo e reproduzindo nosso sustento, de forma diversificada, sustentável e solidária, numa relação de respeito, apego e harmonia com a natureza.

- Ser Feminista: lutamos para que as mulheres sejam sujeitas em todas as formas de relações (humanas e culturais), tenham posição política e assumam o protagonismo da história, tendo realização pessoal e social, lutando pela igualdade de gênero e classe, tendo consciência ideológica do projeto popular que garanta vida digna no campo e na cidade.

- Ser Revolucionária: queremos construir uma nova sociedade, com igualdade de direitos, onde todas e todos tenham condições dignas de vida.

 
 

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Secretaria Nacional do MMC
secretaria@mmcbrasil.com.br